Tribuna das Ilhas

Infinity 8
  • Início
  • Local
  • Triângulo
  • Regional
  • Desporto
  • Cultura
  • Política
  • Opinião
  • Cartoons
Últimas :
Investimento privado no Faial – realidade ou utopia?
Educação - Escola Secundária Manuel de Arriaga ocupa o 496.º lugar do ranking a nível nacional
Eleições - Carla Dâmaso assume a presidência do OMA
Agricultura - Trybio organiza cursos de instalação de pomares e de poda de fruteiras no Faial
BTT – ESMA ATIVA Primeiro encontro de BTT da ESMA junta professores e alunos
“Eco Freguesia, freguesia limpa” - Candidaturas ao programa abertas até 15 de março
Saúde - Hospital da Horta assina protocolo com Câmara Municipal da Madalena para criação de Unidade de Hemodiálise
Efeméride - Azores Trail Run® regista 4000 inscritos em 5 anos
Faial - Governo Regional assina contrato para reabilitar Solar e Ermida de São Lourenço
  • Início
  • Desporto
  • Susana Garcia
Susana Garcia

Susana Garcia

19
novembro

Sistemas de Incentivos

Publicado em Parque Natural do Faial
Sê o primeiro a comentar

 Tendo-me proposto escrever sobre fatos económicos dos Açores e posicionar nesse contexto a ilha do Faial, não poderia deixar de fora um tema de suma importância que é o sistema de incentivos, falar sobre para que se destinam, quais os objectivos que estão na base da sua criação, as suas virtudes como alavancas à nossa economia, mas também apontando o dedo a situações anómalas que vêm introduzir num sistema económico que, em princípio, não deveria ter este elemento.

Duma forma básica, os sistemas de incentivos surgem na sequência da nossa adesão à União Europeia (então Comunidade Económica Europeia), em que esta permite, para efeito de correcção de assimetrias de riqueza entre as regiões da comunidade, a entrega de fundos aos agentes económicos (públicos e privados) para que invistam no sentido de criar riqueza e para que a partir desta haja uma convergência de rendimento, com o objectivo de os níveis dos europeus serem semelhantes em todo o seu território.

Do ponto de vista técnico, os sistemas de incentivos são divididos em dois grandes grupos, os subsídios à exploração e os subsídios ao investimento.

Os subsídios à exploração são “ajudas” dadas ao rendimento dos agentes com o objectivo de os incentivar a continuarem determinada atividade económica, a qual seria inviável sem estes subsídios.

Os subsídios ao investimento são geralmente atribuídos como forma de incentivo ao agente económico, mediante a aquisição ou construção de infraestruturas ou equipamentos.

Quer para uns quer para os outros existem prós e contras, assim como defensores e quem se opõe e as questões que são levantadas não deixam de ser pertinentes.

Relativamente aos subsídios à exploração, para além da vantagem evidente de se conseguir que determinada atividade produza e do preço a que o produto vem ao mercado, uma vez que, disponibilizado para consumirmos, deve ter um preço mais social, na cadeia de valor todos beneficiam, seja produtor, seja consumidor.

Os oponentes afirmam que este tipo de incentivos pode subverter o sistema, tornar a produção mais preguiçosa, menos preocupada com a produtividade, pois está assegurado o rendimento. Outra crítica feita tem a ver com a duração do mesmo, se é permanente, a atividade económica não tende a evoluir e numa situação de crise em que os recursos são mais escassos não se preparou a autonomia do setor produtivo em causa.

Para os Açores os subsídios à exploração mais conhecidos resultam da política agrícola comum, através da qual milhões de euros de Bruxelas e a respetiva componente regional são transferidos para os nossos agricultores.

Verifica-se que o setor primário regional ocupa ativos humanos acima da média europeia, o seu peso no rendimento interno da Região é considerável e por isso importante, é transversal a todas as ilhas e cujo trabalho árduo permitiu e permite que os Açores sejam as maravilhas da natureza que são.

Ora, sabendo que existem poucas saídas económicas para estas ilhas no meio do Atlântico, não faz sentido que este tipo de apoio não seja concedido, caso contrário milhares de explorações agrícolas não seriam viáveis.

