Também conhecido por Luís d’Avô, nasceu no lugar da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 18 de março de 1902, filho de Francisco António Gomes e de Ana Úrsula do Rosário, ele agricultor e ela doméstica. Dos vários irmãos que tinha salienta-se o Francisco Armas Gomes, conhecido por Frank d’Avô, que se distinguiu como emigrante de sucesso e o Albino Armas Gomes, agricultor e capataz, na freguesia da Fazenda.
Com excelente aproveitamento, concluiu a instrução primária, que foi enriquecendo ao longo da vida, graças à sua privilegiada inteligência.
Casou com Maria de Freitas Gomes, detentora de excelentes princípios instrutivos e educativos, a 22 de setembro de 1922, na igreja da Fazenda das Lajes. Do casal nasceram os filhos José de Freitas Gomes (falecido), Maria Arminda Freitas Gomes (falecida), Alzira Freitas Gomes, Luís Freitas Gomes, Idalina Freitas Gomes (falecida) e Maria Otília Freitas Gomes* (professora oficial).
Depois de casado, organizou a sua própria agro-pecuária, situando-se como um lavrador médio a nível da freguesia da Fazenda, tendo nela reunido terrenos herdados pela esposa com terrenos da sua herança e de irmãos que tinha na Califórnia.
Cedo se distinguira como jovem merecedor dos maiores encómios do seu tempo, pelo que era sempre muito solicitado para colaborar em organizações de natureza social da localidade.
Fez parte de vereações municipais e, durante a II Guerra Mundial (1939-1945), foi escolhido para a Comissão de Avaliação (salvo erro da Fazenda), nomeada pelas autoridades concelhias, que estabeleceu vendas racionadas e/ou obrigatórias para que toda a população pudesse beneficiar dos bens essenciais para a sua sobrevivência, com destaque para o milho dos “estaleiros”, bem como da farinha, o açúcar, arroz, sabão, petróleo etc., etc., dos estabelecimentos de mercearias.

Entretanto, fora um dos escolhidos pelo Padre Francisco Cristiano Korth para fazer parte do grupo coral que estreou o instrumental que a igreja adquiriu na década de 1930. Deste modo, acompanhou outros jovens fazendenses que, dia a dia, se deslocavam à noite à freguesia da Lomba onde frequentavam as aulas de música do Maestro Coelho da Silva. Como tinha um excelente ouvido para a música, para além de aprender solfejo, aprendeu a tocar violino com que, durante vários anos, com outros instrumentos, fez parte dessa orquestra. Com o decorrer dos anos, o seu desenvolvimento acabaria por ser ultrapassado por violinistas mais jovens, pelo que ficou a cantar no grupo, com a sua excelente 1.ª voz. Com o Padre Korth também estudou cantochão, cântico gregoriano muito usado no tempo das missas em latim. Era o cantor do grupo que melhor dominava essa área musical, sendo brilhante nos cânticos das cerimónias da Semana Santa, bem como nos cânticos da procissão de ramos.
Nesse dia os cantores do grupo coral (vestidos com opas), o Padre e o sacristão, recebiam ramos de palma com um limão grande enfiado na ponta inferior. Luís d’Avô dirigia o grupo de cantores que ficava no guarda-vento da igreja, junto da porta fechada, para receber a procissão. Esta, proveniente da sacristia, e que era constituída pela cruz (transportada pelo Tio Francisco Tomás), pelo Padre, por outros cantores e pelos fiéis que nela participavam – chegava à porta da igreja cantando cânticos gregorianos alusivos. O grupo, que havia permanecido na igreja com os fiéis aí presentes, representava a população de Jerusalém, enquanto que o Padre, com a procissão, representava a entrada triunfal de Jesus nessa cidade, como referem os Evangelhos. À porta, o grupo de dentro, cantando em cantochão, saudava a chegada de Jesus, no que os de fora respondiam com o mesmo tipo de cânticos. Findos os cânticos o homem da cruz dava com ela três pancadas na porta e esta abria-se, seguindo a procissão com todos igreja acima até ao cruzeiro cantando sempre cânticos gregorianos. Depois cada um dispersava e seguia para os seus lugares para a celebração solene da missa, a qual era sempre cantada em latim, cujos cantores e músicos do grupo coral ocupavam os seus lugares habituais no coro da igreja.
Em 1939 Luís d’Avô abriu no rés-do-chão de sua casa um estabelecimento de “mercearias, vinhos e análogos”, que servia praticamente toda a freguesia, o qual foi mantido até 1955. Em face da inexistência de transportes com a vila das Lajes, esse seu estabelecimento era muito útil à freguesia da Fazenda.
Com o início da construção da estrada Fazenda - Caveira, em 1948, Luís d’Avô foi contratado pelo respetivo empreiteiro, António Caetano de Serpa, para assumir o cargo de capataz, funções que desempenhou com o agrado da maioria dos trabalhadores praticamente até à conclusão das obras, em 1953, muito embora houvesse quem tivesse preferências por outros capatazes, como sempre acontece.
Em 1964 foi ainda para a Calífórnia, onde durante cerca de 4 anos viveu e trabalhou no Ranch do irmão Frank d’Avô, indo então com alguma frequência a Vancouver visitar os vários filhos e demais familiares e amigos que ali tinha.
Regressando a Portugal, sempre acompanhado da mulher, passou alguns meses com a filha Maria Otília no Sobral de Monte Agraço. Seguidamente, no Verão de 1969, o casal voltou à sua casa nas Flores onde se manteve até 1972, ano em que voltou a emigrar, desta vez para o Canadá, onde ele viria a falecer em Osoyos a 16 de março de 1976.
Era prestável e amigo dos pobres e dos fracos, conforme tive oportunidade de verificar quando trabalhei sob as suas ordens, desde os 12 aos 15 anos, na construção da estrada Fazenda-Caveira.