Tribuna das Ilhas

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26
maio

Azores Trail tem conseguido apresentar o que de melhor o arquipélago tem

Escrito por Rui Pinho

Nos países mais industrializados o fenómeno de procura de desportos de natureza, a crescente fuga pontual para a origem selvagem e a constante pressão urbana das sociedades modernas é um já antigo ritual. Desde o século XIX, com a massiva migração das populações rurais para os grandes centros urbanos, que o rural se transformou em destino de retiro. 

A corrida em trilhos nasce em meados do século XX nos Estados Unidos, primeiro integrada em corridas históricas de cavalos, como a Hard Rock, e depois como forma de percorrer em competição os parques nacionais do centro e norte do País. Daí até aos desafios de centenas de km e de resistência às adversidades próprias deste desporto, e à atenção mediática que daí advém para todo um público citadino e habituado a todos os confortos, foi um salto natural de atração humana pelo teste aos limites e pela sua natureza. O trail é um regresso às origens. 
Os Açores, reserva da biosfera, um dos destinos mais impressionantes da Europa em termos paisagísticos aliam uma já considerável oferta hoteleira ao clima ameno todo o ano. O turismo de natureza é o que mais cresce em toda a Europa, e se atentarmos ao trabalho que os destinos de inverno como Andorra, Alpes ou Pirinéus têm concentrado nas suas provas de trail a fim de preencherem a sua capacidade hoteleira em época baixa - o verão -, podemos facilmente concluir que Portugal é um destino de todo o ano, e que os Açores são um dos mais variados em oferta para os praticantes de trail. 
Os europeus já olham para Portugal como destino no Inverno. Com uma permanente Primavera teremos de lhes saber oferecer programas suficientemente atrativos para que nos olhem sempre que procuram um destino quando os seus trilhos estão incomodamente carregados de neve. Os Açores e o Azores Trail têm conseguido diversificar a oferta e apresentar o que de melhor o arquipélago tem. Portugal e a Associação de Trail Running de Portugal agradecem e reconhecem todo esse esforço, integrando as suas provas nos diversos campeonatos nacionais e elegendo os Açores como palco da final da Taça de Portugal de Trail, para que todos possam desfrutar das condições únicas que oferecem a quem vos visita.
Rui Pinho                                                                         
Presidente  - ATRP - Associação de Trail Running de Portugal  
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26
maio

Atletas participam na TERTÚLIA – Azores Trail Run® - In Training

Escrito por SG
A organização do Azores Trail Run® promoveu no serão da passada sexta feira, dia 19 de maio, no Teatro Faialense uma tertúlia de antevisão ao maior evento de desportos de natureza nos Açores.
A tertúlia integra-se na quarta edição do Azores Trail Run® e pretendeu para além de juntar atletas numa troca de experiências, começar a envolver a população em torno desta prova que se revela de grande importância para o Faial e para os Açores, nomeadamente no que à promoção e captação do turismo diz respeito.
Foi mesmo sobre a importância e a logística de pôr de pé um evento como este que odiretor de prova, Mário Leal, direcionou a sua intervenção. 
Mário Leal, salientou que o sucesso do Azores Trail Run® depende em muito do envolvimento de todos os faialenses.
Já o fisioterapeuta Carlos Garcia da Clik Saúde e Bem Estar, baseou a sua intervenção na prevenção. Segundo Carlos Garcia os atletas faialenses estão muito mais despertos para a possibilidade decontraírem lesões e mostram-se mais preocupados em evitá-las, daí a pertinência do tema “Treinar também é prevenir”.
Por sua vez, o atleta do Clube Independente de Atletismo Ilha Azul (CIAIA), Carlos Garcia partilhou a sua experiência em provas de 100 kms. 
O atleta participou no final de abril, na Madeira, na prova rai-nhado Madeira Island Ultra Trail de 115kms.
O Azores  Trail Run®, organizado pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, é um evento desportivo de trail running, que vai percorrer os trilhos da ilha do Faial nos próximos dias 26 e 27 de maio, composto por seis provas: FamilyTrail (10Km), Trail dos 10 Vulcões (22Km), Trail das Baías (25Km), Trail Faial Costa a Costa (48Km), Trail Ilha Azul (70Km) e a Rota dos Baleeiros (126kms), a grande aposta da organização para este ano.
A quarta edição desta prova, conta com a presença de mais de 700 atletas, representando mais de 20 nacionalidades, decorre em pleno Parque Natural do Faial e conta com o apoio do Governo Regional dos Açores. 
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26
maio

Mário Leal, coordenador do evento e diretor das provas - “A chave do sucesso é sentirmos o Azores Trail Run® como nosso”

Escrito por SG
O Azores Trail Run® (ATR®) é uma prova de Trail Running organizada pelo Clube Independente de Atletismo Ilha Azul, que se realiza no Faial desde 2014.
Com apenas quatro anos, o ATR® apresenta-se já como o evento de desporto de natureza mais expressivo da Região, que traz à ilha do Faial centenas de atletas vindos dos quatro cantos do mundo.
Desde a sua primeira edição que o número de inscritos mais do que triplicou, aumentando também o número de nacionalidades presentes, o que mostra a forte internacionalização que a prova tem atingido, já tendo passado pelo evento mais de 40 nacionalidades de atletas.
Considerado já uma das provas mais importantes do calendário nacional de trail running, o ATR® conseguiu também colocar os Açores no mapa mundial do trail running, sendo bastante referenciado internacionalmente.
O Parque Natural do Faial volta a receber amanhã mais uma edição deste evento, desta vez com cerca de 700 atletas esperados nas linhas de partida das várias provas, vindos de 23 países diferentes. 
Em vésperas do arranque da prova, Tribuna das Ilhas esteve à conversa com Mário Leal, coordenador do evento e diretor das provas que o compõem e um dos impulsionadores da modalidade no Faial 
e no arquipélago, sendo considerado  como o “pai do Trail”. 

Tribuna das Ilhas - Como nasceu e porque decidiram criar o Azores Trail Run®?