Há quem critique o modelo da monocultura da vaca, que inclusive é ambientalmente agressivo e que, não sendo rentável, não deveria ter estes milhões de apoio.

Mas uma coisa é certa, com estes apoios a exploração pode ter os pontos fracos que tem, mas pelo menos sabemos como vivemos e quão importante é ter uma base económica do setor agropecuario com esta produção e nível de emprego e que a perda deste rendimento terá consequências gravíssimas para todos nós, com impactos brutais em todos os outros setores económicos.

Como se pode depreender, este tema é apaixonante e transversal a todos os setores económicos, por isso merece ser desenvolvido nas outras vertentes, nomeadamente os incentivos ao investimento e a estratégia atual, sem esquecer como o Faial se deve comportar para ter aquilo a que tem direito, sabendo que se não for pró-ativo a convergência com os rendimentos europeus será uma miragem e uma oportunidade única que se perderá.

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ler mais
19
novembro

O Naufrágio No Lajedo Do Navio “Slavonia” (II)

Publicado em José Trigueiro
Sê o primeiro a comentar

FACTO HISTÓRICO DAS FLORES

Norberto Trigueiro, que se serviu sobretudo da imprensa faialense e baseado em várias fontes que obteve, entre as quais no jornal “O Telégrafo”, da Horta, refere que o “Slavonia” desenvolvia uma velocidade de 17 milhas por hora e media 166,30 metros de comprimento por 19,47 de largura e 7,26 de pontal. Refere também que o navio transportava 500 toneladas de cobre, l000 barris de óleo de máquina, vários automóveis, debulhadoras de trigo, máquinas de escrever, açúcar, farinha, café, algodão e carga em geral. No Lajedo ainda chegaram a existir folhas grandes de cobre que ele trazia.

O referido navio, que fora lançado ao mar em 15 de Novembro de 1902 e dado por concluído no ano seguinte, era um dos maiores e mais luxuosos paquetes de passageiros e carga do seu tempo. Construído em Inglaterra, como atrás referimos, quando foi baptizado chamava-se “Yamuna” e veio a pertencer à empresa armadora British Indian Steam Navigation Ltd, viajando de início sobretudo para a Índia. Mais tarde foi adquirido pela empresa inglesa Cunard Steam Ship Co. Ltd., mais conhecida por Cunard Line, e era comandado pelo Capitão Artur Dunning. Viajava então entre a Europa e os EUA, como atrás referimos. Tinha a arqueação bruta de 10 606 toneladas, 168 metros de comprimento, 19 de boca e 7 de pontal. Tinha dois hélices e duas máquinas a vapor alimentadas por 6 caldeiras com 18 fornadas que lhe conferiam a velocidade de 13 nós como refere Alexandre Monteiro. A sua 1.ª classe tinha capacidade para cerca de 100 passageiros, enquanto que a 3.ª classe era destinada a cerca de 1000 passageiros, de condições económicas mais modestas, conforme remodelação feita pela empresa Cunard.

 Apesar das características do navio divergiram de autor para autor ou de fonte para fonte, os principais elementos definidores das mesmas coincidem no essencial.

Deste modo, para que se possa avaliar melhor a grandeza dimensional do paquete “Slavonia”, registamos a seguir os elementos característicos do paquete “Carvalho Araújo”, da EIN – Empresa Insulana de Navegação, que muitos de nós conhecemos a escalar as ilhas dos Açores, durante cerca de 40 anos. Construído em Itália de propósito para viajar entre Lisboa, Madeira e os Açores, iniciou viagens em Maio de 1930 e navegou até à década de 1970. Fora idealizado quase trinta anos depois do “Slavonia” e tinha a arqueação bruta de 4 560 toneladas, o comprimento de 112,8 metros, de boca 15,3 metros e lotação para 254 passageiros (78 de 1.ª classe, 78 de 2.ª e 98 de 3.ª), podendo ainda embarcar nos camarotes e nas cobertas 100 passageiros de 3.ª classe.

