A Casa Manuel de Arriaga vai ser apetrechada com um sistema de áudio guias em inglês para deficientes visuais e auditivos.
A notícia foi avançada pela Direcção Regional da Cultura que adianta ainda que acabou de adjudicar a prestação de serviços e fornecimento dos sistemas em causa.
A Casa Manuel Arriaga é um equipamento cultural do Museu da Horta que evoca a insigne figura faialense Manuel de Arriaga, primeiro Presidente da República Portuguesa.
O projecto museográfico destaca várias valências funcionais: espaços onde se encontra a exposição de longa duração e projecção de filme, exposições temporárias, consulta de documentação digitalizada e biblioteca, sala polivalente e reduto verde.
Em artigos anteriores, referi a necessidade da sociedade faialense participar na reflexão sobre os caminhos em que deve apostar para o seu desenvolvimento e relativamente às defesas que tem de efetuar para que as ameaças ao nosso bem-estar não se concretizem.
O momento ideal para tal era o anterior à apresentação dos programas de governo dos partidos políticos. Só assim poderíamos ver inscrita, preto no branco, a inclusão do Faial no desenvolvimento dos Açores, aproveitando as nossas legítimas aspirações.
Agora, em plena campanha eleitoral, pretende-se que os cabeças de lista, com aspirações a serem poder na Região, se comprometam, pela palavra, em público, de viva voz, e nos meios de comunicação social, para ficarem bem gravadas as promessas e intenções dos seus planos para os quatro anos de governo.
Há uma declaração do candidato socialista proferida na visita à obra do hospital da Horta, que, sinceramente, é arrepiante e dá que pensar. Disse o candidato, em resposta a um jornalista sobre a ameaça do hospital da Horta perder algumas das suas valências de saúde, que havia que respeitar os pareceres técnicos e que o importante era garantir a saúde de todos açorianos.
Francamente, arrepia um suposto líder político tomar decisões – que deveriam ser políticas, no interesse das pessoas e tendo em conta a dispersão geográfica – baseadas apenas em pareceres técnicos. Há decisões políticas que, por vezes, não são as economicamente mais favoráveis nem, em alguns casos, as melhores tecnicamente, mas é isto que distingue um político de um técnico. E a questão foi colocada ao político que se candidata e deu uma resposta evasiva.
Arrepia saber que o chavão da sua campanha é a saúde, que deve ser no mínimo tripolar (com valências hospitalares mais próximas das pessoas na Região), e que, por exemplo, esteja o seu governo, contra todos os pareceres técnicos e recomendações internacionais de saúde, a construir uma maternidade na vizinha ilha do Pico, e quando questionado sobre as valências na Horta, o que já conta são os pareceres técnicos. Afinal, em que ficamos? Estamos face a um político a curvar-se perante os técnicos, desde que seja para o Faial?
Arrepia o seu chavão de renovar com confiança, tendo estado em governos que investiram na saúde, inclusive na Horta, em áreas nitidamente acima da população alvo, exatamente por decisão política de proximidade do serviço de saúde às populações. É legítimo agora concluir que afinal não se trata de renovar coisa nenhuma.
Nesta fase, em que um político com 12 anos de governo, que se preparou anos e anos em diversas secretarias, sempre próximo do seu líder, para chegar a este momento tão importante do ato eleitoral, deveria estar muito bem preparado para governar os Açores, e ter forçosamente o conhecimento de como quer os hospitais nos Açores e nunca deveria ter dado esta resposta tão medíocre.
Mais arrepiante foi, na apresentação na Horta, a primeira candidata do partido socialista pelo Faial ter afirmado que seriam "batalhas difíceis, mas que estaria na linha da frente na ampliação do aeroporto da Horta". Teve um contrapondo fortíssimo pela líder do partido social democrata, aquando da apresentação na Horta, que foi mais uma vez assertiva, comprometendo-se na elaboração dos projetos de ampliação e respetivo cabimento em financiamento no próximo quadro comunitário de apoio.
Arrepiante foi igualmente naquela apresentação no Teatro Faialense, o candidato não se ter comprometido neste ponto, focalizando a sua intervenção na aposta no Mar. Diria, em jeito de comentário, que mandou os faialenses tomarem banho, com o que a candidata tinha acabado de afirmar. Aliás, uma vez mais, e ainda estavam quentes nos jornais faialenses as afirmações da sua candidata, veio novamente o candidato socialista, em comício no Pinhal da Paz, em São Miguel, desdenhar e desacreditar a líder do partido social democrata, afirmando que não podia prometer a ampliação do aeroporto da Horta!!!???
Vou ser claro e direto, com esta posição, temos dois factos políticos, primeiro, a constatação e a prova de que o partido socialista Açores não fez, nem fará, a ampliação do aeroporto da Horta; segundo, os candidatos pela Horta não têm peso político e falam em desejos e não em certezas sobre esta reivindicação.
Assim, dos três pilares do slogan do partido socialista, dois – emprego e saúde – caem no prazo de uma semana. Ficamos a saber que o emprego, que no Faial passa pela ampliação do aeroporto, pela manutenção e criação de postos de trabalho nos vários sectores da atividade económica, está ameaçado! Que na saúde, que muito emprega e bem-estar dá às suas populações, poderá haver deslocalização, por razoes técnicas.
Com estes arrepios, os faialenses têm mesmo de ter ideias claras e definidas e o melhor conselho é agasalharem-se...
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Sacerdote, político e orador de mérito
Natural da freguesia da Caveira, concelho de Santa Cruz das Flores, onde nasceu em 31 de Julho de 1881, era filho de Francisco de Freitas Coelho e de Leocádia Vitorino Korth. Foi o primeiro padre do curato da Fazenda, onde se manteve até ao seu falecimento.
Depois de concluir o exame complementar da instrução primária na escola da sua freguesia, ingressou no Seminário de Angra do Heroísmo em 1896. Foi um dos melhores alunos do seu curso, como pudemos constatar através do Boletim Eclesiástico dos Açores dos últimos anos desse curso, encabeçando, quase sempre, as listas dos seminaristas. Terá sido seminarista mais brilhante do seu tempo daquele Seminário. Monsenhor Dr. Caetano Tomás afirmou que ele e alguns outros florentinos, só não terão ido frequentar a Universidade Gregoriana de Roma, por conta da Diocese, por serem das Flores. Segundo ele, durante muitos anos, os padres florentinos foram geralmente preteridos e pouco apreciadas as suas qualidades (1).
Em 1905 concluiu o respectivo curso, com a sua ordenação sacerdotal. Regressado às Flores, e já pelas festas do Senhor Bom Jesus, da sua freguesia natal, proferiu o seu primeiro sermão, que foi desde logo muito apreciado por todos os fiéis presentes.
Na igreja dessa localidade, em 28 de Janeiro de 1906, em solene festa eucarística, celebraria a sua Missa Nova, contando então com a presença de muitos fiéis e das principais autoridades da ilha, como era costume nesse tempo em comemorações dessa natureza (2).
Em 13 de Fevereiro desse ano era nomeado para o curato da Fazenda, a criar nas Lajes das Flores, sendo então o primeiro sacerdote daquela localidade, cuja igreja, inaugurada em 25 de Março, contou já com a sua presença. Presidiu à referida inauguração o ouvidor das Lajes, Padre Filipe José Madruga, natural das Lajes do Pico. Contudo, o Padre Korth, para além de ser um dos concelebrantes da eucaristia, foi o respectivo pregador, tendo-o feito de forma brilhante e de “modo arrebatador”, conforme escreveu o Padre Júlio da Rosa anos depois (3).
