Nasceu no lugar da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 16 de novembro de 1898, filha de António José Armas e de Maria José Armas, ele agricultor e ela doméstica. Era irmã de Fernando José Armas*, baleeiro e agricultor, de Luís José Armas*, inspetor de jogos e de Adelaide Armas*, regente escolar, e de outros irmãos, nomeadamente de António Armas que emigrou para a Califórnia, onde foi carpinteiro de construção naval.
Pertencia a uma família culta e inteligente para o meio em que vivia. O pai, que era uma pessoa bem formada e de inegável prestígio local, possuía uma privilegiada memória de que os fazendenses muitas vezes se serviam. Era uma espécie de enciclopédia que muitos consultavam, para esclarecimentos de grande utilidade histórica. Talvez por isso, todos os seus filhos possuíam uma inteligência e uma cultura acima da média dos demais fazendenses. A mãe era irmã da mãe do Dr. José de Freitas Pimentel*, médico, falecido no surto de peste da Madalena do Pico, e do Dr. António de Freitas Pimentel*, médico e Governador Civil da Horta, e de outros Trigueiros, entre os quais de meu avô João José Trigueiro.
Embora Helena Armas só tenha frequentado o Ensino Primário, era culta e inteligente, graças às leituras que fazia, quer de natureza religiosa, quer de romances ou de cultura geral e histórica.

Cedo aprendeu a trabalhar de costura. Inicialmente dedicava-se a todo o tipo de costura, numa altura em que na ilha não existiam nos comércios qualquer tipo de confeção industrial ou de pronto-a-vestir. As únicas roupas que chegavam à ilha confeccionadas eram as que, geralmente já usadas, vinham dos EUA em sacas, que localmente eram conhecidas por “encomendas”, provenientes dos emigrantes que cada um lá tinha.
Para melhorar os seus conhecimentos na confeção específica de roupas de homem estagiou, na vila de Santa Cruz, durante algum tempo, com um alfaiate, onde melhorou a sua atividade artística da especialidade.
Assim, no rés-do-chão da casa do pai, onde ela habitava, estabeleceu a sua alfaiataria onde confecionava excelentes fatos, sempre dentro da moda, a ela recorrendo clientelas da freguesia e das freguesias limítrofes, numa altura em que todo o homem, quer jovem, quer adulto, não deixava de ter o seu bom fato. Com ela chegaram a trabalhar e a aprender a arte algumas sobrinhas, nomeadamente a Maria Antónia, filha do irmão Fernando, que chegou a fazer uso proveitoso dos conhecimentos adquiridos.
De feitio meigo e expressão inteligente, era extremamente religiosa, tendo ministrado catequese durante muitos anos, ajudando com os seus ensinamentos a boa formação de muitos jovens fazendenses que passaram pelas suas aulas.
O seu falecimento ocorreu em 9 de janeiro de 1977, tendo tido os cuidados da irmã Adelaide, que com ela se havia reconciliado recentemente e a quem contemplou no seu testamento.
BIBL: Processo de Imposto Sucessório da R. F. de Lajes das Flores e elementos curriculares fornecidos pela sobrinha Fernanda Armas Freitas; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso”, (2008), pp. 219, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores.