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05
dezembro

Ao Meu Irmão Alberto

Escrito por  Ricardo Madruga da Costa
Publicado em Fernando Guerra
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(Em jeito de uma conversa…)

A profusão do já dito e escrito sobre o meu irmão Alberto, quase terá esgotado o que sobre ele poderia dizer-se. Merecidamente. Como cidadão de grande carácter, como político de enorme e sábia prudência, como homem devotado à família e como cristão. Creio, no entanto, quando o recordo, que é a dimensão ético-religiosa da sua personalidade o que mais me cativa e emociona.

Pela mão da nossa mãe (e com a anuência silenciosa do nosso pai, menos dado às coisas da Igreja e reservando-se para o cumprimento dos mínimos da chamada “desobriga” Pascal), fizemos o percurso que um baptizado, com toda a naturalidade, cumpria. Catequese dominical, Perseveran-ça, Acção Católica…. No meu irmão Alberto a sementeira desse tempo propício ao fortalecimento de uma vida familiar rica de afectos, fez dele, desde a sua juventude, um católico cumpridor e empenhado. A experiência vivida nos “cursillos” desde o seu tempo de Coimbra, marcaria indelevelmente todo o seu percurso de vida, moldando o seu carácter. No seu comportamento transparecia sempre uma exigência de coerência na fidelidade aos princípios da sua fé. Sobre a sua secretária, entre o amontoado de livros e papéis, havia sempre lugar para um Crucifixo, um volume com a Sagrada Escritura e umas quantas obras de actualização religiosa. E nenhum com finalidade ornamental; lia, estudava, reflectia e acompanhava o que de novo sucedia na Igreja, entusiasmando-se com emoção neste tempo de esperança que o Papa Francisco tão sabiamente tem estimulado. Um dos seus afetos. E sem descurar as coisas agradáveis que a vida proporcionava – como ele apreciava a vida e as pessoas que com ele a partilhavam! – tinha tempo para rezar. Em cada um dos dias que Deus lhe permitiu viver. Toda a sua existência foi pautada pelo desejo de acerto com os rumos que o Evangelho lhe propunha. Estar de bem com o “Pai do Céu” – como ele dizia carinhosamente – era um caminho de vida que percorria com convicção.

O meu irmão Alberto não foi um cidadão prestimoso e honrado, ou um político honesto imbuído de espírito de serviço, ou um marido e pai devotado, por especial propensão ou atributos de insondável proveniência; o meu irmão Alberto foi tudo isso porque toda a sua vida foi fiel a Jesus Cristo. Creio mesmo que a espantosa serenidade com que enfrentou a sua doença resultou da sua força interior e do alento que advinha da sua persistente oração na busca de uma proximidade com Deus.

Alberto, olha por Nós.

 
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