Mário Leal - O ATR® começa efetivamente sem se chamar Azores Trail Run®, em 2011, quando começo a falar de trail no Jardim Botânico do Faial, com o João Melo e com outros funcionários. Começo a falar da corrida em trilhos e a mostrar imagens e videos de paisagens de pessoas a correr. Lembro-me de dizer que tínhamos paisagens até melhores do que aquelas, e que podía-mos estar perante uma atividade interessante. No início de 2012, com a comemoração dos 40 anos da reserva natural da Caldeira e da Montanha do Pico, o Parque Natural do Faial (PNF) faz uma corrida no Trilho dos 10 Vulcões, recentemente criado, já com a designação de trail, com poucos participantes em que se faz a corrida entre a Caldeira e o Vulcão dos Capelinhos, que hoje em dia tem um traçado diferente. 

Em 2013 voltou-se a organizar o evento, ainda com poucos participantes e a partir daí começa-se a ver também mais pessoas a usar os trilhos para correr. Em 2014, também em conversas informais, pensa-se em fazer algo com uma dimensão maior para atrair pessoas do exterior. Pensámos organizar algo quase como uma aventura, uma expedição. Eu tinha pessoas conhecidas que corriam e começámos a apercebermo-nos que o ideal seria promover uma prova de maior dimensão e para um público alvo exterior à ilha, um evento maior. Come-çámos a trabalhar no final de 2013, início de 2014 e rapidamente tínhamos todos os ingredientes. Registámos a marca Azores Trail Run®, pedimos apoio ao Turismo e decidimos fazer uma apresentação pública do evento no mês de fevereiro. Já tínhamos algumas pessoas com interesse em vir co-nhecer os Açores mas não estávamos à espera de ter muitos inscritos até porque as viagens eram caras e as organização desconhecida. Nessa primeira edição o evento, era composto por duas provas, o Trilho dos 10 Vulcões com 22km e o Faial Costa a Costa de 48km. Conseguimos reunir 200 participantes de 14 nacionalidades. Foi um sucesso. 

Dá-se então um forte impulso à atividade e começamos logo a pensar em repetir e em fazer melhorias nos trilhos e no próprio evento, e conseguimos alargá-lo ao Triângulo.

No entanto, o conjugar destes fatores que permitiram que este evento existisse começou muitos anos antes com cami-nhadas e descidas à Caldeira que eu fazia com o João Melo e  outros amigos. Por outro lado, penso que a minha formação base em geografia e ambiente ajuda muito a que se consiga ter os todos os ingre-dientes que as pessoas procuram quando cá vêm às provas e mesmo fora delas. 

TI -O ATR® começou no Faial mas já se estendeu ao Pico, São Jorge e Santa Maria. O que motivou a organização a levar o evento a ou-tras ilhas dos Açores?

ML - O evento do Triângulo, que é feito em outubro, fez-nos perceber que há espaço para haver mais provas, sobretudo em época baixa. Este evento surge no conceito dos eventos por etapas: vários dias a correr. São eventos muito procurados. 

Para termos ideia, existem eventos de 8 e mais dias, a nossa prova é de 3 dias. Este é um evento delineado para menos parti-cipantes por questões logísticas e de segurança, que traz uma promoção das ilhas durante mais dias, em que temos as bases (os trilhos), e o apoio da comunidade onde estão inseridos. 

Quando registámos a marca já era com ideia de sermos o “chapéu de chuva” de atividades em trilhos pedestres que sejam homologadas pela Região. Depois, o alargar a Santa Maria vem no mesmo sentido: aproveitar as potencialidades das ilhas mais periféricas em época muito baixa (fevereiro), aliando o facto de ter tri-lhos pedestres homologados à nossa convição de que, dentro do turismo de natureza, o trail tem um papel fundamental na divulgação e promoção ambiental e cultural da nossa Região. 

TI -Neste momento, o ATR® tenciona chegar a outras ilhas?

ML - É possível chegar a outras ilhas, mas neste momento estamos mais focados numa maior internacionalização; numa maior consolidação das provas que já existem e também em desenvolver outras valências no que diz respeito à fruição da natureza de forma ativa, nomeadamente os Centros de Trail, ou seja, criarmos marcações definitivas de trail nos trilhos que já são utilizados e em novos trilhos, criarmos infraestruturas para quem já faz trail poder deixar por exemplo, as chaves do carro, tomar duche, ter informação sobre o que pode fazer, criar marcações no terreno, criar sites, Apps e  até termos um controle do número de pessoas que estão a usar os trilhos e onde se posicionam.

Primeiro do que fazer outras provas, e uma vez que existem agências especia-lizadas em trail que começam a procurar os Açores e os nossos trilhos todo o ano, é preciso prepararmo-nos para este fenómeno. Sabemos que existem organizações interessadas em trazer grupos de 20, 30, 40 pessoas para correr no Faial, daí a importância de termos trilhos sinalizados e as infraestruturas preparadas, fora das  provas, para que possam essas mesmas organizações criar o seu próprio evento. 

Tenho conhecimento, por exemplo, de atletas húngaros, de elite, que já estiveram a treinar nos Açores este ano, bem como atletas do Japão e da Itália.  

TI - Apesar de não ter sinalética própria para trail Running os tri-lhos estão identificados e é muito fácil percorrê-los…

ML - Atualmente já temos um trilho sinalizado para trail. A rede de trilhos dos Açores está devidamente marcada para pedestrianismo, com sinalética própria que nem sempre é a ideal para corrida, porque se a pessoa não tiver a sinalética específica pode perder-se, daí a necessidade de criar centros com tri-lhos devidamente marcados. 

TI - Edição após edição o ATR® tem apresentado novas provas. Será que há a necessidade de alargar a oferta?

ML -A necessidade passa por atrair um leque mais abrangente de pessoas, sejam pessoas que vêm do exterior, sejam os próprios locais. Também a nível de horários de partidas e chegadas há várias condições a ter em conta, como seja o facto de haver pessoas que só conseguem chegar ao Faial na quinta-feira e outras que só conseguem chegar no sábado e assim conseguem todas participar no ATR®.

Ao nível das distâncias, e dos graus de dificuldade, importa perceber que existem pessoas que são capazes de correr uma Ultra Maratona mas que em maio, não querem correr uma prova tão longa. Assim podem cá vir e correr 40kms, 20 ou 25kms ou acompanham mesmo o amigo que vai correr os 120kms. 

