Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Desporto
  • Susana Garcia
Susana Garcia

Susana Garcia

17
dezembro

O Naufrágio do Navio “Slavonia” Em 1909 (IV)

Publicado em José Trigueiro
Sê o primeiro a comentar

FACTO HISTÓRICO DAS FLORES

(Continuação do jornal de 3 Dezembro 2010 n.º 444)
Álvaro Monteiro de Freitas, em artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de 10 de Dezembro de 1991, para o qual também ouviu relatos de pessoas do Lajedo – das quais algumas terão trabalhado na recuperação das pessoas e da carga – conta que foram feitas diversas tentativas pelos navios que lá acorreram para a recuperação do “Slavonia”, e que acabariam por não resultar. Refere ainda que, depois do navio ser dado como perdido, o comandante, Capitão Dunning – que teria uma perna artificial – desembarcou e, a cavalo, na companhia de Francisco José Tomás, do Lajedo, teria ido a Santa Cruz, para mais facilmente contactar telegraficamente a empresa seguradora e, certamente, a Cunard Line.

Recorda-se que o representante da empresa seguradora londrina Lloyd’s, na ilha das Flores – a seguradora do “Slavónia” – era James Mackay, filho do Dr. James Mackay, escocês, que fora o primeiro médico da ilha e que acompanhara o Imperador Napoleão à sua prisão na ilha de Santa Helena. Os habitantes locais cedo constataram a impossibilidade de desencalhar o barco, conforme contava o lajedense José Jorge, dada a forma como o mesmo havia ficado assente sobre uma baixa no fundo, ficando entalado nela.

Refira-se a esse propósito que, nessa ocasião, se encontrava na ilha das Flores o Eng. Briant, que estava em Santa Cruz a montar a telegrafia sem fios ou radiotelegrafia e que terá sido incansável na organização das brigadas de socorro que foram constituídas e que só abandonou o “Slavonia” quando o seu comandante o fez. Esse engenheiro inglês, que também viajou no navio “Funchal” para a Horta, foi nele elogiado pelo seu trabalho na recuperação dos sinistrados.

No jornal “O Telégrafo” de 19 de Junho de 1909, onde constam muitas destas informações, afirma-se ainda que “os passageiros de 3.ª classe, que perderam quase tudo o que possuiam, causavam verdadeiro pezar pelas suas justas lamentações, ao passo que alguns dos touristas diziam que visto não ter havido nenhma morte achavam aquella peripecia curiosa e portanto mais uma novidade inesperada a juntar às muitas que esperam ter na sua viagem”.

4. Conclusão

 Apesar dos esforços da fiscalização da Guarda-Fiscal, agentes dessa corporação viriam a queixar-se de que diversos objectos terão desaparecido enquanto ainda se esperava a recuperação do navio, afirmando que “houve de facto muita pilhagem”.

Por outro lado, também é certo que se contava na ilha que agentes daquela corporação terão preferido que objectos de bordo fossem lançados ao mar do que conduzidos para terra pela população, já depois do navio ter sido dado como perdido. Segundo refere Álvaro Monteiro de Freitas no seu artigo, as “instruções para que tudo o que estivesse a bordo e fosse possível, que fosse lançado ao mar” foram dadas pela companhia seguradora, encarregando-se os homens do Lajedo dessa tarefa, servindo-se, sobretudo, para acesso ao navio, do cabo de vaivém ligado a terra, que fora utilizado para retirar de bordo os passageiros. No Lajedo muita gente falava, com pesar, dos bens lançados ao mar, designadamente, louças e sacos de café.

