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  • A crise nos Açores e o Titanic
24
abril

A crise nos Açores e o Titanic

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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1Existe nos Açores uma cada vez maior e mais profunda clivagem entre a realidade e o discurso político do Governo Regional.

O peso do funcionalismo público em muitas ilhas (com o Faial à cabeça e que da crise quase só conhece os cortes vindos da República), a preguiça de muita comunicação social (que reduz muito do seu jornalismo a transcrever na íntegra as notícias do GACS – Gabinete de Apoio à Comunicação Social do Governo Regional) e a própria forma de ser da maioria dos açorianos (sempre a achar que o que o Governo diz é que é verdadeiro), têm levado a tardar entre nós a consciência plena de que nos Açores a crise, apesar de ser um facto quotidiano grave, sentido e profundo, é também resultado das opções políticas (más) de quem nos tem governado na Região. 

2 O discurso otimista e ilusório dos últimos anos (que tem um rosto e um responsável: o Vice-Presidente, Sérgio Ávila) de que as finanças regionais estão de boa saúde, repetido até à exaustão, deu, na sua fase inicial, temos de o reconhecer, resultados. Mas, hoje, a cada loa que o Vice-Presidente faz a si próprio e a cada anúncio de mais milhões que proclama, já todos notam o falsete e a desconformidade com a realidade. 

As perguntas, pertinentes e incisivas, assaltam cada vez mais o comum dos açorianos: se estamos assim tão bem nos Açores como diz o Governo, então como se explica que tenhamos a maior taxa de desemprego desde o início da Autonomia? 

Se estamos assim tão bem nos Açores como diz o Governo, então como se explica que tenhamos mais de um terço das famílias açorianas a viver no limiar da pobreza? 

Se estamos assim tão bem nos Açores como diz o Governo, então como se explica que haja fome nas nossas ilhas? 

Se estamos assim tão bem nos Açores como diz o Governo, então como se explica que haja empresas a despedir trabalhadores e a encerrar porque não têm trabalho e o Governo não lhes paga o que lhes deve?

 

3 Se o Governo tem dinheiro porque é que, em vez de andar a fazer promessas e anúncios à custa de uma Carta de Obras Públicas, não arranca já com as obras que lá se enumeram, contribuindo para dinamizar um setor da construção civil paralisado?

Se o Governo tem dinheiro, então como se explica a radical e impensável redução em curso nos cuidados de saúde dos açorianos em todas as ilhas, encerrando laboratórios de análises clínicas dos centros de Saúde a partir das 16h00, propondo cortes profundos no regime de subvenções e de reembolsos e limitando o número de consultas ou de exames reembolsáveis que um cidadão doente pode ou não fazer?

4 Sendo que este Governo, a acreditar no próprio, não tem problemas de falta de dinheiro, então, com estes cortes, está ele a cumprir o programa eleitoral apresentado aos Açorianos? 

Não! Nem isso! A área da Saúde é bem a ilustração da desconformidade entre o que se prometeu em campanha eleitoral e aquilo que agora se está a fazer. 

Onde estão, nas propostas eleitorais do PS, os cortes nos Centros de Saúde e nos serviços de saúde das ilhas mais pequenas, onde o acesso já de si é mais difícil?

Onde está, nas propostas eleitorais do PS, a redução na deslocação de especialistas às ilhas sem hospital?

Onde estão, nas propostas eleitorais do PS, os cortes nas subvenções e nos reembolsos aos açorianos doentes, impondo-se um limite ao número de consultas ou de exames anuais reembolsáveis que um cidadão pode fazer?

Se nada disto foi proposto aos Açorianos na altura das eleições e se não há crise nem dificuldades nas finanças dos Açores, então para quê isto tudo? 

5 Tenho para mim que o problema deste Governo é, como se vê, a cada vez maior e mais profunda clivagem entre a realidade e o discurso. E essa separação entre o discurso e as políticas concretas é de tal forma evidente que até já são alguns dos próprios deputados do PS a denunciá-la.

Atente-se neste excerto do que escrevia, há dias, José Contente, no Açoriano Oriental: 

“(…) é inevitável assumir atitudes pró-activas, não adiar medidas e problemas em lentas cogitações, imperativos quotidianos, mormente, quando forem a favor das pessoas. (…)

Requer-se, por isso, que o estado social justamente reclamado, continue a ser mais do que um estado de espírito e, principalmente, corresponda a uma lúcida, próxima e consistente governação. Se as fogueirinhas não forem extintas os incêndios podem descontrolar-se. E, não vale incorrer no afogar-se com mosquitos e engolir elefantes. (…) A Região estará bem se as pessoas o sentirem. Estas são as estatísticas que mais interessam. (…)”

Ou nestas afirmações de Cláudia Cardoso, no Diário Insular:

“A educação das populações é condição essencial ao seu desenvolvimento. Mas exige políticas assertivas e consequentes que o lirismo reinante não parece favorecer. (…)

Na vertigem da realidade exige-se um governo que não se conforme com os programas de ocasião, que calham bem na pantalha, mas que não dão pão. As indecisões, hesitações e recuos a que se assistem não acompanham o passo da realidade. Em mais do que uma área o governo ouve, mas não escuta; prepara, mas não executa; tenciona, mas não afirma. Quem não conhece não sente. Na calha das decisões por tomar está um imperativo urgente da realidade. (…)”

Ou neste texto de Lizuarte Machado, no Jornal do Pico:

“(…) Como é sabido, a Região não necessita, nunca necessitou e nunca necessitará de dois Ferrys de médio porte. Torna-se embaraçoso referir as taxas de ocupação desses dois navios ao longo destes anos em que a operação decorreu. Convém no entanto referir que, considerando os 9 meses de operação – 6 meses de um navio e 3 do outro – e as respetivas escalas, o total de lugares disponibilizados ultrapassa os 2 milhões para um total de passageiros transportados que não ultrapassa os 50 mil ou seja 2,5% de taxa de ocupação. Acresce, é público e publicado, que a faturação da Atlânticoline não chegou para pagar o combustível. Pode-se pois concluir que com tal misera taxa de ocupação o custo passageiro/milha será, muito provavelmente, o mais caro do mundo.”

6 Já não há como fazer de conta. Só não vê quem não quer. Nos Açores, infelizmente, a crise alargou-se, vitimou as pessoas, as famílias, a economia e já submergiu este Governo que, apesar disso, persiste em nos entreter sobre a nossa real situação, tal e qual a orquestra do Titanic enquanto este se afundava. 

                                                                                                                                                21.04.2014

 
 
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