Como faltassem alguns acabamentos nessa sua nova igreja, nomeadamente os altares laterais, consta-se que esses acabamentos se fizeram já sob a sua orientação entre os anos de 1906 e 1910, bem como a aquisição de algumas imagens. O altar-mor havia sido feito na cidade da Horta, nas oficinas do “Ratinho”, Manuel Augusto Ferreira da Silva, um artista irmão do Padre João Pereira da Silva; os altares laterais terão tido como artistas os marceneiros Manuel Maria da Costa e José Maria da Costa, irmãos, de Santa Cruz das Flores, onde terão sido executados em 1909; as pinturas e douramentos terão estado a cargo dos pintores Cunha de Braga e Félix, supõe-se que da ilha Terceira, executados em 1910, trabalhos já executados com a sua douta opinião (4).
Na localidade da Fazenda, que em 1919 viria a ser elevada a freguesia, o Padre Korth manter-se-ia o resto da vida, nela cumprindo, com invulgar capacidade e competência, as exigências do seu múnus sacerdotal (5). Segundo se dizia, rejeitou convites promocionais e prescindiu colocações noutras localidades maiores e mais importantes, mantendo, contudo, a Fazenda como curato da vila das Lajes. A freguesia só conseguiu ser elevada a paróquia depois do seu desaparecimento, em 10 de Novembro de 1959, pela mão do Padre José Vieira Gomes.
Aí gozava de grande respeito, prestígio e admiração, extensivos a toda a ilha, quer junto das populações, quer junto dos seus colegas e das autoridades florentinas, devido à sua forma altiva de estar na vida, aliada à elevada cultura que possuía e à sua forte personalidade (6).
Era excelente orador, tendo sido considerado um dos melhores e mais prestimosos pregadores da Diocese, fazendo-o com avisada prudência, actualização constante e irrepreensível exigência. Seguia sempre com rigor a doutrina e as orientações religiosas e hierárquicas da Igreja Católica. Escrevia previamente os sermões de maior responsabilidade, fazendo-os com o brio e a dignidade que o caracterizavam, valorizando com os seus dotes naturais. Era um óptimo mestre no português e no latim, possuindo primorosos dotes oratórios, designadamente uma excelente dicção que muito o valorizavam como pregador (7). Terá sido o sacerdote florentino mais solicitado do seu tempo como orador.
Não obstante o cuidado que sempre tinha no usava da palavra, certa ocasião, aí por volta de 1916 ou 1917, quando se encontrava a proferir no púlpito da igreja Matriz de Santa Cruz o sermão da Paixão na Sexta-Feira Santa, certamente por ter visado o poder constituído, foi-lhe dada voz de prisão pelo Administrador do Concelho. Este seria o santacruzernse Fernando Amorim Armas. Mesmo do púlpito, depois de afirmar calmamente que se apresentaria logo que concluísse o sermão, o Padre Korth continuou a sua pregação. Seguidamente, descendo as escadas do púlpito e despindo as vestes religiosas, apresentou-se logo àquela autoridade. Em face das várias diligências feitas junto desta, acabou por não ser entregue a juízo, considerando o espírito de solidariedade que logo se movimentou. Os fazendenses mais importantes, ao saberem da sua prisão, logo se deslocaram para a vila de Santa Cruz, onde diligenciaram na sua libertação. Estava-se no tempo da 1ª. República, período em que a Igreja e os seus ministros foram muito perseguidos e vexados pelo poder instituído depois da queda da monarquia. Julgo que no tempo o pai daquele Administrador, Fernando Joaquim Armas, era a autoridade máxima do Distrito, isto é, Governador Civil da Horta. Meu avô, Francisco Manuel Armas, fez parte daquele grupo de fazendenses que intercedeu pela sua libertação. Anos mais tarde, por ocasião do falecimento trágico de Fernando Amorim Armas, ocorrido em Outubro de 1923, que se terá enforcado em sua casa, houve logo quem quisesse relacionar esse facto como um castigo da Providência face àquela prisão arbitrária (8).