Alguns dias depois do naufrágio chegava ao local um rebocador equipado com mergulhadores e aparelhos de salvamento para transportar alguma carga para o porto de Lajes das Flores, com vista a embarcá-la em navio próprio para Inglaterra. Na sequência disso, relata a Guarda Fiscal que “consta-se que são consideráveis os roubos que se têm praticado a bordo d’aquelle vapor inclusivamente uma mala de correio que tinha diversas encomendas postaes, desaparecendo no dia 16 do corrente, e outros objectos do vapor taes como louça de prata e cobertores de lã”. Queixa-se ainda o 1.º Cabo José Jacinto Raposo do Amaral, do Posto Fiscal de Santa Cruz, que o pessoal daquela corporação era pouco para o bom desempenho da sua missão. Afirmava ainda que o soldado Lázaro José Rocha, do Posto de Lajes das Flores, que era acusado de ter facilitado os referidos roubos, não sabia organizar o processo do navio naufragado e que no dia do embarque dos passgeiros para Inglaterra (“11 do corrente”) fora “descaminhada d’ali muita coisa devido ao deslexo d’aquelle soldado que ainda que visse consentia que aquella gente roubassem latas de café e de bolachas e conservas”.

Ainda hoje são vários os objectos e as recordações que se encontram em casas de florentinos provenientes do navio “Slavonia”, sem sabermos se obtidos de forma legal ou ilegal. Todavia, há 50 anos atrás, sobretudo no concelho das Lajes, muitas eram as casas onde se viam mobiliários, louças ou talheres com a marca de “Slavonia”, incluindo a de meus avós e as de outros meus familiares e amigos.

                                                                                                      (Continua)

BIBLI: Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História)”, (2003, pp. 423 e 445, 2.ª edição da Câmara Municipal de Lajes das Flores; Trigueiro, Norberto, artigo publicado no jornal “Correio da Horta”, Horta, de 22-10-1960; Martins, Félix, artigo no jornal “As Flores”, Santa Cruz das Flores, de 21-06-2001; Freitas, Álvaro Monteiro de, artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de Lajes das Flores, de 10-12-1991; Monteiro, Alexandre, “O Naufrágio do Paquete ‘Slavonia’  (Ilha das Flores, 1909)”, (2009), Internet; Correia, Luís Miguel, “Paquetes Portugueses”,  pp. 83 e  215, 1992,  Edições INAPA, de Lisboa; Antunes, 1.ª Sargento Domingos (presumido autor), “Esboço Histórico da Guarda Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo (1885-1985)”;  jornal “O Telégrafo”, de 19-06-1909; jornal “O Faialense” de 27-7-1909; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Retalhos das Flores - Factos Históricos”, 2003, pp. 27-34, Ed. da Câmara Municipal de Lajes das Flores.

 

Ler mais
03
dezembro

O NAUFRÁGIO DO NAVIO “SLAVONIA” EM 1909 (III)

Publicado em José Trigueiro
Sê o primeiro a comentar

FACTO HISTÓRICO DAS FLORES

(Continuação do n.º  ????)

Embora os elementos característicos do navio divirjam nalguns autores, como referimos, o “Slavonia” era um grande e luxuoso paquete para o seu tempo. Sobre a quantidade de passageiros e de tripulantes existentes a bordo, os elementos da imprensa da época também não coincidem sempre entre os autores atrás mencionados, nem estes condizem em absoluto nas suas descrições sobre o acidente.

Para além do navio ter passado para terra alguns passageiros e respectivas bagagens, através de um cabo de vaivém, como estava muito bom tempo, vários deles foram sendo a pouco e pouco transportados para o porto da vila Lajes das Flores nos salva-vidas do próprio navio, auxiliados por algumas embarcações locais.

Também dali alguns foram embarcados para o navio “Princesa Irene” que, ao ter conhecimento do acidente por meio da radiotelegráfica ou T.S.F. (telegrafia sem fios) do navio – uma novidade moderna já então a funcionar nalguns paquetes da época – ali  acorrera, apesar de estar a navegar a cerca de 200 milhas, afirma-se no relatório da Guarda Fiscal. O mesmo aconteceu relativamente ao navio “Botavia”. O primeiro destes navios levou consigo 100 passageiros de 1.ª classe, enquanto que o segundo recolheu passageiros de 3.ª classe, quase todos de nacionalidade italiana. Julgamos que os passageiros embarcados para os referidos navios, dada a distância em que estes estavam, tivessem sido tomados no porto das Lajes das Flores. Tudo leva a crer que esses passageiros já estivessem a salvo nessa Vila, até porque as suas viagens só terão tido lugar cerca de 8 dias depois do encalhe, segundo conseguimos apurar. E isto porque todos deverão ter colaborado na tentativa de recuperação do “Slavonia”.