No caso concreto deste ano, o facto de termos uma prova longa surge da necessidade de conseguir integrar o ca-lendário das provas longas mundiais. Está demons-trado que as pessoas deslocam-se para participar em corridas mais longe, quanto maior é a distância a correr, ou seja, a pessoa é capaz de vir da Austrália aos Açores correr 120kms, mas se for para correr 40kms já não vem… 

TI - Este ano o ATR® aposta numa prova de 126kms. A que se deve a sua criação e quais são as expetativas da organização?

ML -Nós fomos crescendo gradualmente. Queremos ter provas com qualidade e que atraiam as pessoas. A distância pode ser algo interessante mas não é primordial, tanto é que existem provas curtas que atraem milhares de pessoas. 

Criar uma prova longa numa ilha com a dimensão do Faial parecia-nos uma tarefa difícil, à primeira vista, e nós não queríamos criar uma prova longa só por criar. Podíamos fazer como no Havai, onde existe uma das provas mais famosas de trail do mundo, a HURT, com 162kms, em que as pessoas passam quatro vezes no mesmo local. Podíamos fazer algo deste género aqui, e conseguíamos, mas um trabalho de pesquisa, com muitos contatos com a população e amigos que gostam da modadildade, levou a perceber que temos trilhos capazes de criar uma prova com um traçado coerente, com mais de 100kms e que essa prova conseguia ter uma base sociocultural, histórica e ambiental, assim surge a Rota dos Baleeiros. 

No Faial existe um Roteiro Cultural do Património, dedicado à tradição baleeira, feito pela Direção Regional da Cultura e conseguimos ligar os pontos de interesse cultural desta rota através de trilhos. Já o fazíamos anteriormente, mas agora vamos torná-la mais completa. Nesta prova temos abastecimentos em impérios do Espírito Santo, o que acho interessante porque faz com que tenhamos as forças vivas das freguesias empenhadas em ajudar quer nas marcações dos trilhos, quer nos abastecimentos, quer no apoio aos atletas. 

TI - O ATR® tem tido uma preocupação em ligar o desporto à cultura e envolver a comunidade… Porquê?

ML - É essencial para o sucesso. Nós trabalhamos com um público que procura neste tipo de eventos uma grande va-riedade de emoções. 

Para atrairmos visitantes o percurso tem que lhes dizer alguma coisa. Temos as nossas paisagens mas isso só não chega. A parte sociocultural está sempre presente na filosofia de um desporto ativo de natureza, em que há uma forte relação entre o atleta, o turista e o espaço que ele está a visitar. 

TI –É isso que marca a diferença das provas realizadas pelo ATR®?

ML –Sim, o facto de ligarmos as questões culturais, históricas, sociais e ambientais ao desporto. É termos o cuidado das provas percorrerem trilhos pedestres homologados. Viemos, de uma forma única e pioneira, incorporar uma forte mais valia económica aos trilhos pedestres. As pessoas vêm propositadamente utilizar os trilhos para esta atividade quando, na maior parte das vezes, estes são uma oferta complementar turística. Neste caso, o turista vem devido aos trilhos pedestres e as outras atividades que são complementares.

TI -O que podem esperar os atletas que marcam presença neste evento?

ML- Podem esperar o que já vem sendo oferecido ao longo dos últimos anos. Temos atividades culturais, educacionais, palestras, informação aos atletas, relacionada com comportamentos despor-tivos... Temos o Trails in Motion, que é um festival de cinema internacional. Damos a cada um dos atletas um saco com produtos regionais que é muito atrativo mas que é para nós uma dificuldade, uma vez que não temos tecido empresarial que permita termos muitos apoios neste sentido.

Este ano temos uma parceria muito importante com a ANA, Aeropor-tos/Vinci, em que os atletas quando chegarem à ilha já estão no Trail. É o exemplo de uma empresa que percebeu as vantagens do trail e se associou a nós. 

TI - Que análise faz ao crescimento da prática deste desporto no Faial e mesmo nos Açores?

ML - Isto acompanha o crescimento do turismo. O trabalho que tem sido feito na divulgação da Região acompanha a          consciencialização cada vez maior por parte da sociedade para a saúde, bem estar físico e questões do ambiente. As pessoas cada vez mais querem conhecer o ambiente para o proteger, para um desenvolvimento sustentável, e isso é um fenómeno que, nas sociedades desenvolvidas, está em forte crescimento. Os Açores são mais um exemplo disso. Temos os ingredientes todos para uma atividade que é atual e contemporânea: a saúde, o bem estar pessoal e social e a qualidade ambiental, são potenciadas através do desporto de natureza.

TI -Tem consciência do impacto económico e financeiro que este evento traz à economia do Faial? A organização do ATR® faz algum tipo de inquérito aos concorrentes?

Nós não temos dados concretos. Temos feito inquéritos mas é fácil percepcionar que temos aviões completamente cheios, assim como a hotelaria. Há pessoas que vem de muito longe, de outros continentes, e que chegam pela ilha São Jorge, de barco, às 23:00 de sexta-feira, ou seja, com muita vontade de cá chegar. 

Procuramos adquirir tudo o que necessitamos para o evento no mercado local. Ao longo de todo o ano as pessoas que vivem cá, treinam cá, as pessoas que vêm cá em trabalho e treinam na ilha, as pessoas que vêm cá de férias e usam os nossos trilhos, dinamizam a nossa economia.

O fator promocional e o impacto que tem, é muito difícil de quantificar. O Faial tem uma projeção enorme. O ATR® tem a página Facebook com grande visibilidade a nível regional, temos a maior página de seguidores de trail do país... Isso colocou o Faial no mundo e tem um impacto muito grande. 

Os atletas ficam aqui em média de 3 a 5 dias. Há uma forte vontade por parte das pessoas de cá voltar e conhecer a ilha. Naqueles dias vamos aos cafés e estão cheios, os restaurantes estão igualmente cheios. As ruas estão cheias de atletas e acompanhantes, os alojamentos locais não tem mãos a medir, ou seja, é um impacto muito significativo. Se tivermos em linha de conta que mais de 500 atletas são de fora dos Açores o impacto é enorme. Há atletas que chegam uma semana antes.

TI - Em apenas quatro edições o ATR® já conseguiu o reconhecimento nacional ao integrar os circuitos oficiais da Associação de Trail Running de Portugal. Que mais espera ainda conseguir? É possível aspirar à integração nos circuitos mundiais?

