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10
outubro

A elite faialense

Escrito por  Jorge Costa Pereira
Publicado em Costa Pereira
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Em quinhentos anos de História, nunca, como hoje, a ilha do Faial teve ao seu dispor uma tão numerosa elite letrada e com formação académica superior.

 

Basta olharmos à nossa volta, sem ter sequer a preocupação de grande exatidão, para podermos ter uma ideia da dimensão aproximada dos números: cerca de duas centenas de licenciados na Escola António José d’Ávila e na Escola Manuel de Arriaga; cerca de meia centena de médicos e cerca de duas centenas de enfermeiros no Hospital e Centro de Saúde; mais de uma centena de técnicos superiores na Administração Regional e Autárquica; advogados, professores e investigadores universitários, jornalistas, psicólogos, economistas, gestores e muitos outros profissionais com formação académica superior exercendo ou não nas suas áreas específicas.

Num universo de cerca de quinze mil habitantes, podemos, sem errar muito, afirmar que, no Faial, teremos mais de 20% da população com formação académica superior, o que constitui uma elite com expressão numérica ímpar na nossa multisecular história.

Apesar do termo ter vindo a ganhar uma aceção pejorativa, a verdade é que, de acordo com o dicionário, as elites constituem, por definição, o que há de melhor numa sociedade e, por isso, são valorizadas pelo contributo que dão ou podem dar à vida comunitária, nas suas várias dimensões. As elites são naturalmente uma minoria, mas apesar do seu número ser reduzido, elas constituem um pilar essencial da sociedade pela influência que exercem, pela sua capacidade em criar pensamento, formular opinião fundamentada, liderar movimentos e organismos da sociedade. Numa palavra, as elites constituem a chamada “massa crítica” de uma sociedade, capaz, pela sua intervenção e propositura, de consensualizar projetos, condicionar decisões, mobilizar opiniões, apontar caminhos de interesse comum.

Uma comunidade será tanto mais forte quanto mais interventivas, proponentes e ativas forem as suas elites.

Uma comunidade verá os seus interesses coletivos mais defendidos e salvaguardados quanto maior e melhor esclarecida for a sua “massa crítica”.

Uma comunidade com elites fortes equilibra as decisões dos poderes, sobretudo neste tempo de comunicação fácil e quase instantânea. 

Mas já há algum tempo me interrogo sobre o que é feito desta nossa elite faialense. Onde anda? Onde se envolve na vida coletiva? Onde participa? Onde colabora, fora das suas responsabilidades estritamente profissionais?

E já nem me refiro à sua presença nos meios político-partidários, onde embora necessária e imprescindível, podem ser sempre invocadas razões pessoais atendíveis para não haver envolvimento nem colaboração. Mas, promovem-se concertos, lançam-se livros, fazem-se conferencias, realizam-se debates, abrem-se exposições, realizam-se inúmeras iniciativas das mais diversas áreas, e quem são os que habitualmente participam daquela lista inicial que aqui referi? Porque prima a nossa elite pela ausência maciça a quase tudo o que é evento nesta terra?

É, pois, com preocupação que partilho estas interrogações. Nunca, como hoje, tivemos no Faial uma elite tão numerosa e tão apetrechada em termos de formação superior.

Mas não sei se no nosso passado alguma vez tivemos tanta apatia, tanto desinteresse e tanto afastamento da vida coletiva como temos habitualmente hoje no Faial por parte das nossas elites.

E isso, no devir dos tempos, paga-se bem caro!

Aliás, na minha opinião, já estamos, como ilha e como concelho, a pagar a fatura não só da nossa apatia coletiva, mas, também e sobretudo, do afastamento e da falta de liderança da nossa elite local!

 

 

06.10.2014

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