Assim, com a revolução do Estado Novo, sempre preocupado em conquistar as boas graças da Igreja Católica, o Padre Korth acabaria por assumir em 1928 o cargo de Administrador do Concelho das Lajes das Flores (9). Ocupou esse lugar por mais de uma vez, sempre com isenção e justiça, não obstante nenhum outro benefício concelhio lhe ser particularmente atribuído nessa qualidade.
Vestia com rigor e com rigor se mantinha sempre, sem se envolver demasiado, respeitando todos para assim também ser respeitado e admirado por aqueles que com ele conviviam, quer fossem colegas ou superiores hierárquicos, quer fossem simples paroquianos ou amigos. Com estes nunca se sentava lado a lado, mantendo-se de pé nos diálogos que com eles travava. Embora mantendo-se um pouco distante, era um excelente e credível conselheiro dos seus paroquianos e amigos e, muito especialmente, de todos os que para esse efeito o procuravam.
Era austero e também temido, já que havia jovens que não fumavam nem namoravam na sua frente, não obstante alguns deles o fazerem diante dos pais, mesmo depois de serem maiores de 21 anos. Certa vez, estando na Missa a proferir a homilia, ao aperceber-se que havia fora da igreja um grupo de jovens, foi lá de livro na mão para lhes ler o Evangelho. Nas suas homilias, era demasiado disciplinador e educativo nas repreensões quase directas que fazia aos seus paroquianos.
Há, contudo, quem considere que o progresso educativo, instrutivo e cultural dos jovens fazendenses – nomeadamente das duas ou três gerações que lhe sobreviveram – se ficou a dever, directa ou indirectamente, à sua influência como educador e disciplinador. A professora faialense, Maria Manuela Nóbrega, que leccionou na Fazenda durante toda a sua vida profissional, assim como o marido, o lajense José Gonçalves Gomes, afirmavam publicamente que, na sua opinião, os jovens fazendenses tinham aquelas qualidades, graças às influências deixadas pelo Padre Korth.
Mas lá havia também quem lhe apontasse falhas – quem as não tem? – sobretudo de, nada ter feito, durante 4 cerca anos, de obras de progresso ou empreendimentos de significativo interesse público, quer na igreja, quer na freguesia.
Entre 1 de Julho de 1938 e 1 de Abril de 1940 visitou a Califórnia, onde então tinha familiares e amigos e onde proferiu brilhantes e fluentes sermões, deixando em todos os que o ouviram saudosas recordações açorianas (10).
O seu falecimento ocorreu subitamente em 16 de Janeiro de 1946, e os seus restos mortais, assim como os da irmã, encontram-se sepultados no Cemitério de S. João da freguesia da Fazenda, em campa de mármore mandada edificar pela família que tinha nos EUA (11). Deixou o seu nome ligado a excelentes poemas religiosos que foram e ainda são muito cantados nas igrejas florentinas.
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BIBLI: “Padres das Flores”, 1999, ed. da C. M. de Lajes das Flores, de José Arlindo Armas Trigueiro.
(1) – Trigueiro, José Arlindo Armas, “Monsenhor Dr. Caetano Tomás, ao Serviço de Deus e dos Homens”, (2010), p. 133, ed. da Câmara Municipal das Lajes das Flores; (2) - Entrevista a Luís Armas Gomes, de 27-7-1989; (3) - Documento em arquivo na igreja da Fazenda da Lajes e “Revistas da Academia Mariana dos Açores”, pág. 137; (4) - “Revista da Academia Mariana dos Açores”, págs. 137 e 138; (5) - Jornal “A União”, de 23-1-1946; (6) - Jornal “As Flores”, de 26-1-1946 e de 2-2-1946; (7) - “Revista da Academia Mariana dos Açores”, pág. 138; (8) Jornal “O Florentino”, de 6-1923; (9) – Jornal “O Florentino” , de 31-12-1927; (10) - Jornal “As Flores”, de 9-7-1938; (11) - “Jornal do Ocidente”, de 10-7-1992.
Os tempos, com todas as medidas restritivas que nos são impostas, não estão muito para se fazerem viagens. Mas, o calor deste verão e as férias pedem uma mudança de ares, nem que seja para perto.
