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17
outubro

FRANCISCO RODRIGUES VIEIRA JR (1900-1959) Professor e agricultor

Escrito por  José Arlindo Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Filho de Francisco Rodrigues Vieira e de Maria de Jesus Vieira, ele agricultor e ela doméstica, nasceu a 25 de abril de 1900 no lugar da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores.

Conclui o ensino primário na escola masculina da vila das Lajes. Desde logo ficou com o gosto pela leitura, pela cultura e pelos valores do espírito, apesar de ter ficado afeto aos trabalhos rurais da agro-pecuária dos pais, onde trabalhou lado a lado com o pai e os irmãos. Contudo, como estava determinado a vencer todas as barreiras para que um dia se pudesse dedicar ao ensino, depois de ter garantias financeiras para o efeito, embarca para a cidade da Horta onde, já como adolescente, com cerca de 20 anos, conclui o Curso Geral do Liceu. Daí transita para a Escola Normal de Benfica, em Lisboa, que funcionava como instituto para a formação de professores do magistério primário, onde concluiu o respetivo curso. Esse seu curso deverá ter envolvido vários anos de estudo, já que o jornal O Florentino de 25 de julho de 1925, dava a notícia de que havia acabado o 2.º ano e, em 31 de outubro, noticiava que ele, com o fazendense António de Freitas Pimentel, seguiam para Lisboa para fazerem o 3.º ano.

Depois de formado regressou aos Açores e, durante cerca de dois anos leciona nas Lajes do Pico. Regressado às Flores em julho ou agosto de 1929, no ano lectivo seguinte começa a lecionar interinamente em Lajes das Flores 1. Em março de 1930, nessa localidade, leva à cena uma peça de teatro, conforme noticia o jornal As Flores2. 

 Na expectativa de ser colocado na sua terra natal, em 1931 aceita a sua nomeação para a freguesia de Ponta Delgada das Flores, depois de um baixo assinado feito pela população local e apresentado ao Governador Civil da Horta, onde se reclamava a urgente nomeação de um professor. Em maio de 1932 é nomeado delegado escolar do concelho de Santa Cruz, recebendo os parabéns da imprensa florentina 3. 

Daí é transferido para a Vila das Lajes onde leciona uns tempos, embora a sua ambição fosse a de se efetivar para obter maior segurança no emprego e, possivelmente, melhor remuneração. 

Assim, em 1944 é colocado como professor efetivo na sua terra natal, a freguesia da Fazenda, lugar que ocupa até à sua passagem à situação de aposentado, onde simultaneamente chegou a exercer o cargo de delegado escolar do concelho de Lajes das Flores. Todavia, o ensino era a sua vocação desde tenra idade, conforme escreveu seu filho Nuno Álvares.

Entretanto, em 1938 casara-se com Victória de Freitas Velho, de cujo casamento nasceram e existem os filhos José, (Dr.) Nuno Álvares* e António, todos emigrados para os EUA, e Maria Bernardete (religiosa) residente na Terceira e Maria José, residentes nas Flores, onde vive casada com Hélio Silva* .  

Foi competente e dedicado, sobretudo nos primeiros anos da sua atividade profissional. Fazia teatro e festas escolares, com as crianças, graças à sua instrução e à cultura que possuía. Na Fazenda, chegou a ser forçado a ter mais de 40 alunos na sua escola – quantidade hoje inadmissível – ministrando as quatro classes do Ensino Primário, cumprindo com rigor os horários estabelecidos e destinando o sábado essencialmente para atividades recreativas e desportivas, visando a boa formação das crianças. 

Fora da escola preocupava-se em manter a sua pequena exploração agrícola que nem sempre podia resolver só através de um empregado, que por vezes lhe faltava, pelo que a ela tinha de dedicar bastante tempo das suas horas de descanso. E, embora por curto espaço de tempo, também chegou a ter um estabelecimento comercial instalado na loja da sua habitação onde vendia essencialmente “vinhos, aguardente e análogos”. 

Esclarece-se que, nesse tempo, ao que sabemos, os vencimentos dos professores eram baixos, pelo que era frequente a sua complementaridade com outras fontes de rendimento.

Por todos esses motivos veio a cansar e a aposentar-se, em 1956, já fragilizado e prematuramente doente, sobretudo afetado com dificuldades auditivas que prejudicariam o seu bom funcionamento no ensino. 

O seu falecimento veio a ocorrer em  9 de dezembro de 1959, em Angra do Heroísmo, onde se havia deslocado por motivos de saúde, com a idade de 59 anos, e os seus restos mortais encontram-se sepultados no cemitério de Nossa Senhora da Conceição dessa cidade. 

Era generoso e diligente em servir a população da sua freguesia natal, sobretudo alguns jovens, nas suas necessidades de obterem diploma de exame para poderem emigrar para o Canadá. Assim, abriu aulas noturnas para adultos, aulas essas que eram por ele ministradas gratuitamente. Por esse ensino também passaram alguns alunos que pretendiam obter o respetivo diploma para outros efeitos, designadamente para empregos e cédulas marítimas. E, embora alguns jovens de outras localidades se queixassem desses exames, por terem sido preteridos nas quotas de emigração para o Canadá, ele arriscou a sua carreira profissional, emitindo àqueles o respetivo diploma, sem, contudo, deixar de lhes ministrar o mínimo de escolaridade e de instrução para o efeito.

Por outro lado, como tinha uma boa cultura, representava, por vezes, a freguesia e as instituições locais proferindo discursos, palestras e conferências sobre temáticas variadas. Noticia o jornal As Flores, de 23-5-1953, que proferiu na freguesia da Fazenda uma conferência sobre Salazar e o Regime do Estado Novo. Era também muito útil e atencioso no preenchimento de documentos, na elaboração de cartas e de outros apoios literários necessários à população das localidades onde estava inserido. 

Na freguesia da Fazenda, ele e o pároco eram as pessoas mais cultas e distintas da freguesia, pelo que era sempre muito solicitado para ajudar ou aconselhar sobre este ou aquele assunto, quer de natureza jurídica, quer da vida comum. Fazia-o amavelmente, manifestando uma grande bondade e compreensão para todos os que o procuravam. 

Bibl: Jornal As Flores, de 21-12-1995, artigo de Nuno Vieira; Jornal As Flores,  de 18-9-1997, artigo de António Trigueiro da Silva Jr; Trigueiro, José Arlindo Armas, Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso, (2008), pp. 219, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores. 

1 Jornal  As Flor es, de 10-8-1929.

2 Jornal  As Flores,  de 15-3-1930 e de 17-5-1930.

3Jornal  As Flores de 28-5-1932.

 

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