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21
fevereiro

QUEIJOS (li), CUP (ouvi), LINGUIÇA (comi)

Escrito por  Armando Amaral
Publicado em Armando Amaral
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Leio com muito interesse, na edição especial de DOMINGO do D.I., os escritos do Dr. Fagundes Duarte, em que, entre outros assuntos, o intelectual terceirense aborda Figuras e Factos referentes à Serreta, sua terra natal.

Um dos mais recentes foi sobre caso passado há muitos anos e que ouviu quando "menino e moço".

Tratava-se de uma patrícia que fazia queijos de cabra assaz apreciados na cidade, aliás como ainda hoje o são, não havendo mesmo restaurante que se preze que não os apresente nas "entradas".

Duas citadinas havia então que eram autênticas fãs dos ditos, a ponto de resolverem ir à Serreta para conhecer pessoalmente a famosa queijeira.

Ei-las, pois, manhã primaveril de charabã puxado por pónei da Terceira, ainda sem fidalga linhagem, alegres e ansiosas, a caminho para felicitá-la...

Mas longe estavam de adivinhar o que as esperava à chegada: uma senhora sentada à porta da cozinha a tirar os pés duma selha; instintivamente param, nem imaginando no que iriam ver: despejada a selha, toca a botar lá dentro o leite.

Meia volta dada, pernas para que te quero ...

Se deixaram de comer os saborosos queijos de cabra (?) não lemos, e por aqui ficamos, sem acrescentar mais pontos ou alguns tirar, não deixando, porém, de apresentar desculpas ao ilustre autor por "estragos” que, involuntariamente, terei causado a um escrito que muito apreciei.

Sem querer juntar alhos com bugalho, até me fez lembrar dois casos ocorridos em meados do século XX na Horta, período em que os "assaltos" carnavalescos abundavam nas casas particulares e nos salões das Sociedades faialenses.

Começo pelo então mais falado na semana seguinte, aliás, o tempo que duravam (e duram) factos extravagantes sucedidos na "Terra da coisa rara" como João José da Graça via a sua ilha, em humorística expressão que se tornou deveras popular, já que melhor não encontrei relativamente ao "cup" nos "assaltos" servido...

Como o saudoso amigo, José Maria, era perito na respectiva confecção, naturalmente que o encarregado da tarefa foi o popular desportista do Sporting.

Embora acostumado a recipientes pequenos e sendo muitos os convivas, logo arranjou solução: aproveitou uma banheira, fora de uso, abandonada na arrecadação da sede.

Segundo ouvi: todos gostaram, nada constando em contrário, sendo prova o facto de o grande recipiente ter ficado completamente vazio, não faltando no final quentes elogios ao famoso futebolista cujo pé canhoto era o inimigo nº1 dos guarda-redes.

E também gostámos, mas da linguiça frita que, num penico, o Pedro da Feteira levou a um desses "assaltos", este no Fayal Sport, por iniciativa de antigos colegas liceais.

Apenas a Maria João fez uma careta, apesar de o Pedro afiançar que só tinha servido uma vez, acabando por se render ao apetitoso cheiro e ao aspecto da irresistível linguiça.

Recordo que era o mesmo Pedro (Fontes) que fazia o papel de Custódio em "Atribulações do Senhor Parreira" a que fiz referência em recente tópico, e que, além de funcionário administrativo, tinha um botequim próximo da Igreja, desses que tudo vendiam, incluindo penicos e quiçá galinhas, ave que deu alcunha a antiga queijeira, princípio e fim de coisas de ontem ...

 

* O autor não escreve de acordo com o novo Acordo Ortográfico
 
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