Órgão sensível, o intestino reage facilmente a toda a modificação. Assim, durante as férias, particularmente durante as viagens, numerosos factores são susceptíveis de favorecer a alteração do trânsito intestinal, seja no sentido de uma obstipação, seja no de uma diarreia. A aplicação de alguns conselhos simples pode ajudar na manutenção de um bom trânsito e impedir o aparecimento de inconvenientes e mal-estar intestinal.
Factores que podem contribuir para o aparecimento da obstipação:
Um longo trajecto em avião ou em viatura, que obrigam ao ficar sentado e imóvel durante bastante tempo;
Os fortes calores que causam aumento da transpiração e desidratação;
A alteração das horas das refeições, ligadas à mudança no ritmo de vida ou simplesmente à mudança de fuso horário;
As mudanças nos hábitos alimentares;
Casas de banho de higiene duvidosa.
Algumas ideias para contrariar o aparecimento da obstipação e permitir a conservação de um bom ritmo intestinal:
Durante a viagem:
Se vai de avião deve movimentar-se, sempre que possível;
Se viaja de automóvel, fazer paragens frequentes a fim de praticar algum exercício;
Beber em abundância, de preferência água.
Durante a estadia:
Manter-se hidratado - beber, pelo menos, 1,5 litros de água por dia;
Começar o dia bebendo um copo de água ou tomando sumo de frutas antes do pequeno almoço;
Enriquecer a alimentação com fibras - cereais ricos em fibras ao pequeno almoço, frutos secos (abrunhos, alperces e figos), se possível cozidos ou macerados, comer barrinhas de cereais quando sentir fome, substituir o pão branco pelo pão integral, comer a fruta com casca;
Aumentar a ingestão de legumes verdes;
Evitar comer arroz;
Tentar ir à casa de banho mal sinta vontade;
Acabar o dia a beber um copo de água, antes de ir para a cama.
Factores que podem contribuir para o aparecimento de uma diarreia:
Habitualmente as saladas e as frutas mal lavadas, ou outro tipo de alimentos que se comam crus, bem como alimentos mal cozinhados, que estejam expostos ao contacto de moscas ou de outros insectos, bem como alimentos preparados com condimentos que não estamos habituados a comer (caril, malaguetas, etc.) e que aceleram o trânsito intestinal.
Medidas a tomar para controlar as diarreias:
Se a causa da diarreia é provocada por uma intoxicação alimentar causada por uma bactéria, não usar obstipantes mas sim antibióticos para impedir o desenvolvimento das bactérias e, assim, das toxinas. Se a causa não for de origem infecciosa usar obstipantes, mas mantendo-se vigilantes ao evoluir da situação.
A diarreia provoca, sempre, um elevado grau de desidratação - atenção às águas da torneira em alguns locais ou países. Dar preferência, sempre, a águas engarrafadas. O gelo que se usa nas bebidas deve, também, ser feito com águas de confiança, caso contrário corre-se o risco de contaminação, uma vez que o frio, ao contrário do calor, não mata as bactérias.
Pode ser que assim, aquele passeio ou a estadia, durante tanto tempo ansiados e desejados, sejam motivo de prazer e não de incómodo.
1 Se deu palavra de honra não afirmamos, mas ouvimos Carlos Cesar afirmar (mais ou menos palavra) que, se a ANA faltasse à sua obrigação, o Governo Regional, por ele chefiado, procederia ao devido aumento da Pista do Aeroporto da Horta, durante o seu mandato.
Todavia, eleições à porta aí estão com os Rosas só a não prometerem a Lua, mas quanto ao Aeroporto, quedos e mudos ...
Nem “comovidos” tão pouco com as importantes valências atribuídas à Ilha de grande interesse turístico, tais como: Baía mais bela, Parque Natural de excelência, Centro de Interpretação do Vulcão, e, agora, Jardim Botânico, distinguido com a única Menção Honrosa no Prémio de Turismo de Portugal, a completar magnífico quarteto nacional europeu e mundial !
