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05
setembro

Florentinos que se destinguiram - FRANCISCO AZEVEDO NUNES (1898-1971) Armador, carpinteiro e lavrador

Escrito por  José Arlindo Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Natural da Fazenda das Lajes onde nasceu a 8 de abril de 1898 e faleceu a 26 de outubro de 1971, era filho de Francisco José Azevedo e de Maria da Trindade Glória. Era popularmente conhecido em toda a ilha por Francisco “d’Antonico”.

Depois de ter passado pelo Ensino Primário onde obteve dele pouco aproveitamento, embora soubesse ler e escrever, foi no trabalho que se formou e se especializou na arte de carpintaria. Para ele as dificuldades eram a falta de ferramentas adequadas. Valia-lhe, por vezes, as ferramentas trazidas pelos nossos emigrantes dos EUA, donde algumas delas herdavam os respetivos nomes.  

Foi casado com Maria José Gonçalves Azevedo, de cujo casamento nasceram os filhos Luís (falecido), José (falecido), Maria, Francisco (falecido), Fernando, Maria do Céu, Salomé, Maria Alice e António, a maioria dos quais emigraram para Vancouver, Canadá, onde alguns ainda são vivos e têm larga descendência. 

Era um excelente carpinteiro e um “faz de tudo” noutras áreas, dotado de elevadas capacidades para os negócios, apesar da sua pouca instrução.  

Nos últimos anos da década de 1930 adquiriu uma armação baleeira constituída pelo bote “Bom Pastor”, adquirido em Santa Cruz das Flores, e pelo bote “Santo Cristo”, que foi por ele construído e por Manuel da Silva, natural da ilha do Pico, que viveu temporariamente na vila das Lajes das Flores, onde o filho, Prof. Manuel da Silva Jr., e a mulher, a fazendense Prof. Maria do Céu Gomes*, lecionavam nas respetivas escolas primárias. Com esse botes tinha a lancha “Nossa Senhora das Vitórias”, que fora adjudicada na Alfândega – mais conhecida por “Francesa” por ter pertencido a um navio Francês – a qual foi por ele reformulada e ampliada na Fazenda, no lugar onde existe hoje a casa do Luís Lourenço Gomes. Foi a lancha “Francesa” que, no dia 13 de agosto de 1942, teve um acidente na ilha do Corvo, quando transportava romeiros para a festa de Nossa Senhora dos Milagres desse ano, onde faleceram 17 florentinos, entre os quais António Jorge André de Freitas, natural e residente na Fazenda, que era o maquinista e que, como seu financiador, atuava como seu sócio. Essa lancha, que ficou então sem casa, pouco tempo durou até ser abatida para a sucata, enquanto que o motor enferrujou na loja do filho Francisco, onde esteve durante muitos anos. Depois daquele acidente, para a armação baleeira foi adquirida a António Caetano de Serpa, de Santa Cruz das Flores, a lancha a motor “Andorinha”. 

Face às dificuldades financeiras e aos maus anos da caça à baleia, Francisco Azevedo Nunes viu-se forçado a pôr à venda a sua armação baleeira, conforme publicitou no jornal “As Flores” de 19-5-1945, facto que ocorreu dias depois com a respectiva venda ao referido António Caetano de Serpa.

Com as sobras dos pagamentos das dívidas dessa venda, Francisco “d’Antonico” adquiriu vários terrenos, entre os quais se salienta parte do conjunto de terras no “Serrado da Eira”.

Afetado por diversos problemas que teve de atravessar, com os sucessos e insucessos dos seus negócios, praticamente deixou de trabalhar e acabaria por alcoolizar e por perder as suas capacidades de excelente carpinteiro que foi. Assim, foram os filhos que viriam a desenvolver e a partilhar, quer a sua lavoura, quer a sua carpintaria.  

E isto porque soube transmitir aos filhos, sobretudo aos mais velhos, José, Luís e alguma coisa ao Francisco, a sua arte de carpinteiro e de “faz de tudo” que conseguira ser durante a primeira metade da sua vida ativa.   

Para além das embarcações que fez e ajudou a fazer ou a ampliar, salientam-se as diversas casas cujas madeiras foram por ele trabalhadas, nomeadamente a sua habitação às Eiras, bem como os muitos carros de bois, arados, grades, cangas e muitas outras ferramentas para a lavoura. 

Distinguiu-se, assim, como armador baleeiro, como carpinteiro e como lavrador. 

Apesar de ter viajado apenas pelos Açores, nos últimos da sua vida visitou o Canadá, nomeadamente Vaucouver onde tinha vários familiares e amigos. 

 

BIBL: Entrevista telefónica ao filho, Francisco Gonçalves Azevedo, em 20-10-2006; Jornal “As Flores” de 19-5-1945; 

“Retalhos das Flores - Factos Históricos do Século XX”, 2003, p. 125-129, ed. da C. M. de Lajes das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro ; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso”, (2008), pp. 219, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores. 

 

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