Proveniente de Nova Iorque, onde embarcaram 100 passageiros de 1.ª classe, 272 passageiros de 3.ª classe e carga diversa, como referiu na primeira parte Norberto Trigueiro, o “Slavonia” viajava com 225 tripulantes para Liverpool, Inglaterra, passando junto das Flores de Oeste para Leste. Havia passageiros de diversas nacionalidades, sobretudo de origem italiana, estes eram gente pobre e simples, que ocupava essencialmente a 3.ª classe. A pedido dos passageiros de 1.ª classe – quase todos turistas americanos que vinham a passeio à Europa – o navio passaria, portanto, pelo arquipélago dos Açores para que pudessem ver algumas ilhas açorianas.

2. Baixa Rasa no Lajedo

Quando o navio se aproximava da ilha das Flores, havia nevoeiro e uma chuvinha miudinha. O Farol das Lajes das Flores, cuja construção se havia iniciado há mais de 10 anos, apesar de já estar praticamente concluído, ainda não funcionava. Possivelmente faltava-lhe a lanterna, refere Alexandre Monteiro, como já acontecera com o dos Capelinhos, no Faial.  

 Assim, embora navegando já nas costas da ilha, do navio nada se vislumbrava dela. Para além disso, no tempo ainda não existia radar a bordo que lhe desse informações sobre a sua proximidade.

Assim, o seu fatal naufrágio nas costas da freguesia do Lajedo das Flores deu-se pelas 3 horas da madrugada do dia 10 de Junho de 1909 (no relatório da Guarda-Fiscal consta que foi no dia 9, talvez referindo-se à noite desse dia), na Baixa Rasa. O barco meteu-se inadvertidamente entre a terra e a Baixa Rasa, bateu-lhe por dentro e, fazendo-lhe desapegar um grande calhau, fez ricochete para a esquerda, passando entre a baixa e a ilha, foi dar com a proa na falésia, ficando com a popa junto da baixa.

A aproximação à ilha das Flores, fora decidida no dia 8 e fazia-se com bom tempo, embora com nevoeiro a partir das 20 horas do dia 9, já próximo da ilha. Apesar dos apitos contínuos – habituais nessas situações climatéricas – e do redobrado cuidado dos oficiais de bordo, a vida dos passageiros decorria normalmente, havendo nessa noite, tal como nas anteriores, baile no salão de 1.ª classe, onde damas e cavalheiros, ostentando os seus melhores trajes, se divertiam.

O Comandante do navio, que 20 minutos antes estivera a consultar a carta e a calcular a rota, estava na ponte de comando a dar orientações, quando, com grande estrondo, o “Slavonia” bateu na baixa e ali fica encalhado com um grande rombo no casco. Eram precisamente 3 horas da madrugada.

 Seguiram-se momentos de verdadeiro pânico a bordo, enquanto que em terra a população do Lajedo, freguesia pertencente ao concelho das Lajes das Flores, alarmada pelo estrondo que ouvira e pelo apitar contínuo da sereia do navio, acordou e saiu para as ruas para tentar compreender o que se estava a passar.

Dirigindo-se rapidamente às proximidades da rocha do mar donde viera aquele estrondo, quando essa população viu o navio acidentado ainda plenamente iluminado, depressa se apressou para tentar socorrer os náufragos. Como não havia comunicações telefónicas, usou-se o habitual mensageiro que se deslocou às Vilas para comunicar às autoridades da ilha a respectiva notícia.

Numa freguesia e numa ilha completamente escura – ainda a largos anos da energia eléctrica, que só chegou à Vila de Lajes das Flores por volta de 1937/38 – era brilhante o espectáculo que o navio, totalmente iluminado, apresentava, não obstante o drama que podia estar ali subjacente e cujo grau de gravidade era ainda desconhecido.

                                                                                                (Continua)

BIBLIOGRAFIA: Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História)”, (2003, pp. 423 e 445, 2.ª edição da Câmara Municipal de Lajes das Flores; Trigueiro, Norberto, artigo publicado no jornal “Correio da Horta”, Horta, de 22-10-1960; Martins, Félix, artigo no jornal “As Flores”, Santa Cruz das Flores, de 21-06-2001; Freitas, Álvaro Monteiro de, artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de Lajes das Flores, de 10-12-1991; Monteiro, Alexandre, “O Naufrágio do Paquete ‘Slavonia’  (Ilha das Flores, 1909)”, (2009), Internet; Correia, Luís Miguel, “Paquetes Portugueses”,  pp. 83 e  215, 1992,  Edições INAPA, de Lisboa; Antunes, 1.ª Sargento Domingos (presumido autor), “Esboço Histórico da Guarda Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo (1885-1985)”;  jornal “O Telégrafo”, de 19-06-1909; jornal “O Faialense” de 27-7-1909; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Retalhos das Flores - Factos Históricos”, 2003, pp. 27-34, Ed. da Câmara Municipal de Lajes das Flores.

