O presidente da Câmara Municipal da Horta (CMH) apresentou no passado dia 22 de junho o projeto “Concelho Ativo e Solitário” que este ano conta com a participação de mais de duas centenas de crianças e com novos parceiros.
Decorreu na passada sexta-feira, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a sessão de apresentação do projeto “Concelho Ativo e Solitário” que este ano vai ser alargado a todas as freguesias e envolverá mais de 200 crianças entre os 6 e os 12 anos em workshops.
Segundo o presidente da CMH, este ano, numa versão mais assertiva e mais inclusiva, o ‘Concelho Ativo e Solidário’ vai realizar workshops em todas as freguesias e conta com a parceria do No More Plastics, da AFAMA, do Jardim Botânico, do OMA, da delegação do Faial da Liga Portuguesa Contra o Cancro, da Urbhorta, da Associação de Pesca Ilha Azul, dos ginásios Corpus Seven e Go Gym, entre outros.
“Estamos a construir um projeto para ocupação das manhãs das nossas crianças no mês de junho com workshops e atividades que versam vários temas como literacia do oceano, pesca, educação ambiental, artes, teatro, saúde, TIC e sustentabilidade ambiental e turística”, avançou José Leonardo.
Para o edil, este é um projeto “saudável, mas também de conhecimento e partilha”, que visa educar as crianças de foram a que cresçam mais conscientes para “fazerem parte e ajudarem a criar melhores condições nas suas freguesias”.
Este projeto está também vinculado na vertente da Cidade Educadora e do Município Mais Azul e juntamente com o projeto da Bandeira Azul que também tem várias ações a área do ambiente irá envolver um “número muito razoável de crianças para “partilhar estas preocupações”, concluiu o presidente do município.
A SATA Air Açores vai aumentar o número de lugares disponíveis na sua operação para os meses de julho e agosto, de forma a possibilitar uma melhor oferta para as diversas ilhas do arquipélago.
De acordo com o comunicado enviado pela empresa às redações, haverá um incremento de 998 lugares para a ilha de Santa Maria, enquanto que para a ilha Terceira serão disponibilizados mais 185 lugares e para São Jorge, o aumento cifra-se em mais 592 lugares.
Por outro lado, verifica-se que a ilha do Pico terá a oferta substancialmente aumentada em mais 2.877 lugares, enquanto a ilha do Faial passará a contar apenas com mais 592 lugares. Já a ilha das Flores terá um aumento de cerca de 2.381 lugares e a ilha do Corvo terá a sua capacidade de transporte aumentada em mais 81 lugares.
Segundo a nota da SATA, mediante este reforço do número de lugares nas viagens inter-ilhas, a SATA Air Açores integrará a realização de 178 novos voos na sua programação, com um total de 7.706 lugares, correspondendo a um aumento de 3,6% de lugares, permitindo mais conectividade e mobilidade dentro do Arquipé-lago.
Maria Balbina Gomes de Freitas Santos Silva tem 62 anos, vive no Salão, é reformada e trabalhou durante muitos anos no Serviço de Recursos Humanos do Hospital da Horta.
Na sua adolescência, frequentou a Casa de Infância de Santo António (CISA) durante cinco anos onde concluiu o ensino secundário como pensionista.
No âmbito das entrevistas que o Tribuna tem realizado em parceria com a CISA, para as comemorações dos 160 anos da instituição, Maria Balbina Silva revela que “a meados da década de 60 do século vinte, os horários dos transportes públicos e a distância geográfica, não possibilitavam uma deslocação fácil entre as freguesias, nem tão pouco poder regressar a casa diariamente”, pelo que frequentou o Colégio como pensionista durante cinco anos.
“Ingressei no Colégio porque os meus pais consideravam que era o local adequado para frequentar o ensino secundário, uma vez que na altura o mesmo funcionava com regime de internamento” conta.
Segundo a própria, o seu principal constrangimento ao frequentar o Colégio “foi a ausência da família, pois devido às regras existentes, inicialmente só nos era permitido ir a casa no final de cada mês. No entanto posteriormente começámos a ter autorização para saídas quinzenais e finalmente semanais”.
Das suas memórias pessoais daquele tempo, Maria Balbina Silva destaca “a afinidade, partilha, solidariedade entre as colegas do Colégio, que eram provenientes de várias Ilhas, Faial, Pico, Flores, Corvo, S. Jorge, Graciosa e até da Terceira”, recordando também “os passeios de Domingo, os piqueniques e brincadeiras na Quinta de S. Lourenço, os passeios que tive oportunidade de fazer anualmente, ao Pico, a S. Jorge e às Flores e Corvo (no navio Ponta Delgada)”, numa altura em que os jovens não tinham possibilidade de se deslocar entre as ilhas.