É muito importante ter provas nos circuitos mundiais, importa ter provas em que a procura por lugares na linha de partida excede fortemente a oferta. É assim que se mede o sucesso das provas de trail. Ter uma procura maior que a oferta de lugares disponíveis. Queremos integrar as nossas provas em circuitos mundiais de renome e é para isso que estamos a traba-lhar. 

Já temos as nossas provas a pontuar para o UTMB (Ultra Trail du Mont-Blanc), somos associados da Associação Interna-cional de Trail Run (ITRA), neste momento acabei de ser eleito representante dos organizadores a nível nacional junto da ITRA, e inclusive já vamos ter uma prova a pertencer ao circuito mundial de Skyrunning.

Para integrar qualquer circuito mundial é necessário pagar taxas elevadas e para isso temos de fazer crescer bastante o nosso orçamento, e consequentemente os nossos apoios. 

TI - Falando um pouco de logística, como se de pé uma prova com esta dimensão?

ML - É algo gigantesco… Muitas vezes é difícil de transmitir. São dezenas de pessoas envolvidas. O trabalho que é feito em silêncio o ano todo, os milhares e milhares de kms que são feitos a pé e de carro para que tudo seja montado, o trabalho que é feito por todos os trabalhadores e operários de juntas de freguesia, Parque Natural, entre outros serviços governamentais para que tudo esteja conforme, é incrível.

No dia da prova é fácil perceber que temos marcados mais de 135 kms de tri-lhos, com fitas e refletores visíveis de uns para outros.

Para adquirir alguns dos produtos para os abastecimentos não há capacidade na ilha. Se tentarmos comprar tês mil bananas no Faial para o dia do Trail não conseguimos. São consumidas muitas toneladas de água, muitos quilos de favas fritas, batatas fritas, amendoins, coca cola, tomates, laranjas, bolos de fruta... Só para pôr isso tudo a mexer e estar tudo sincronizado do primeiro ao último atleta, temos que ter uma rede enorme de pessoas e trabalho. São milhares de mails, telefonemas, comunicações…

TI -Em relação à capacidade hoteleira da ilha, considera que há resposta às solicitações que surgem nesta altura?

ML - Com a tendência de crescimento do turismo que se tem vindo a verificar e com o aumento do numero de participantes no evento, temos algumas dificuldades a este nível. As marcações para o trail têm que ser feitas com cada vez maior antecedência. Agora, com o surgimento de muitos alojamentos locais, começa a verificar-se uma ajuda neste sentido mas o nosso problema principal são os transportes aéreos.

Os horários e o número de voos para estes dias têm que ser reforçados. Temos capacidade para alojar mais pessoas. Ao contrário do que se verifica em outras provas de trail, as pessoas ficam todas alojadas em hotéis ou alojamentos devidamente certificados. Não temos tido pessoas a dormir em pavilhões, juntas de freguesia ou algo deste género. As pessoas que cá vêm, vêm como turistas. Se ponderarmos pôr essas pessoas em Centros de Estágio ou algo do género, poderíamos ainda receber mais pessoas. 

TI - Em termos de acessibilidades e tendo em conta que nesta prova participam atletas vindos dos quatro cantos do mundo, como é fazer chegar os atletas ao Faial?

ML - Fazer chegar os atletas ao Faial de países europeus ou de outro local à excepção de Lisboa é muito difícil. Os atletas que vêm da Europa têm de obrigatoriamente de pernoitar uma noite em Lisboa ou em Ponta Delgada na vinda e no regresso. Muitos destes atletas não são profissionais, têm os seus empregos e deste modo perdem dias de trabalho. Para alguns atletas nacionais a situação é a mesma, por exemplo se vierem do Porto ou do Funchal.É difícil cá chegar. Além da dificuldade, os lugares nos voos esgotam. E muitas vezes temos cancelamentos devido a esse facto.

TI - Acha que essas situações desmotivam um pouco?

ML - Sim, completamente. A razão para virem à prova tem de ser muito forte. Aliás, nós temos um trabalho muito bem feito de divulgação e promoção para termos o número de atletas que temos . 

Temos um atleta do Japão. Numa simulação num motor de busca normal da internet, de Tóquio para o Faial a viagem custa 4400 euros. Uma viagem da Suíça para o Faial marcada numa agência de viagens custa 2700 euros. Tivemos viagens Lisboa/Horta a mais de 600 euros. É muito difícil, as pessoas estão a pagar um preço muito elevado e a perderem muito tempo na viagem, mas mesmo assim vêm. 

Nós estamos numa ilha dos Açores que, embora tenha voos diretos, é uma ilha periférica. Conseguimos ter pessoas que vêm nos voos inter-ilhas, através do Pico. A gateway do Pico é importante para trazer pessoas. Em relação aos voos inter-ilhas, encontram-se muito cheios com o tráfego local. Temos pessoas neste momento em lista de espera que fazem Porto/Terceira e não tem voo Terceira/Horta. O grosso das pessoas quer chegar cá na sexta e ir embora no domingo; a partida do voo de domingo também não é nada interessante para a economia local, pois  sai de manhã e as pessoas perdem o domingo, que poderia ser aproveitado para dar um passeio pela ilha . Portanto, se tivessemos um voo mais tardio  seria essencial para atletas e acompa-nhantes desfrutarem da ilha e deixarem dinheiro na economia local. 

TI -Acha que a SATA nessas alturas deveria reforçar os voos?

ML - Sim, acho que deveria reforçar os voos, e haver uma oferta da disponibilidade mais cedo. Estamos sempre em conversações com a SATA, que nos tem apoiado essencialmente no transporte de alguma carga, e esperamos que em 2018 exista mais articulação entre os voos e a procura que existe nesta altura. 

TI - O ATR®  também se faz um pouco através dos voluntários. Relativamente a esse assunto, como tudo se processa?

ML - Os voluntários são essenciais. Queremos ter cada vez mais voluntários. Ser voluntário não é só fazer parte da lista; ser voluntário é ser organização. Os voluntários não são só aqueles que estão no dia da prova pelos trilhos; são os que ajudam à divulgação, que dão informações, que no dia da prova são simpáticos com os atletas... Trata-se da ilha sentir isto como um evento seu e importante. 