Alexandre Monteiro escreve que “O comandante Dunning, abalado pela perda do navio – que comandava interinamente, visto ter pedido a reforma em Nova Iorque, alegando um estado de saúde precário – tentou várias vezes suicidar-se, no que foi impedido pelo telegrafista do navio”.

É que nessa ocasião já teriam colaborado nos esforços frustrados para recuperação do navio, outros navios e rebocadores que compareceram no local do naufrágio, dando-se mais tarde o “Slavonia” como perdido.

 Norberto Trigueiro, que entrevistou vários florentinos contemporâneos do naufrágio para o jornal “Correio da Horta”, afirma que de início “uma aragem fresca, soprando do mar, impediu que os passageiros fossem retirados em pequenas embarcações, passando-se então um cabo de vai vem para terra, por onde foram salvos, primeiro as mulheres e as crianças”. O cabo de vaivém terá essencialmente servido para recuperar cargas, especialmente bagagem.

 Julgamos que ambas as versões estarão certas, uma vez que o salvamento dos passageiros e tripulantes, devido ao seu elevado número, deverá ter demorado bastante tempo a concluir-se, e o seu transporte do Lajedo para as Lajes ter-se-á feito por via marítima, dadas as dificuldades em fazê-lo por terra.

 Depois de salvos todos os passageiros e tripulantes, foram recuperadas as bagagens, bem como muita da carga então existente nos porões do navio, com a ajuda das embarcações e navios que ali acorreram.

 Os referidos náufragos enquanto permaneceram nas Flores ficaram instalados em casas particulares de famílias florentinas, designadamente na vila das Lajes, onde foram recebidos com grande hospitalidade.

3. Epílogos do naufrágio

Assim, dias depois, os restantes náufragos, passageiros e tripulantes, incluindo o respectivo comandante Arthur Dunning, embarcaram no paquete “Funchal”, da Empresa Insulana de Navegação, para a cidade de Ponta Delgada, para depois seguirem para os seus destinos. A bordo desse navio, que escalava as ilhas dos Açores do grupo central com regularidade, em reunião específica com tripulantes e passageiros, discursaram diversos oradores, com destaque para o comandante Capitão Carlos Vidinha, o Eng. Domingues Ventura Fernandes, do “Funchal”, e o Dr. Millor Erving, médico do “Slavonia”, que enalteceram a hospitalidade inconfundível do povo das Flores, designadamente do da vila das Lajes.

 Na igreja Matriz da vila das Lajes há um cálice oferecido pelo então Papa Pio X, como reconhecimento pela hospitalidade dada naquela vila, gesto este que, para além de ser confirmado pelo lajedense Monsenhor Dr. Caetano Tomás, que refere que o viu quando era seminarista, está mencionado no trabalho de Félix Martins, como adiante se transcreve.

Francisco António Gomes escreve na obra abaixo citada que o navio “Botavia” e o rebocador inglês “Ranger” também prestaram auxílio ao “Slavonia”. Por sua vez, Norberto Trigueiro, para além de referir que o rebocador “Ranger” saíu da Horta para esse efeito, regista que de Ponta Delgada se deslocaram para as Flores, em auxílio do “Slavonia”, os rebocadores “Condor” e “Bérrio”, que ajudaram na recuperação das cargas. Félix Martins confirma essas ajudas, bem como a do navio “Funchal” que acima referimos, pelo que, durante esses dias, o movimento de navegação na ilha das Flores deverá ter sido intenso.

 Apesar de ter aberto água em diversos locais, o navio acabou por permanecer à superfície durante alguns dias, no mar visivelmente limpo, entre a rocha da ilha e a ponta leste da Baixa, como consta de fotografias que ilustram o referido documento da Guarda-Fiscal e o trabalho de Alexandre Monteiro. Passados alguns tempo, devido ao vento forte do Oeste, o “Slavonia” afundava-se, ficando a uns 8 metros de profundidade. Mesmo assim, ainda foi possível recuperar dos seus porões parte da carga neles existente, não obstante outra se ter perdido, designadamente vários sacos de correio, bem como a maioria das mercadorias atrás referidas. O navio terá ficado lá até à Noite de Natal desse ano, sendo destruído pelo mar durante essa noite, como referem as nossas fontes.

                                                                                                                                                                                                                      (Continua)

 BIBLI: Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História)”, (2003, pp. 423 e 445, 2.ª edição da Câmara Municipal de Lajes das Flores; Trigueiro, Norberto, artigo publicado no jornal “Correio da Horta”, Horta, de 22-10-1960; Martins, Félix, artigo no jornal “As Flores”, Santa Cruz das Flores, de 21-06-2001; Freitas, Álvaro Monteiro de, artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de Lajes das Flores, de 10-12-1991; Monteiro, Alexandre, “O Naufrágio do Paquete ‘Slavonia’  (Ilha das Flores, 1909)”, (2009), Internet; Correia, Luís Miguel, “Paquetes Portugueses”,  pp. 83 e  215, 1992,  Edições INAPA, de Lisboa; Antunes, 1.ª Sargento Domingos (presumido autor), “Esboço Histórico da Guarda Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo (1885-1985)”;  jornal “O Telégrafo”, de 19-06-1909; jornal “O Faialense” de 27-7-1909; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Retalhos das Flores - Factos Históricos”, 2003, pp. 27-34, Ed. da Câmara Municipal de Lajes das Flores.

 

Ler mais
03
dezembro

Sistemas de Incentivos II

Publicado em Parque Natural do Faial
Sê o primeiro a comentar

 Na época em que os sistemas de incentivos ao investimento privado apareceram, há cerca de 24 anos, e nos tempos de hoje há circunstâncias que se mantêm na mesma.

Estamos com uma base de desenvolvimento económico muito baixo, temos uma balança de transações com o exterior muito deficitária, produzimos pouco, o mercado interno açoriano é incipiente, se instalarmos indústrias de produção não temos economia de escala, os preços de produção são elevados, estamos longe de mercados consumidores, a conjuntura de exportação é difícil, necessitamos de recursos humanos de nível médio e de nível superior.

Contudo, para a função básica de uma economia ser o emprego, não faz sentido julgar que vamos ser todos funcionários públicos, há que criar emprego no sector privado, este é que deve crescer e ser sustentável.

Assim, esta luta quase titânica de investir em pequenos mercados, em pequenos torrões de terra rodeados por mar, deve manter-se como um desígnio, numa procura constante de proporcionar condições para que se crie ambientes económicos que gerem confiança aos potenciais investidores. É que tomar a decisão de recorrer, como acontece com a maioria dos investidores, a crédito bancário, meter-se em licenciamentos camarários demorados, fazer candidaturas a sistemas de incentivos, cujo tempo de decisão também deve entrar nas contas, construir uma infraestrutura (se houver zona industrial para tal, se não…) formar o pessoal, inscrever-se, assim que possível, como sujeito passivo nas Finanças e na Segurança Social, e depois de todo este esforço, da saída constante de euros, quando se abre a porta do seu negócio, ter um mercado potencial extremamente reduzido, dá que pensar!

E saber-se a duas horas e meia de Lisboa, com as maiores superfícies comerciais da Europa, concorrer com o comércio eletrónico extremamente competitivo, e confrontar-se com a mentalidade local, que vê o empresário como alguém que não consegue ter preço, ou então que tem preços muito caros (pudera, com esta estrutura de custos!) e ainda ser criticado, dá que pensar duas vezes!

Mas houve alguns empresários que na primeira vaga romântica dos sistemas de incentivos, atraídos pelos cantos de sereias políticas prometendo dinheiro fácil, investiram e viram-se dentro duma teia burocrática de conjuntura muito difícil.

Alguns deles passaram por dificuldades económicas e financeiras, mas o que mais choca é ver o gáudio e o desprezo com que foram criticados em vez de uma palavra de reconhecimento pelo empreendedorismo, em vez de se ouvir “Vamos comprar no comércio do empresário local, que investiu na nossa terra e que deu emprego aos nossos trabalhadores”.