 

Ler mais
12
novembro

Caça ao cidadão!

Publicado em Fernando Guerra
Sê o primeiro a comentar

Temos vindo a assistir na comunicação social, por parte de protagonistas do costume, a uma injustiça pública, digna dos tempos da outra “senhora”, a tal ponto que chego a pensar se precisamos duma “IV República” que ponha ordem neste tipo de situações.

Refiro-me aos ataques públicos e persecutórios de que tem sido alvo, nos últimos tempos, o actual presidente da Câmara do Comercio e Indústria da Horta (C.C.I.H.) e a sua direcção.

Quando começamos a tentar perceber o porquê desta situação, várias são as questões com que nos defrontamos:

-  Será por terem sido democraticamente eleitos, pelos seus pares, numa instituição da nossa terra, como a C.C.I.H?

-  Será por terem sido a única lista presente ao acto eleitoral da C.C.I.H., sem necessitar de votos por correspondência?

- Será por estarem a exercer funções, de forma apartidária, ao contrário da anterior direcção que foi instrumentalizada politicamente?

- Será por estar a arrumar a casa no interior da C.C.I.H?

-  Será que é por reconhecerem que uma instituição como a CCIH, deve assumir os seus compromissos financeiros?

- Será por estarem ao serviço dos associados da CCIH, não se demitindo em véspera de eleições autárquicas?

-  Será pelo seu presidente ter integrado a lista à Assembleia Municipal de um partido político?

- Será pelo facto de pela primeira vez o presidente da CCIH, ter sido eleito

 Presidente do Conselho de Ilha ?        

- Será pelo seu presidente, ter sido o 2º subscritor do abaixo-assinado contra as plataformas logísticas, incluídas no PROTA?

-  Será pelo seu presidente ter cometido um lapso, no envio de um parecer, corrigido logo que detectado, o que poderia ter acontecido a qualquer um?

- Será por estarem a fazer um trabalho meritório na formação do tecido empresarial da ilha do Faial?

- Será por dedicarem o seu tempo livre à CCIH, em defesa dos nossos comerciantes?

- Será por simples inveja, apesar de exercerem funções a título gratuito?

 A critica pela critica não é, certamente, uma forma construtiva de abordagem deste e de outros assuntos, sendo lamentável que, na ausência de investigação, sejam emitidas opiniões 'publicadas',  sem o devido suporte e fundamentação.

 Obviamente que, numa terra como a nossa, onde por vezes parece que a “não verdade” tem facilidade em proliferar, quando as pessoas que a podem travar, nada fazem para  isso, aparecem as injustiças que degeneram nos ‘ataques’ sucessivos, de que tem sido alvo a C.C.I.H.

Neste contexto há um motivo comum, que  nos parece por demais evidente e preocupante. O facto de o presidente da CCIH, ter integrado a lista da Assembleia Municipal da Partido Socialista! Este argumento constitui o elemento agregador das diferentes opiniões que, em sede de “praça pública”, têm surgido sobre este assunto, na sua generalidade assumidas por protagonistas que mais tarde são abandonados por quem, nestes casos, estão a dar cara.

 A confirmar-se esta situação, inaceitável, estamos na presença de um total desrespeito pela livre participação cívica das pessoas, num acto de perseguição pública e politica que, obviamente, qualquer cidadão idóneo e responsável só pode repudiar com todas as suas forças.

Ao cidadão presidente da CCIH e à sua direcção, aproveito este momento, para publicamente deixar aqui, apesar das suas (nossas) imperfeições, a admiração e reconhecimento pelo serviço desinteressado prestado à nossa comunidade e que a devido tempo, estou certo, não deixará de ser registado, de forma positiva.

Ler mais
05
novembro

O Naufrágio No Lajedo Do Navio “Slavonia” (I)

Publicado em José Trigueiro
Sê o primeiro a comentar

 FACTO HISTÓRICO DAS FLORES
1.     Antecedentes históricos do navio

Quando o navio inglês “Slavonia” encalhou nas costas marítima do Lajedo, ilha das Flores, em 10 de Junho de 1909, era quase uma novidade para os florentinos, por diversos motivos. Pela sua dimensão, pelo seu modernismo, e, sobretudo, por se encontrar plenamente iluminado com electricidade e, ainda, por já possuir radiotelegrafia própria. Apesar dos vários transatlânticos que por ali passavam diariamente, embora a distâncias variáveis, não havia na ilha frequentes contactos com eles, contrariamente ao que acontecera com a navegação à vela. Esta precisava do apoio que a ilha lhe podia oferecer.  

No início do século XX, poucos eram ainda os grandes paquetes com máquinas a vapor que transitavam pelos mares dos Açores. Nesse tempo ainda havia muito transatlântico à vela. Por exemplo em 1915 a barca francesa “Bidart”, destinada essencialmente ao transporte de cargas, que encalhou nos baixios da Fajã Grande, embora com casco de ferro, era totalmente à vela. Aí faleceram 8 dos seus 23 tripulantes, mas os restantes 15 salvaram-se do mar revolto com a ajuda dos fajãgrandenses e seguiram para o seu destino poucos dias depois.         

            O “Slavonia” havia sido construído em 1902 nos estaleiros ingleses da James Laing, em Sundertand, e fora baptizado com o nome de “Yamuna”, tendo ficado concluído em 1903. Destinou-se inicialmente ao transporte entre a Inglaterra e a Índia. Depois de vendido à empresa armadora Cunard Steam Ship Co. Ltd foi remodelado e passou a fazer viagens entre Liverpool e Nova Iorque, transportando essencialmente emigrantes endinheirados, tendo então mudado de nome para “Slavonia”. 

 Como já muito se escreveu sobre o naufrágio do “Slavonia” é, essencialmente, como base nesses autores, com a devida deferência, que elaborei esta história, apesar de, como florentino, ter bastantes conhecimentos sobre o mesmo.

Alexandre Monteiro escreve que “Foram os passageiros de primeira classe os responsáveis pela tragédia”. “Apercebendo-se que a rota do paquete os levaria a passar a 160 quilómetros a norte da ilha do Corvo, alguns dos passageiros fizeram chegar ao comandante Athur Dunning um pedido escrito para que este alterasse a rota de maneira a que pudessem observar bem as ilhas dos Açores”.

 Como estamos a escrever essencialmente para açorianos, interessa voltar a evidenciar esse naufrágio com algum pormenor, uma vez que durante alguns anos a sua desventura foi tema importante para a navegação e para as pessoas que conheceram a dimensão da sua tragédia. Efectivamente, o “Slavonia” constituiu, na memória colectiva das gentes destas ilhas, designadamente na ilha das Flores, tema de conversas e de recordações que ainda perduram com algum significado, embora todos os passageiros e tripulantes se tenham salvo. Embora já tenham ocorrido outros naufrágios na ilha das Flores, com elevadas projecções, nenhum terá atingido a dimensão publicitária que este teve.

Durante vários anos, os barcos da empresa armadora Cunard Line quando passavam nas proximidades do local onde ocorreu o naufrágio, vinham ali prestar homenagem ao Lajedo, à ilha das Flores e, certamente, para demonstrar o local onde terminaram as viagens daquele importante paquete. Às vezes navegavam muito próximo, outras paravam alguns minutos. Frequentemente ouvia-se música a bordo. Em criança o lajedense Monsenhor Dr. Francisco Caetano Tomás presenciou esses factos bastantes vezes, sobretudo até à década de 1930, contou-me ele.  

Assim, em face do elevado significado histórico que o mesmo teve para aquela freguesia do Lajedo, a sua memória perpetuou-se nela por várias gerações, acontecendo quase o mesmo junto da restante população da ilha. Por outro lado, a “Baixa Rasa” onde o navio bateu continua visível aos olhares de todos, nomeadamente aos que se debruçam ou se abeiram da rocha do mar nas imediações do Lajedo. Ela é mesmo visível da estrada e ninguém a vê que não se lembre do naufrágio do “Slavonia”, pelas diversas razões que o envolveu, como a seguir veremos.

