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27
fevereiro

Florentinos que se distinguiram - MANUEL ANTÓNIO DIAS (1908-1991) Folião, moleiro e lavrador

Escrito por  José Arlindo Armas Trigueiro
Publicado em José Trigueiro
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Nasceu no lugar da Fazenda, freguesia e concelho de Lajes das Flores, a 12 de outubro de 1908, filho de Francisco António Dias e de Ana de Jesus Freitas, ele agricultor e ela doméstica. 

Embora soubesse ler pouco, já que praticamente não andara na escola, sempre se empenhou para que os filhos atingissem a melhor escolaridade possível.
Trabalhando na lavoura dos pais e em trabalhos por conta de outrem, viria a casar com Maria de Freitas Dias, em data que não pudemos precisar. Apesar das dificuldades económicas que o casal desde logo começou a enfrentar, acabou por ter onze filhos. Nesse tempo era habitual haver famílias grandes. Todos foram criados com muita pobreza, mas com bastante amor e dignidade. Todos chegaram a adultos, casaram e organizaram vidas, com exceção do mais novo, o Manuel, que faleceu na guerra em Moçambique com 22 anos de idade. Registamos os seus nomes: Maria de Freitas Dias, José Dias de Freitas (falecido), António Dias de Freitas* (falecido), Francisco de Freitas Dias, Lúcia de Freitas Dias, Deolinda de Freitas Dias, Terezinha dos Santos de Freitas Dias, Maria José de Freitas Dias, Constantino Gerardo de Freitas Dias, Alzira Fernanda de Freitas Dias e Manuel de Freitas Dias (falecido). 
Todos aprenderam a ler – uns com o exame da 3.ª Classe e outros com o da 4.ª Classe – e o António fez o Curso Geral dos Liceus, na cidade da Horta, onde foi funcionário de finanças, depois de ter passado por outros serviços. Com exceção deste, e da Maria José que casou no Corvo, onde fixou residência, todos os demais emigraram para o Canadá ou Estados Unidos da América.
 
 
O filho Manuel, falecido em combate e cujos restos mortais foram transladados pelo Exército e sepultados no Corvo, conforme desejo da família, para além de extremamente habilidoso para o futebol, era uma sumidade na música, apesar de ter a ela chegado um pouco tarde, como pude constar quando lhe ensinei as primeiras notas. Mesmo assim, iria longe na música se não tivesse falecido tão jovem, embora já prejudicado pela tropa que lhe interrompeu a sua rápida ascensão inicial ao domínio do clarinete. 
Apesar da pobreza – para não lhe chamar miséria – na sua casa havia sempre alegria, acompanhada de variadíssimos cânticos, que se dizia serem para espantarem a fome. Quando já quase toda a freguesia tinha um aparelho de rádio em cada família para ouvirem música e notícias, ali tocava-se viola da terra e cantava-se o pezinho, a chamarrita e outras melodias que cada um alegremente cantava e improvisava para animar a malta. Não havia dinheiro para aqueles luxos, que eram os aparelhos de rádio nesse tempo. Para ouvirem os relatos de futebol e algum programa de fados e guitarradas ou as variedades dos “serões para trabalhadores”, os rapazes recorriam aos rádios do sr. Padre José Vieira, do sr. Presidente da Câmara, Fernando Silva, ou do sr. Jacob Tomaz.
Para sustentar tão elevada quantidade da família, o principal era assegurar o pão-nosso de cada dia. E para isso, a melhor solução, como não existiam terrenos suficientes para o efeito, foi recorrer ao exercício da atividade de moleiro. Como a maquia era proporcional à farinha moída, convinha cuidar de vários moinhos, simultaneamente, para assim se acumularem serviços comuns, quer de recolha e entregas de moendas, quer nas vigilâncias das indústrias, que se procurava fazer em série. Interessava obter o máximo rendimento, quer para ele, quer para os proprietários. Moeu nos moinhos de José d’Ana Úrsula e no de Ana Capitão.    
Os filhos eram grandes auxiliares nessas tarefas, que incluíam a necessidade de ter um carro de bois, de vacas ou de burros, conforme as possibilidades do momento. 
Todos colaboravam, salvo os que estavam já empregados em trabalhos rentáveis, nas obras das estradas ou nos trabalhos do Posto Agrícola. Outra tarefa que a família executava era a de sacristão, que nunca faltava com os toques adequados dos sinos e demais serviços de apoio religioso, cujos ganhos deviam ser muito pouco significativos. 
Distinguiu-se ainda pela forma exemplar como educou os filhos que, apesar daquela pobreza, eram delicados, sérios e trabalhadores. Nunca se ouviu dizer que pusessem a mão a alguma coisa que não fosse deles. 
Mas foi como folião do Divino Espírito Santo que Manuel Dias mais se notabilizou, fazendo-o com conhecimento e dedicação – ou mesmo devoção – interessando-se sempre pelo bom desempenho do grupo. Com a sua ausência, quando um dia se viu forçado a emigrar para o Canadá a fim de se juntar à maioria dos filhos, jamais ouve quem tivesse capacidade e gosto para manter o nível tradicional da secular Folia existente na freguesia. Outros tentaram substituí-lo, mas nenhum conseguiu fazê-lo com a segurança e a dignidade que ele habitualmente dava às Festas.
Depois de regressar do Canadá, ainda procurou transmitir aos novos alguns ensinamentos que, por sinal, viriam a ser úteis ao filho José, que chefiava então o grupo de foliões da freguesia. 
Já viúvo da sua companheira de tantas lutas e realizações, viria a falecer na freguesia da Fazenda, a 7 de agosto de 1991, onde estão sepultados os seus restos mortais. 
 
 
 
 BIBL: Entrevista telefónica de 30-11-2006, feita à filha Maria de Freitas Dias, residente em Lajes das Flores; Trigueiro, José Arlindo Armas,” Fazenda das Flores, Um Século de Sucesso”, (2008), pp. 273, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores. .
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