Assim, perante toda esta equação, esta conjuntura sócio económica, os sistemas de incentivos são uma âncora no desenvolvimento, são em muitos casos a peça que leva ao impulso empreendedor, mas não basta, e a história já nos ensinou isso, é preciso muito mais.

É preciso que os sistemas de incentivos não sejam uma ilha em si, isolados, devem ser, em primeiro lugar, o seguimento de uma estratégia de desenvolvimento regional, depois todos os passos de licenciamento, acompanhamento do desenvolvimento, devem ser de algum modo também incentivados.

Existem investidores e empreendedores em potência que querem desenvolver uma atividade, mas esbarram nas pequenas pedras na engrenagem que, por vezes, fazem com que uma boa ideia, um bom negócio não avance; julgo haver interesse público em tirar essa poeira e fazer as coisas avançarem.

Mais uma vez, aqui existe uma dicotomia entre a facilidade apregoada dos sistemas de incentivos e a burocracia geral, verificando-se que um investidor numa ilha maior tem mais apetência em investir, pois o mercado é maior, e o investidor numa ilha mais pequena mais facilmente abandona a ideia. Assim, o apoio ao empresário nas ilhas mais pequenas devia ser maior, descentralizado, substituindo-se os decisores por agentes de dinamização económica efectivos no terreno e conhecedores da realidade.

Importa, pois, analisar se os sistemas de incentivos estão a ser eficazes e a potencializar o desenvolvimento, assim como perceber se o Faial está a um bom nível. Ou estará abaixo da média regional? Poderia estar a desenvolver-se mais com estes sistemas de incentivos?

                                                                                    Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ler mais
26
novembro

A Era dos investimentos reprodutivos...Só para o Faial

Publicado em Costa Pereira
Sê o primeiro a comentar

 1. Através da Resolução do Conselho do Governo n.º58/2009, de 26 de Março de 2009, Carlos César afirmava textualmente "não ser exequível financeiramente avançar com a construção do Estádio Mário Lino, dando prioridade à requalificação da Escola Básica Integrada da Horta".

E, quando se esperava que as obras naquela escola conhecessem um incremento assinalável, afinal 2009 foi-se, 2010 está a findar e, sabe-se agora, que nem o projecto dessa obra está ainda pronto devido à introdução de alterações por parte da tutela!

2. Em Junho passado, o presidente do Governo, especialista em justificações e desculpas para o que não se faz no Faial, saiu-se com estas afirmações: "...em função da situação que nós vivemos, [é] mais importante afectar os recursos que temos a dimensões imediatamente reprodutivas e geradoras de emprego, do que a outros empreendimentos que só poderão ter um efeito a médio prazo ou que não têm mesmo um efeito empregador e economicamente reprodutivo, independentemente da utilidade (...) ". E concluiu: " Se me perguntassem se era mais importante o estádio Mário Lino no Faial ou a recuperação e o reordenamento da bacia portuária da Horta e a construção do cais de cruzeiros, nós evidentemente optamos pelo cais de cruzeiros e o reordenamento da bacia da Horta."

3. Como se vê, num ano, a desculpa de não se fazer o Estádio Mário Lino deixou de ser as obras na Escola Básica Integrada da Horta e passou a ser a obra do Porto. Mas até estaríamos na disposição de aceitar esta mudança, se o argumento enunciado pelo presidente do Governo (de que neste período de crise, mais do que nunca, importa afectar os recursos públicos aos investimentos que sejam geradores de emprego e com efeito reprodutivo na economia) fosse aplicado a todos os investimentos em todas as ilhas dos Açores.

4. Mas, infelizmente, não é isso que se verifica. E os exemplos não faltam. Mas centremo-nos nos que são mais "escandalosos". Depois de ter dito em Junho o que disse, foi o mesmo presidente do Governo que manteve na Anteproposta de Plano para 2011 o projecto de cobertura do Estádio de São Miguel, com uma verba de mais de três milhões de euros. E nada temos contra esse investimento. Agora não se pode é enunciar critérios gerais (aceitáveis e com os quais até concordamos) e depois aplicá-los só para alguns casos. O que é que a cobertura do Estádio de São Miguel tem de maior efeito reprodutivo na economia e no emprego que a construção do Estádio Mário Lino na Horta, de tal forma que um avançaria e o outro ficaria para trás?

