Há uma dúzia de anos que não ia a São Miguel, a ilha maior no coração do desditoso poeta Almeida Firmino.
Congresso Regional do CDS foi motivo, ainda com a companhia de saudosa Maria João que nestas lides me meteu.
Aconteceu numa altura em que Ponta Delgada crescia para todos os lados, nanja para o mar, uma vez que as Portas só recentemente surgiram como grande empreendimento da política rosa, discutível, mas aí estão a cativarem a passagem pelos Açores dos monstros do Turismo internacional que, embora por horas, sempre vão deixando patacas e levando boa ideia da bela ilha lusa a meio do Atlântico, sendo de reclame para as restantes oito.
Desta feita, porém, ficámos a "bater pano", pois, mal deixado o Aeroporto, estávamos à entrada do “Cais 20”, no outro extremo, sem passarmos pela Avenida.
Um restaurante que, como já escrevemos em tópico, não tem horas ou melhor, esta sempre aberto, apresentando bons pratos, com o peixe em primazia, mesmo assim, não fazendo esquecer os bifes com malagueta do Alcides.
Se bem que foram as estradas que mais nos impressionaram na fugidia visita, tendo como fim a vila de Nordeste que moderna estrada tornou bem mais acessível, porém, apenas cumprimento de obrigação cívica é que fez com que saísse de minha casa em Angra do Heroísmo, para receber Insígnia Autonómica em Dia dos Açores; um dos momentos mais alto de 93 anos de vida.
Apesar das pernas pouco ajudarem, qual bocado de pão com que Deus ficou, mas deixando-me a cabeça no seu lugar, pude apreciar as maravilhas por Ele dadas e de que fui usufruindo nessa manhã de Segunda Feira de Espírito Santo, aliás melhor data não poderia ter sido escolhida para os açorianos comemorarem Dia Maior, de Santa Maria ao Corvo.
Recorde-se que aquando do projecto de Aristides da Mota sobre a Administração para as ilhas dos Açores, apresentado nas Cortes em fins do século XIX, secundado também por ilustres micaelenses, já era patente o desejo de Autonomia na intelectualidade açórica, sobretudo nas então capitais de Distrito.
Mas voltemos à viagem, com partida de Rabo de Peixe, em bom automóvel que, não há muitos anos, demoraria horas acrescentadas, já que feita pelas freguesias, em estreita estrada e mancheias de apertadas curvas quantas as verdejantes ravinas, assaz admiradas pelos turistas embora aborrecidas para os indígenas utilizadores, e particularmente pelos motoristas, e que agora não teremos levado uma hora, uma vez atingida a Scut de três faixas quase a direito atravessando não sei quantos viadutos, quiçá a bater o record dos da via rápida Angra/Praia, na Terceira.
Em altura, nem se fala, pois um há de cem metros, como sobrinho (que não é de S.Miguel) me informou, o que dá uma ideia das dificuldade enfrentadas pelos técnicos, sem se falar nos milhões de euros gastos, por se tratar de velha aspiração micaelense, de natural interesse para mais de metade da ilha maior.
Tantos foram os panoramas que fomos disfrutando que teríamos desejado que o relógio tivesse parado, mas eis-nos em ravina na antiga estrada quase à entrada da Vila do Nordeste que a dita Scut que, acabávamos de percorrer, lhe terá tirado o “triunfo” politico de 10ª. Ilha, designação que não deixará de ficar na história, pelo menos como lenda.
Depois, sob enorme toldo, os discursos: diferentes na forma: histórico e curto por parte de Ana Luís, presidente da Assembleia Legislativa, enquanto o do presidente do Governe Regional, Vasco Cordeiro, foi algo longo e político, ambos a merecerem francos aplausos dos muitos convidados, incluindo naturalmente os 27 agraciados com Insígnia Autonómica cuja cerimónia de entrega pelos presidentes em apreço encerrou a primeira parte das comemorações do Dia dos Açores, a que a comunicação social já fez a devida referência,
Não me tendo sido possível participar na segunda parte, fui com sobrinhos até às Furnas, nanja pelas Tronqueira passando pelo velho Campo de Golfe e descemos pela antiga estrada, revendo bela vista ainda viva na memória.
Do sol aberto do Nordeste, entrámos em autêntica zona de bruma, um oásis onde tudo cheira a turismo, tendo como centro o “Terra Nostra” .
Naturalmente que almoçámos no Hotel, remodelado: sala de jantar e bar já dentro do Parque, pondo os clientes mais em contacto com os numerosos visitantes, em constante entrada e saída.
E o prato escolhido foi o tradicional cozido, se tem que não é a. mesma coisa quando comido na proximidade dos originais "buracos”.
Como novidade, para nós, os saborosos inhames, incluídos nos acompanhamentos.
Sem tempo para rever o vistoso espectáculo que são as emanações vulcânicas, passámos, porém, ao lado da lagoa a transbordar, dando-nos a boa impressão de estar livre do mal que em tempos a terá atacado.
Duma forma ou doutra, as Furnas serão sempre zona de turismo por excelência, a pedir meças a quantas divulgadas pelas Agências de Viagem.
E sem atravessar Vila Franca, seguimos em outra Scut para Ponta Delgada, mais uma novidade nesta fugidia visita a São Miguel e a lendária 10ª.Ilha.