Mas continuando esta governança, ou mudando para outra quiçá menos bipolar, duma coisa temos a certeza: é de que, pelo menos, ninguém nos tira as ditas valências.
2 Há muito tempo que não escrevo sobre ciclismo, julgo mesmo que é a primeira vez que o faço no “Tribuna”, muito embora se trate dum desporto que sempre me interessou.
Naturalmente que o gosto terá começado em meados da década de 30 do século passado com as vitórias do João Cristiano nas Volta Pequena em 34 e à Ilha em 35, vestindo de Verde, organizadas pelo semanário “A Horta Desportiva”.
Quiçá aumentado com as renhidas disputas do Nicolau, do Benfica, e do Trindade, do Sporting, nas estradas continentais do Minho ao Algarve, e que seguíamos pelas apreciadas coberturas feitas pela revista “Stadium” que à Horta chegava.
E passados tantos anos, as Voltas à França e a Portugal são eventos que, pela RTP nacional, sempre acompanhamos interessadamente, tanto mais que comentadas pelo conhecido Marco Chagas, por quatro vezes vencedor da corrida portuguesa.
E este ano algo especial havia: é que tal proeza, já igualada por David Blanco, estava em risco, uma vez que o ciclista espanhol, assaz popular em Portugal, tinha como primeiro objectivo ganhá-la pela quinta vez, razão até de sua vinda.
Mesmo assim, os seus comentários foram deveras exemplares, jamais denotando qualquer animosidade, antes só lhe ouvimos os maiores elogios ao ciclista cuja primeira vitória foi alcançada com a camisola do Benfica.
Tudo isto já seria suficiente, mas um caso houve que até veio justificar o tópico:
Entre os candidatos encontrava-se o vencedor da Volta de 2011 que, este ano, foi o rei dos azares, nada menos de quatro quedas, a última das quais assaz espectacular e que o levou para o hospital, ficando impossibilitado de participar na Etapa Rainha, isto é, a da célebre subida à Torre, a 2000 metros de altitude, na serra da Estrela.
Por sinal, aquela em que David Blanco envergaria a Camisola Amarela, e ao vencê-la pela terceira vez averbou mais um record.
Embora a Volta se decidisse no dia seguinte no “contra-relógio”, o ciclista espanhol num gesto de desportivismo e humanidade, enviou ao português o seu Amuleto (uma figa em prata) que há muitos anos sempre trazia ao pescoço e que era oferta da namorada, quando elas eram mesmo.
E de sorte era Ricardo Mestre quem dela mais precisava.
3 Li na imprensa uma notícia informando que a SRCTE (vulgo Obras Publicas) “está a executar diversos arranjos urbanísticos nas estradas Regionais da ilha do Faial”.
E tantos eram que nem meia dúzia de tópicos daria para os mencionar, ou mais que suficientes para uma gigante manta de retalhos que cobriria a ilha inteira, quiçá a bater mesmo todos os recordes do “guiness book”...
Por sinal, há precisamente seis anos que estive de visita no Faial, e numa das crónicas publicadas no ido “Correio da Horta” referi-me a duas estradas da meia encosta e que haviam sido assaz frequentadas, desembocando uma na Ribeira do Cabo e outra na Ribeira Funda.
Nanja para elogiar o cuidado havido na manutenção das ditas, antes para manifestar viva estranheza pelo péssimo estado em que se encontravam, e segundo me dizem agora ainda está pior, se pior seja possível.
É que tempos houve que chegaram a constituir com a da Caldeira apreciados circuitos turísticos, tendo o Vulcão por destino, e valorizados com descida ao Varadouro pelo Sul e observação das hortências nos matos dos Cedros e Salão pelo Norte.
E hoje mais valorizados seriam com o Centro de Interpretação do Vulcão que é o mais visitado dos Açores com uma média anual de visitantes superior a vinte mil, como também lemos.