O primeiro trabalho histórico publicado nos Açores sobre o referido naufrágio, para além das notícias da época, terá sido o que Norberto Trigueiro publicou no jornal “Correio da Horta” de 22-10-1960. Álvaro Monteiro de Freitas, cabo-de-mar em Lajes das Flores, em 10-12-1991, também publicou no “Jornal do Ocidente”, dessa vila, um trabalho sobre o mesmo acidente. Alguns anos depois, Félix Martins, no jornal “As Flores”, de 21-06-2001, terá feito o trabalho histórico mais completo que até então analisámos, sobretudo relativamente às características históricas e técnicas do navio, bem como à rota e navegação por ele seguida. Mais recentemente, obtivemos um excelente artigo de Alexandre Monteiro intitulado “O naufrágio do paquete Slavonia (Ilha das Flores, 1909)” inserido na Internet, que nos foi remetido pelo nosso prezado amigo Sr. Gustavo Moura, da cidade de Ponta Delgada, ilustrado com várias fotografias, que já tivéramos oportunidade de observar há anos atrás. Estavam expostas com outras nas paredes da casa da senhora Floripes Rodrigues, lajedense já falecida, que se orgulhava do pai ter colaborado no salvamento dos náufragos do “Slavonia”. Autorizou-me a fotografá-las, mas as fotos perderam-se na revelação. A estes trabalhos históricos juntamos ainda um relatório intitulado “Esboço da Guarda-Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo” – cuja autoria é atribuída ao 1º. Sargento Domingos Antunes – baseado nos relatórios elaborados pelos seus antigos colegas que fiscalizaram o naufrágio.

Embora algumas dessas fontes históricas sejam comuns, não há uniformidade plena nos elementos que caracterizam o navio, nem sobre os factos que se referem à viagem e ao naufrágio. Todavia, na generalidade há coincidência.

Sem pretendermos analisar quem tem razão sobre este ou aquele pormenor do naufrágio, queremos apenas dar uma ideia genérica das leituras que fizemos, quer das notícias, quer dos trabalhos históricos que referimos. E, contrariamente ao que aconteceu com alguns daqueles autores, não entrevistámos nenhum florentino contemporâneo do naufrágio, como aconteceu, por exemplo, com Norberto Trigueiro e anos depois com Álvaro Monteiro de Freitas.                                                                                                                                                                                                                              (Continua)

________

 BIBLI: Gomes, Francisco António Nunes Pimentel, “A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História)”, (2003, pp. 423 e 445, 2.ª edição da Câmara Municipal de Lajes das Flores; Trigueiro, Norberto, artigo publicado no jornal “Correio da Horta”, Horta, de 22-10-1960; Martins, Félix, artigo no jornal “As Flores”, Santa Cruz das Flores, de 21-06-2001; Freitas, Álvaro Monteiro de, artigo publicado no “Jornal do Ocidente” de Lajes das Flores, de 10-12-1991; Monteiro, Alexandre, “O Naufrágio do Paquete ‘Slavonia’  (Ilha das Flores, 1909)”, (2009), Internet; Correia, Luís Miguel, “Paquetes Portugueses”,  pp. 83 e  215, 1992,  Edições INAPA, de Lisboa; Antunes, 1.ª Sargento Domingos (presumido autor), “Esboço Histórico da Guarda Fiscal das Ilhas das Flores e do Corvo (1885-1985)”;  jornal “O Telégrafo”, de 19-06-1909; jornal “O Faialense” de 27-7-1909; Trigueiro, José Arlindo Armas, “Retalhos das Flores - Factos Históricos”, 2003, pp. 27-34, Ed. da Câmara Municipal de Lajes das Flores.

 

 

Ler mais
05
novembro

Assuntos europeus II

Publicado em Parque Natural do Faial
Sê o primeiro a comentar

 Se, passados mais 24 anos de integração na União Europeia, as transferências da comunidade são fundamentais para o nosso desenvolvimento, fundamentais para a nossa convergência económica, fundamentais para a criação de emprego e aumento do nosso bem-estar, o relacionamento e o conhecimento das questões europeias tem forçosamente de aumentar.