Adoro ver os miúdos que vão para a escola com as nossas camisolas vestidas; as pessoas que vão de férias e estão a divulgar o trail e a ilha, ou seja, o voluntário é todo aquele que ajuda e divulga de uma forma ou outra esta prova.

Gostávamos de ter mais gente nos tri-lhos, a apoiar os atletas. Este é um evento que merece que se pare tudo neste dia e que tudo seja feito em prol e em direção ao evento. 

TI - A modalidade do Trail Run tem vindo a crescer na ilha. Considera que este crescimento se deve às provas do ATR®?

ML - Este crescimento deve-se essencialmente ao ATR® e ao facto das pessoas cada vez mais se preocuparem com a sua saúde e perceberem que através das atividades físicas podem melhorar bastante a sua qualidade de vida e autoestima. A corrida tem uma forte componente física e mental e sentimo-nos quando vamos fazer uma atividade na natureza. As pessoas percebem que isto é uma grande mais valia para o seu dia a dia. Hoje em dia as pessoas vão fazer uma prova ou treino de trail running à chuva, chegam a casa cheias de lama, mas chegam contentes e satisfeitas. 

Temos feito uma grande campanha na componente de saúde. As pessoas estão mais saudáveis. Algumas deixaram de fumar, passaram a dormir mais horas, entre outros aspetos… as pessoas são mais felizes. 

TI - O ATR® já se tornou num evento de referência. Esta prova desde o seu início injetou na economia faialense muitos milhares de euros, com restaurantes e hotéis lotados nestes dias. Sente que os faialenses reconhecem o este trabalho e dedicação?

ML - Penso que os faialenses se orgulham deste evento até porque têm quase todos, dentro da sua casa, alguém que corre ou que é voluntário ou está de algum modo ligado ao evento. 

Acho que o que ainda falta é manifestarmos este reconhecimento de forma ativa, saindo à rua, participando, oferecendo ajuda porque a organização precisa de ajuda de todos os tipos. Precisa que nos sejam feitas críticas, negativas e positivas, para que possamos refletir e perceber o que podemos fazer para melhorar .

TI - E o Governo Regional?

ML –Sim, o Governo dos Açores tem desde a primeira hora apoiado o evento com grande empenho e percebendo claramente que isto potencia aquilo que melhor temos, que é a nossa natureza, que deve ser vivida de uma forma ativa.

TI - Este evento tem sido apoiado pelas entidades locais e governamentais?

ML - O evento tem sido apoiado pela Câmara Municipal da Horta, pelo Governo Regional, que é o principal patrocinador, e tem sido apoiado, dentro das limitações da economia local, por algumas empresas locais. Tem condições para ser ainda mais apoiado, ou seja, a nível financeiro não temos tido grandes apoios além dos das entidades públicas. Mas, mais do que esses apoios, precisamos de apoio logístico, inteletual, com ideias, contributos. Dando um exemplo para me fazer explicar, quando temos uma gralha no nosso site é importante que nos digam. A organização é feita por voluntários, há muita coisa, muitos pormenores a pensar e todas as ajudas são bem vindas. É disto que precisamos. Se queremos ter as nossas provas nos circuitos mundiais e conhecidas mundialmente, precisamos de bastante mais apoio e permanente.

TI - Considera que existem condições e apoios para manter esta prova na ilha do Faial?

ML - Sim, a prova é no Faial. Nós temos um evento no Faial e dentro do evento temos provas e  estas provas só podem ser feitas no Faial. O Costa a Costa é na ilha do Faial, só podemos fazer a Rota dos Baleeiros no Faial, pois é aqui que temos este trilho. Mas podemos fazer outras provas em outras ilhas,  como é exemplo o Quilómetro Vertical na Ilha do Pico.

TI - Motiva-o as diversas solicitações que tem para organizar eventos semelhantes ao ATR na ilha de São Miguel?

ML - Sim, desde que cumpram determinados requisitos os eventos são semelhantes ao ATR®; são  eventos de desporto e natureza, nomeadamente trail ou outras atividades que permitem desfrutar da natureza. 

Com a chancela ATR® conseguimos ter uma oferta diversificada ao longo do ano: esta prova em maio, no Faial e com o Km vertical na ilha do Pico; a Triangle Adventure em outubro, nas ilhas do Pico, São Jorge e Faial; e o Columbus Trail, em fevereiro, em Santa Maria. São eventos ATR®, criados por nós. 

Existe muito potencial, mas devido à forte concorrência de eventos deste tipo em regiões também muito atrativas do ponto de vista do Turismo de Natureza, na minha opinião não faz sentido existirem eventos com o mesmo formato, com identidade semelhantes, inclusive com nomes muito semelhantes em datas muito próximas. Após o ATR®, têm aparecido eventos com distâncias iguais, com nomes semelhantes, praticamente nos mesmos dias. Penso que deve haver uma concertação entre diversas organizações e acho que é importante termos o Governo Regional mediar, nomeadamente ao nível da distribuição dos apoios, os diferentes eventos que existem nas diferentes ilhas. Não só o Governo Regional, também ao nível nacional a própria Associação Portuguesa de Trail Running deverá ter em atenção os calendários de forma a não conflituar umas provas com as outras.

A nível da região penso que se deve levar este tipo de eventos as ilhas mais periféricas e que têm maior dificuldade de acesso. Por exemplo, quando fizemos o evento em Santa Maria, foi possível criar uma dinâmica muito interessante na época baixado turismo. 

A nível mundial, com a multiplicidade de provas que existem considero que somos verdadeiros vencedores por termos tanto sucesso nesta prova, que decorre 15 dias depois da Transvulcânia, umas das maiores provas de trail nas Canárias, com milhares de participantes, com muita divulgação, patrocinada pela Salomon. No fim de semana da nossa prova decorre a principal prova mundial com uma distância de 42 Km. A prova tem mais de 8 mil candidatos a participar e só 500 conseguem dorsal. Nós conseguimos sobreviver a tudo isso, tendo atletas de renome na nossa prova. 

TI - Quer deixar alguma mensagem aos Faialenses?