A contradição era tão óbvia e a injustiça tão grande que, da Anteproposta para a Proposta de Plano, o Governo autocorrigiu-se e retirou desta a cobertura do Estádio de São Miguel.

5. Mas permanecem outros exemplos, que até se decidiram lançar agora, e que provam que as palavras de Carlos César sobre as prioridades no investimento não passam disso mesmo: apenas palavras. E um dos exemplos que ressalta à vista é o chamado "Arquipélago - Centro de Arte Contemporânea" a construir na cidade da Ribeira Grande, dotado com mais de seis milhões de euros. Novamente não temos dúvidas de que seria um investimento, em tempos "normais", de aplaudir. Mas, nesta altura de especiais dificuldades e crise, temos sérias reservas sobre os seus efeitos reprodutivos na economia e no emprego. É que até o próprio governo tem exemplos recentes da imprevisibilidade neste tipo de investimentos: a "Casa Armando Corte-Rodrigues - Morada da Escrita", sita à Rua José Raposo do Amaral, na cidade de Ponta Delgada, inaugurada em Janeiro de 2007, depois de obras significativas, destinava-se a ser "um espaço de escrita, um ponto de encontro com figuras e obras no domínio da literatura, através da dinamização de actividades culturais, recorrendo ao imaginário poético que têm dos Açores". A verdade é que ela está agora praticamente fechada e sem utilização há um ano e, por isso, será entregue ao Instituto Cultural de Ponta Delgada!....

6. Na passada semana a Atlanticoline apresentou, aqui na Horta, as principais conclusões de um estudo sobre o transporte marítimo de passageiros nos Açores, que havia encomendado à empresa "BMT - Transport Solutions" em 2009. Da sessão a que tivemos a oportunidade de assistir, retirámos as seguintes conclusões: a) o estudo recomenda que a Região proceda à aquisição de navios de alta velocidade para o transporte marítimo de passageiros inter-ilhas, por ser uma opção economicamente mais vantajosa do que recorrer ao afretamento; b) a Atlanticoline já optou em mandar construir os navios que vão fazer a ligação entre o Faial e Pico, escolhendo para esse fim, não a primeira, mas a segunda opção do estudo; c) o estudo recomenda a criação de "uma ou mais plataformas logísticas" para se reduzirem os custos operacionais, passando-se dos actuais navios que garantem o transporte marítimo de mercadorias entre o Continente e os Açores para apenas uma embarcação de 1.700 contentores que se articulará com três navios mais pequenos; d) os autores do estudo reconheceram, naquela sessão, expressamente, que se esta opção das plataformas logísticas vier a ser implementada, isso vai naturalmente prejudicar várias ilhas em relação aquilo que hoje têm no transporte marítimo de mercadorias; e) este estudo foi concluído em Abril/Maio de 2010. Logo, não há dúvida que ele foi permeável a toda a polémica que rodeou a aprovação do Plano Regional de Ordenamento do Território (PROTA), que aconteceu a 15 de Junho de 2010. Só isso pode justificar que, num estudo que se destinava a analisar o transporte marítimo de passageiros entre as ilhas dos Açores, se tenha acabado por incluir, sem nenhuma explicação lógica, um capítulo sobre os transportes marítimos de mercadorias entre os Açores e o Continente, no qual, sintomaticamente, se defende a criação de plataformas logísticas!

As explicações que foram dadas pelo representante da Atlanticoline e a falta confrangedora de argumentos por parte da BMT na defesa da opção das plataformas logísticas, são a prova de que a inclusão deste capítulo naquele estudo não foi acidental, nem ocasional, nem muito menos inocente!

 

 

 

 

 


22.11.2010

 

Ler mais
26
novembro

O Turismo nos Açores

Publicado em Fernando Guerra
Sê o primeiro a comentar

 O arquipélago dos Açores é constituído por 9 ilhas dispersas no Oceano Atlântico numa área total de 2 333 km2 e possui uma Zona Económica Exclusiva (ZEE) com cerca de 984 300 km2, o que representa aproximadamente 30% da ZEE Europeia, com possibilidade de aumentar, com as negociações diplomáticas.