As questões a debater em Bruxelas são muito mais importantes do que a vaidade e o protagonismo político. Os políticos convidam e pagam viagens a determinados representantes de associações para participarem em reuniões das regiões ultraperiféricas, que se limitam a sentar-se e muitas das vezes nem proferem uma declaração, ao contrário dos nossos políticos que lêem uma intervenção e saem quase idolatrados pelos convidados por terem falado.

Nada mais errado! As questões debatidas em Bruxelas, quer relativas à agricultura, às pescas, ao comércio e aos serviços são demasiado importantes para este folclore. Parece que os nossos eleitos têm medo do seu povo e dos seus representantes nestas áreas, medo de saberem de mais e, portanto, que os venham a confrontar, ou utilizam a desinformação destes para, caso algo corra menos bem, concretamente a atribuição de menos verbas para determinado setor, os culparem por não terem sido eles capazes de apresentarem soluções e projetos.

Quando se vê que nestas reuniões de Bruxelas os representantes das Canárias, da Martinica, da Reunião e até da Madeira têm intervenções reivindicativas e colocam questões aos directores europeus, mesmo estando lá os seus políticos, qual é a conclusão a que se chega? O trabalho de casa está feito e bem feito e os Açores estão atrás.

Mais ainda, de que serve ser presidente de organismos das ultraperiferias se depois os relatores das reuniões são normalmente canarinos que vão relatar, obviamente, as intervenções dos seus irmãos e as ausências de intervenções açorianas?

Há que mudar este estado de coisas senão não vamos lá! Há que desenvolver uma política efetiva e real participação e concertação entre o governo e as estruturas representativas da agricultura, pescas, indústria, comércio e serviços.

E aqui não pode entrar a questão de os governantes não “gostarem” deste ou daquele representante associativo, por ser de uma cor partidária diferente da sua, ou ser conotado por ser de outro quadrante político, ou ser alto ou magro. Trata-se de questões mais importantes, acima dessas questiúnculas, pelo que se deve reunir primeiro nos Açores e concertar estratégias e intervenções; só assim conseguiremos que nos relatórios a apresentar aos comissários europeus figurem as reivindicações dos Açorianos.

Estes grupos de trabalho permanente devem desenvolver a sua atividade em primeira instância nos Açores mas depois devem ter em Bruxelas um gabinete de apoio permanente, de modo a estarem atentos às preparações das reuniões e dos temas a serem debatidos, para estarem próximos dos relatores. Só assim seremos eficientes e eficazes, com mais gente nossa em Bruxelas, com mais transparência sobre os dossiers e mais preparação para os tempos que aí vêm.

A contratação de uma empresa estrangeira de lobby (defesa de interesses), pelo governo regional, em Bruxelas, é um passo mas não resolve as questões aqui colocadas, pois nunca estará em posse da informação nem poderá substituir a influência de quem sente na pele as dificuldades do dia a dia nestes setores.

Mais uma vez, o Faial não pode estar alheio a tudo isto, principalmente nas questões fundamentais para o seu desenvolvimento e não deve ficar de fora das negociações das novas perspectivas financeiras a partir de 2013. Para além dos setores económicos clássicos e a título de exemplo, no campo das acessibilidades deve ser feito um esforço para colocar na agenda regional, nacional e europeia a ampliação da pista do aeroporto da Horta e deve-se obstar à aplicação de eventuais fundos nas plataformas logísticas, que em muito nos prejudicariam, e até mesmo ao nível de Bruxelas dizer alto e bom som, escrever e assinar que estas não, obrigado!

Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ler mais
  • Anterior
  • 38
  • 39
  • 40
  • 41
  • 42
  • 43
  • 44
  • 45
  • 46
  • 47
  • Seguinte
  • Fim
  • Perdeu a senha?
  • Esqueceu-se do nome de utilizador?
  • Registe-se!
  • Contatos
  • Pesquisa
  • Assinatura
Copyright © Tribuna das Ilhas 2026 All rights reserved. Custom Design by Youjoomla.com
Desporto