ML - Apoiem a prova, promovam-na, partilhem informação e fotos dos eventos nas redes sociais, valorizem este evento é nosso, da nossa ilha e da nossa Região. Temos de nos orgulhar do que é nosso.              A chave do sucesso para termos evento com mais qualidade é sentirmos isto como algo muito importante, senão a prova acaba.

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26
maio

Encontros Filosóficos encerram… debaixo de água

Escrito por SG
Chegou ao fim o workshop de fotografia subaquática, que decorreu na nossa escola e na Escola Básica e Secundária da Madalena, sob a responsabilidade dos docen-tes Hugo Parente (ES Manuel de Arriaga) e Rui Fontes (EBS da Madalena). As atividades decorreram no Faial nos dias 15 e 16 e na Ilha do Pico a 18 e 19 deste mês. Foram quatro dias de experimentação fotográfica, dirigida pelos fotógrafos Filomena Sá Pinto, Miguel Louzeiro e Mário Pereira. Os nossos alunos puderam aprender os fundamentos da fotografia e experimentar essas aprendizagens em meio aquático. A satisfação e envolvimento demonstrado pelos participantes, perspetiva a per-tinência de continuarmosa promover novas práticas que desenvolvam competências consonantes com a nossa condição de açorianos e com as oportunidades que resultam dessa mesma condição. Du-rante a estadia no Faial, os fotógrafos que nos visitaram tiveram também a oportunidade de foto-grafar alguns locais e respetiva vida marinha da nossa orla cos-teira.Fica a promessa de brevemente apresentarmos o seu traba-lho.
Este workshop de fotografia subaquática, só foi possível devido à colaboração de várias empresas locais. 
O nosso agradecimento às empresas NobertoDiver, DiveA-zores, Central Sub, que ofereceram as saídas para o mar dos fotógrafos e cederam equipamento de mergulho para os alunos. Na Ilha do Pico o vestuário de mergulho foi cedido pela CW Azores (Pico). 
O Clube Naval disponibilizou uma embarcação para transportar todo o equipamento necessário entre as duas ilhas do canal. 
Imprescindível foi também o apoio da Câmara Municipal da Horta e da Câmara Municipal da Madalena, a quem endereçamos o nosso agradecimento.
Especial agradecimento aos três fotógrafos: Filomena Sá Pinto, Miguel Louzeiro e Mário Pereira, pela disponibilidade demonstrada e pela elevada qualidade pedagógica que demonstraram.
Encerram assim os XXIV Encontros Filosóficos, ficando já em perspetiva a edição do próximo ano, onde se comemorarão os seus 25 anos de existência.
26
maio

Faial encerra projeto “Um dia pela Vida”

Escrito por Susana Garcia
A cerimónia de encerramento do projeto Um Dia Pela Vida (UDPV), da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), envolveu a comunidade faialense numa festa que teve como palco o Parque de Exposições da Quinta de São Lourenço.
A festa teve início no sábado pela manhã com uma sessão de boas vindas que contou a presença da Coordenadora da Delegação do Faial do Núcleo Regional dos Açores (NRA) da LPCC, Cristina Abrantes, da Coodenadora Regional do Sul, Filipa Mendes, da Secretária-Geral do NRA da LPCC, Mónica Martins, e do Presidente da Câmara Municipal da Horta, José Leonardo Silva.
O evento desenrolou-se numa atmosfera de festa, que decorreu longo de vinte e quatro horas ininterruptas, que incluiu espetáculos, música e outras atividades, cujo momento alto foi a homenagem aos sobreviventes de cancro, que deram início à Volta dos Vencedores destacando-se ainda no encerramento das 24h, o desfile na Passadeira da Vida ao som do hino             oficial de “Um Dia Pela Vida – Faial”.
Segundo Bruna Leal, o projeto conseguiu durante dois meses, “motivar a população para a prevenção e angariação de fundos para esta causa”.
Agradecendo às equipas, e aos parceiros, a responsável local, afirmou que “sem a vossa colaboração, voluntariado, disponibilidade e empenho, não tinha sido possível assumir este compromisso”.
Também para Cristina Abrantes, a missão foi cumprida. “Um dos nossos objetivos era divulgar a LPCC, o NRA e a Delegação do Faial à comunidade faialense, desmistificar o conceito da doença cancro, alertar e sensibilizar para a importância da sua prevenção e homenagear os sobreviventes e relembrar os que partiram”, salientou.
A Coordenadora da Delegação do Faial, relembrou ainda para a importância das famílias, destacando que “a família ou pessoa significativa que é o pilar dos doentes oncológicos é quase sempre esquecida”. 
“Nós legisladores, organizadores, profissionais de saúde, voluntários, vizinhos não podemos esquecer de que quem cuida dos doentes oncológicos também precisa de cuidados e de proteção”, disse.
Já Filipa Mendes Coordenadora Regional do Projeto apelou à população para continuar a apoiar a Liga e esta causa. “Os voluntários são a força da Liga Contra o Cancro, portanto não abandonem a Liga agora quando acabar UDPV. Continuem a apoiar a vossa Delegação Local do Faial e o NRA, porque só juntos conseguiremos vencer esta doença”.
Esta Festa de Encerramento é o culminar de três meses de trabalho realizado por 22 equipas de voluntários envolvendo mais de 500 pessoas, incluindo participantes das equipas, comissão local e apoiantes que, ao longo deste período, promoveram várias atividades de angariações de fundos e diversas iniciativas de sensibilização para a prevenção da doença oncológica.
No Faial o projeto decorreu sobre o mote “Uma ilha unida – num abraço solidário”, e foi organizado pela Comissão Local do projeto UDPV, liderado por Bruna Leal, em parceria com a Câmara Municipal da Horta que para além da angariação de fundos, pretendeu acima de tudo, mudar a atitude da comunidade face à doença oncológica, educar e informar.
Este projecto UDPV surgiu nos EUA no âmbito do programa internacional da AmericanCancerSociety “Relay For Life”, na década de oitenta e em 2005, chegou a Portugal, altura em que a LPCC aderiu ao projeto.
Trata-se da 4.ª edição realizada nos Açores e a primeira a decorrer no Faial. 