 As potencialidades destas ilhas são inquestionáveis, não apenas pelos recursos naturais existentes, mas também pelo seu posicionamento estratégico entre os continentes americano e europeu.

Com um clima temperado marítimo, não se verificam grandes oscilações entre as temperaturas máximas e mínimas ao longo do ano. Chove durante todo o ano e pode-se desfrutar de uma temperatura da água do mar rondando os 24ºC.

Nos últimos anos a actividade turística tem evoluído consideravelmente na Região. As condições existentes são suficientes para a consciencialização da importância económica que o turismo poderá proporcionar ao arquipélago. Efectivamente, são várias as possibilidades a explorar em cada uma das ilhas, com uma oferta clara para diversos gostos. Desde as paradisíacas paisagens terrestres, até às profundezas do nosso mar, são várias as oportunidades de investimento, sendo as ilhas, naturalmente, destinos turísticos invejáveis em qualquer parte do planeta.

Nota-se, nos últimos anos, o “despertar” de vários investidores privados, bem como uma aposta objectiva do Governo Regional para o Turismo. Uma aposta, proporcionando condições favoráveis para o investimento nesta área, bem como desempenhando um papel fundamental na formação e qualificação de pessoal.

Com efeito, os dados estatísticos são reveladores do crescimento desta área na economia regional. O número de dormidas no turismo em espaço rural mais que duplicou nos últimos 10 anos: em 2009 registaram-se mais de oitocentas e cinquenta e sete mil dormidas, sendo que, em 2010 até Setembro, já se registaram mais de oitocentas e oitenta mil dormidas, o que mostra que o crescimento no presente ano será substancialmente superior aos resultados do ano anterior.

No Faial, no final de Setembro, já haviam sido registadas mais 1000 dormidas que em todo o ano de 2009.

Outro dado a ter em conta diz respeito à evolução do número de passageiros nos aeroportos açorianos. Em 2010, verificou-se um aumento de dez mil passageiros até Setembro, em comparação com todo o ano de 2010.

Relativamente ao movimento marítimo de passageiros entre a Horta e as restantes ilhas, verificou-se que até Setembro de 2010, já haviam sido ultrapassados os 311 360 passageiros referentes a todo o ano de 2009.

Constatamos, igualmente, um acréscimo na divulgação das ilhas, feita no exterior pelos OCS e através da Internet. É um aspecto crucial para a viabilidade e sustentação da actividade em questão, tornando o arquipélago dos Açores num novo e atractivo destino turístico, face às suas características, existindo uma conjuntura internacional que incentiva a procura de novos locais de lazer.

No caso particular da ilha do Faial, verificamos também uma evolução da actividade turística. Por um lado, surgem investimentos nas infra-estruturas, nomeadamente na área do turismo rural. Outra vertente turística, em fase de crescente desenvolvimento face às condições excepcionais da ilha, está associada à exploração do nosso mar, designadamente a actividade de observação de cetáceos que muito mais tem para oferta. É visível o surgimento de um número, cada vez maior, de turistas que visitam a nossa ilha, com vários objectivos, entre eles, o de obterem imagens fantásticas dos cetáceos que cruzam o nosso mar.

É óbvio o potencial turístico da Região, sendo por demais evidente a escassez de iniciativas em algumas das nossas ilhas que, apesar das suas características excepcionais, não possuem os investimentos necessários para o desenvolvimento da actividade. Não se pretende tornar os Açores num destino semelhante à Madeira em que a “selva de betão” tende a crescer, mas sim proporcionar recantos de lazer, calmos e intimamente ligados às belezas naturais existentes.

Por isso mesmo, é necessário reconhecer e engrandecer, a visão e o trabalho que tem sido feito nos Açores nos últimos anos pelos seus governantes, na área do Turismo.

Ler mais
  • Anterior
  • 37
  • 38
  • 39
  • 40
  • 41
  • 42
  • 43
  • 44
  • 45
  • 46
  • Seguinte
  • Fim
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Desporto