Vi um melro-preto cantando
Notei bem o que ele diz
Quem fez o mal vá pagando
Não fui eu que o fiz
Este melro tem razão
Ninguém a pode tirar
Não endividou a nação
Nem diz mal do Salazar
Ele continua a trabalhar
Eu acho que ele faz bem
Tem filhos para criar
Não deve nada a ninguém
Este melro vive bem
Só de bichas e migalhas
Não quer votos de ninguém
Nem espera por medalhas
Ele, nada o consome
E dá gosto ouvi-lo cantar
Ele não tirou o nome
À ponte do Salazar
Obrigado, ó melrinho
Por não estares nesta “peste”
Eu te mando um beijinho
Pela lição que me deste!
Tu cantas bem passarinho
Tu estás bem colocado
Segue sempre teu caminho
Para ti não há pecado
Este passarinho não peca
Ele está em lugar seguro
Ele nunca viu burro careca
Mas já viu careca burro
Melro-preto ou pardal
Cá no nosso Portugal
Tudo canta que consola
Pode ser pelo Natal
Ou mesmo no Carnaval
Tudo à espera da esmola
Passarinho por aí não falta
E em bandos é tal malta
Ninguém os pode ouvir
E “canários e tentilhões”
Em tempo de eleições
Dá gosto ouvi-los mentir
O Caetano ao terminar
Deseja a todos boa sorte
Quanto a mim vou esperar
Que Deus me dê boa morte
Termino o meu trabalho
Aqui em Cedros, Cascalho
Que mais eu posso dizer
Já com tanta primavera
O que este Caetano espera
Quem não é parvo deve saber