 

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26
maio

O Farol da Ribeirinha vai ser reabilitado

Escrito por SG
O farol da Ribeirinha entrou em funcionamento em 1 de novembro de 1919. Localizado na ponta da freguesia com o mesmo nome é composto por uma torre de alvenaria, forrada de azulejo branco e de seção quadrada. Os compartimentos anexos, de um só pavimento, serviam para habitação dos faroleiros e depósitos de material. 
Ao longo de quase 100 anos de existência este farol foi afetado por várias crises sísmicas. Uma em 1973 que provocou danos na torre e nas suas habitações e outra em 8 de julho de 1998, que quase o destruiu, encontrando-se desde essa altura encerrado.
Este ex-libris da freguesia da Ribeirinha vê agora uma luz ao fundo do túnel no que à sua recuperação diz respeito. No passado dia 19 de maio, numa sessão pública que teve lugar no polivalente da Ribeirinha o Diretor Regional da Cultura, Nuno Ribeiro Lopes, apresentou uma proposta de intervenção para este farol. 
Segundo o Presidente da Junta, “a proposta surge na sequência de diligências desenvolvidas inicialmente pela Junta de Freguesia, com a colaboração de diversos parceiros, liderada posteriormente pela Direcção Regional da Cultura e visa requalificar a ruína consolidando primeiro o muro, e toda a estruturas e torre, instalando uma escada técnica e posteriormente um farolim automático e inclui ainda a construção de quatro módulos de museologia e a elaboração dos seus conteúdos”.
Para Paulo Castelo, o Farol da Ribeirinha “foi e continua a ser o Ex-libres da Freguesia”. Na ocasião, o autarca lembrou que este edifício “destacado por Vitorino Nemésio no seu livro emblemático “Mau tempo no Canal””, foi em tempos “um centro de convívio cultural da freguesia, um espaço de intercâmbio dos Ribeirinhenses com gentes de outras ilhas e mesmo do Continente”, que deixou “marcas sociais muito significativas no carácter das pessoas que vivem na Ribeirinha”. 
No entender do Presidente, “a relação dos Ribeirinhense com o Farol vai muito para além da questão arquitectónica, por este motivo considerou que a proposta de intervenção agora apresentada “é um passo importantíssimo para que se pudesse restituir a dignidade a um marco importante da história da freguesia e da ilha”, salientou.
Neste contexto e apesar de reconhecer que “as tecnologias de apoio à navegação marítima hoje em dia não carecem de uma infraestrutura com esta tipologia”, considera que o Farol da Ribeirinha  é um edifício “importante que não deve desaparecer da memória do Concelho da Horta e em especial dos Ribeirinhenses”.
O autarca lembrou a este respeito que, “a importância deste imóvel como refe-rência para muitos Faialenses levou que entre o ano 2000 e 2001 milhares de pessoas subscrevessem um abaixo-assinado para a reconstrução do Farol da Ribeirinha, intenção que infelizmente nunca foi concretizada”, disse. 
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26
maio

Requalificação do espaço verde envolvente à Torre do Relógio

Escrito por SG
A Câmara Municipal da Horta já deu início à empreitada de requalificação do espaço verde envolvente à Torre do Relógio, que incluirá a construção de um moderno polidesportivo ao ar livre, no centro da cidade, bem como dará lugar à requalificação daquele ex-libris, no sentido de garantir me-lhores condições de visitação àquele monumento.
Na visita realizada esta quinta-feira ao Parque de Infantil construído naquele local, em parceria com a Junta de Freguesia da Matriz, no contexto da empreitada global de requalificação dos parques infantis do concelho, José Leonardo Silva, Presidente da Câmara Municipal, registou a conclusão do compromisso entre o Município e a Junta de valorizar aquele espaço com um equipamento para a área da infância e anunciou que agora se inicia uma intervenção diferente e globalizada, que permitirá abrir o leque de utilizadores daquela zona nobre da cidade.
“Marcamos a parceria concluída hoje e o esforço da própria Junta de Freguesia, numa intervenção que custou cerca de 40 mil euros, e avançamos para um patamar diferente”, para um investimento que deverá rondar os 150 mil euros e terá a duração máxima de 60 dias, no decorrer dos quais será instalado um polidesportivo descoberto de 40x20m, para prática de várias modalidades, como futsal, andebol, basquetebol e outros, que promove “a segurança e a inclusão”, em pavimento dos mais modernos neste momento em Portugal, com vedação do espaço, e a implantação de um percurso acessível, em toda a volta do Largo, para marcha, corrida, skates, bicicletas, entre outros.
A torre sineira será, igualmente, objeto de beneficiação interior e exterior no sentido de garantir me-lhores condições a quem visitar aquele espaço, também em termos informativos.
“Vamos colocar no centro da nossa cidade um espaço para as nossas famílias”, frisou José Leonardo Silva, destacando as várias áreas ali potenciadas dirigidas a diferentes faixas etárias. 
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26
maio

Bem-vindos ao Faial e ao seu Parque Natural - Parque Natural do Faial e o Trail running na promoção do Faial

Escrito por SG
Os Açores são o ponto de encontro de espécies de fauna e flora únicos, provenientes dos continentes e ilhas que os rodeiam, que contam uma história natural de viagens transatlânticas, colonização e sobrevivência. O clima temperado oceânico aqui preserva espécies com milhões de anos e já extintas nos seus locais de origem, ao mesmo tempo que molda a evolução para a criação de novas espécies. Estas ilhas enquadram-se num contexto geodinâmico único, o que lhes confere uma atividade sísmica e vulcânica relevante originando paisagens sublimes e muito recentes.
Para preservar este valioso património criou-se o Parque Natural do Faial, cuja missão é garantir que os valores biológicos e geológicos sejam mantidos para que se perpetuem em gerações futuras, e proporcionem riqueza e desenvolvimento sustentável para esta ilha. O Parque Natural foi considerado, em 2011, pela Comissão Europeia “Destino Europeu de Exce-lência” e em 2016, arrecadou o prémio “Experiência da Natureza” com a descida acompanhada à Reserva Natural da Caldeira.
Atualmente, o Parque Natural do Faial tem sob sua gestão 13 áreas protegidas, que incluem as paisagens mais emblemáticas da ilha como a Caldeira, o Vulcão dos Capelinhos ou a praia de Porto Pim, quatro Centros Ambientais, três casas de apoio, dez trilhos pedestres, um circuito interpretativo e vários miradouros para contemplação.
As atividades lúdicas associadas ao segmento turístico de natureza, nomeadamente aquelas que são desenvolvidas e potenciadas pela qualidade ambiental, a beleza das paisagens, a biodiversidade, a geodiversidade e o património construído, constituem atualmente na ilha do Faial um importante recurso na oferta e na complementaridade das atividades turísticas.
 
O Parque Natural e o Azores Trail Run®
Este evento decorre em trilhos homologados e devidamente sinalizados. Este ano introduziram-se duas novas provas, o trail das Baias (25 Km) e a Grande Rota dos Baleeiros (126 Km), acrescentando ao Azores Trail Run® uma componente cultural muito interessante. Quem participar nesta aventura percorrerá o vastíssimo património baleeiro da ilha do Faial, onde tem destaque, os portos varadouros do Salão, dos Cedros, do Porto Comprido, do Varadouro, o complexo baleeiro das Angustias (com duas fábricas), porto da Boca da Ribeira (Ribeirinha) e sem esquecer as várias vigias da baleia. A meta, a mais bonita do mundo, localiza-se no Vulcão dos Capelinhos onde poderá descobrir o Complexo Baleeiro do Porto Comprido, a maior estação baleeira dos Açores, até setembro 1957, altura em que se iniciou a erupção do vulcão dos Capelinhos e foi desativado. Aqui entre maio e setembro, concentravam-senesta autêntica aldeia baleeira sazonal, de onde vinham gentes das ilhas do Pico, São Jorge e Graciosa, mais de 400 pessoas, entre os quais baleeiros e respetivas famílias que os acompanhavam, e cerca de 17 botes baleeiros e 7 barcos a motor. Com o vulcão dos Capelinhos esta aldeia ficou totalmente soterrada, sendo que recentemente momento, devido à erosão e à remoção das cinzas pelo vento e pela chuva, começam a surgir os primeiros telhados. 
Por todas estas razões aventurem-se neste desafio e apaixonem-se pelo Faial, uma ilha fantástica.
João Melo
Diretor do PNF
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26
maio

“Azores Trail Run® contribui para o aumento da riqueza, do progresso e desenvolvimento económico da ilha”

Escrito por SG

A ilha do Faial vai receber no próximo fim de semana uma grande prova do desporto de natureza chamada “Azores Trail Run®”. Será um evento que trará à nossa ilha mais de 700 pessoas, repartidas entre atletas e acompanhantes, lotando quase por completo os nossos estabelecimentos hote-leiros, as nossas casas de alojamento local e os voos com destino ao Faial.

É, sem dúvida,  um dos grandes momentos do ano para o empresário faialense, pois permite a este mostrar, publicitar e vender os seus produtos a quem participa na prova, a quem nos visita, contribuindo, dessa forma, para o aumento da riqueza, do progresso e desenvolvimento económico da ilha e consolidando o “destino Faial” como um dos grandes e melhores locais para a prática do “TrailRun”.

Este e já um dos maiores eventos dos Açores e que liga perfeitamente a nossa Matriz que pretendemos para o desenvolvimento turístico destas Ilhas.

A Câmara do Comércio e Indústria da Horta e todos os seus associados apoiam esta iniciativa desde o primeiro momento e tudo farão para que a mesma se continue a realizar na ilha durante muitos mais anos. 

Mas o trabalho desenvolvido não pode parar, e a luta por melhores acessibilidades aéreas e marítimas tem que continuar, pois só assim o empresário local, conjuntamente com as forças vivas desta terra, pode continuar a inovar, a reinventar-se e a criar novos eventos que consigam cativar mais turistas.    

Ao CIAIA e ao Azores Trail Run® os nossos parabéns por mais esta grande iniciativa.

 Carlos Morais

Presidente da Câmara do Comércio e  Indústria da Horta

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26
maio

AZORES TRAIL RUN®

Escrito por SG
Caros participantes e membros da organização, 
O Azores Trail Run é já uma presença obrigatória, de dimensão nacional e internacional, no calendário de eventos e nas visitas à ilha do Faial e aos Açores, revelando-se um veículo privilegiado de divulgação e promoção turística do nosso arquipélago.
A sua organização é reveladora da dinâmica que é possível impor numa prova desportiva e da capacidade de conciliar o desporto com outras realidades, como a cultura, o turismo ou a economia.
Desde que este desafio se iniciou, pela mão do Clube Independente de Atletismo Ilha Azul e com a colaboração de incontáveis colaboradores, temos  registado uma alteração de hábitos e comportamentos, no campo da saúde, mais concretamente, no aumento da prática de exercício físico.
Hoje, parece existir um maior contacto dos próprios faialenses com a realidade do seu Parque Natural de Ilha, influenciado, também, pela prática de trail running, e que os leva a realizar um verdadeiro percurso ambiental, histórico e cultural, um pouco por todo o conce-lho.
Por outro lado, é de registar, como um ponto positivo, a forma como o evento tem procurado afirmar-se e reinventar-se a cada nova edição, incluindo novas provas, novos percursos pedestres, novas pontes entre ilhas e concelhos, permitindo-nos divulgar, junto dos atletas de mais de 20 países em tudo o mundo que nos visitam, o nome do Faial, da cidade da Horta e de Uma das Mais Belas Baías do Mundo.
Esta envolvência e a forma articulada com que os vários eventos têm decorrido em períodos tradicionalmente de época baixa, contribuem sobremaneira para um maior dinamismo dos vários agentes económicos da ilha do Faial e na Região.
Por essa razão, acreditamos que o Azores Trail Run® é sem dúvida uma “marca” de sucesso, que conta com o apoio da Câmara Municipal da Horta, que se associa e incentiva a realização de parcerias, como esta, que tragam estes resultados e esta projeção. 
Seis provas, duas ilhas, vulcões, baía, fauna e flora, paisagens verdejantes e mar pela proa são os condimentos de sucesso do Azores Trail Run®, desejamos, por isso, votos dos maiores sucessos aos seus organizadores, bem como aos inúmeros faialenses que acreditam neste projeto e fazem dele um pacote turístico digno de registo.
Aos participantes, boa estadia e sejam bem-vindos a Uma das Mais Belas Baías do Mundo. 
O Presidente da CMH
José Leonardo Goulart da Silva
 
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