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  • A sorte (pouca) dos touros e dos cavalos
20
fevereiro

A sorte (pouca) dos touros e dos cavalos

Escrito por  Alexandra Manes
Publicado em Fernando Guerra
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Surpreendentemente (ou não) um grupo de deputados prepara-se para tentar a legalização da Sorte de Varas – corridas picadas, nos Açores.

Desta vez, e ao contrário de 2009, a proposta apresenta-se num outro formato. Vejamos: dissimuladamente, através da atualização do regulamento tauromáquico, revelando que a revolta dos açorianos está, ainda, presente na memória dos eleitos, e, reforçando a prova clara da crueldade que a prática das corridas picadas encerra em si. O facto da legalização se propor somente à ilha Terceira não torna este ato menos atroz, sendo também a forma subtil de se dizer aos restantes açorianos que nada têm a dizer, acerca do assunto e que, aparentemente, devemos todas e todos nos subordinar às ordens e desejos de um pequeno grupo de interessados.

Em 2009 fui (falo no meu caso pessoal, mas muitas e muitos mais se uniram contra) acusada/apontada/adjetivada de ignorante, de radical, de querer tirar o mofo da t-shirt gasta contra a tourada, entre outros. 

O contra argumento utilizado, e que até hoje não esqueço, era o de me preocupar mais com animais do que com humanos. Para esse julgamento não há muito mais a dizer do que constatar o facto de algumas pessoas não serem capazes de se dedicar a mais causas em simultâneo. Como se a luta pelo bem-estar de uns impedisse a luta pelo bem-estar de outros, como se fosse possível viver conscientemente sabendo que um ser senciente (humano ou não) está em sofrimento/dor.

Ora, e ainda nas preocupações e prioridades, não deixa de ser irónico que deputados que questionam a justiça social de uma refeição quente a alunos carenciados, possam unir-se na proposta e na votação do sim a uma prática que nada acrescenta de positivo à região.

Afinal, onde está a coerência e a prioridade? Em que manifesto eleitoral está essa promessa? A promessa eleitoral foi feita de forma privada e em conversa de bastidores?

Em 2009, as açorianas e os açorianos revoltaram-se e manifestaram a sua indignação. Em 2015 estamos e somos mais a lembrar, aos deputados e deputadas, o repúdio pela legalização das corridas picadas.

Finalizando, relembro as palavras de um antigo bombeiro voluntário, que teve de presenciar uma corrida picada: “foi do mais cruel que vi, saí daquele espaço para vomitar”. Há gente sensível.

Açores natureza viva sem salpicos de sangue.

Terceira

 

 

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