Maria Balbina não esquece também “as brincadeiras do recreio e especialmente as rodas e a oração que aconteciam no recreio da noite, as festas realizadas no ginásio, as missas solenes e os retiros espirituais com o padre Raul Botelho de Paiva, que vinha propositadamente de S. Miguel”.
“A nível pedagógico a CISA sempre foi reconhecida pelo seu ensino de exigência e de qualidade”, salienta, destacando as professoras, quase todas freiras, irmã Benilde, irmã Clara, irmã Inês, irmã Geral-dina, irmã Margarida e ainda a Dra. Fernanda Pimentel, a Dra. Alda Brito e Melo, o Eng. Vítor Macedo e o “professor de matemática, tenente Horácio Saloio, que nos fazia ir ao ‘Correio da Horta’ procurar a tabuada da massa cinzenta”.
Para Maria Balbina “a CISA é uma instituição que muito tem dignificado o Faial e os Açores, que teve, e continua, a sua Missão Social, ensino de Excelência e no meu caso proporcionou-me Formação a todos os níveis”.
Maria Balbina realça ainda que, durante os cinco anos que frequentou a CISA, os principais valores que lhe foram incutidos foram “o sentido de responsabilidade, a honestidade, a solidariedade, o respeito pelo outro e a espiritualidade”.
O Regulamento de acesso à área natural do Vulcão dos Capelinhos irá estabelecer um limite máximo diário de visitantes, impondo, ainda, para além do pagamento de uma taxa de conservação de natureza, o acompanhamento por um Guia especializado.
No âmbito de uma visita aos trabalhos de marcação do trilho do Vulcão dos Capelinhos, na freguesia do Capelo, o Diretor Regional do Ambiente, Hernâni Jorge, salientou a importância da implementação de regulamentos de acesso e do estabelecimento de limites de carga em determinadas áreas protegidas, permitindo uma gestão de qualidade nas zonas mais sensíveis e a monitorização da sua utilização em prol de uma “conservação ativa do património natural, que não exclui a sua fruição”.
Segundo Hernâni Jorge, tais regulamentos constam de quatro portarias publicadas em Jornal Oficial e produzem efeitos a partir do próximo dia 1 de julho.
Quanto à área natural do Vulcão dos Capelinhos, o governante adiantou que está definido em regulamento um limite máximo de 80 visitantes diários, pois “a criação deste regulamento prende-se com as naturais dificuldades de acesso a uma área natural com as características do Vulcão dos Capelinhos e os riscos associados à instabilidade de algumas das suas vertentes, expostas a condições atmosféricas adversas e elevadas taxas de erosão que impõem a necessidade de regular o acesso de visitantes, garantindo a adequada gestão dos recursos e valores naturais em presença, bem como a segurança dos visitantes”.
Acrescentou ainda o Diretor Regional que o regulamento contempla a obrigatoriedade de acompanhamento por um Guia de Parques Naturais e a criação de uma taxa de conservação da natureza a pagar pelos visitantes, exceto os residentes nos Açores.
Na ilha do Faial, foi também alterado o regulamento de acesso à Reserva Natural da Caldeira, introduzindo a obrigatoriedade de as descidas serem acompanhadas por um guia com formação específica, concretamente de Guia da Caldeira do Faial, estabelecida uma capacidade de carga máxima diária de 40 visitantes e a aplicação da referida taxa de conservação da natureza.
No que respeita ao regulamento de acesso ao Ilhéu da Praia, na ilha Graciosa, este define um trilho de visitação na parte leste e restringe as visitas ao período entre 1 de julho e 15 de abril, com um máximo diário de 20 visitantes, 2 dias por semana, no período de 1 de julho a 15 de novembro, e 5 dias por semana, no período de 16 de novembro e 15 de abril, com os grupos serem obrigatoriamente acompanhados por um Guia de Parques Naturais e um Vigilante da Natureza.
Relativamente ao Ilhéu de Vila Franca do Campo, o Diretor Regional frisou a importância de “disciplinar a atividade recreativa, em especial balnear, possibilitando ainda o desenvolvimento de outras atividades de animação ambiental e turística compatíveis com a preservação dos valores naturais existentes”.
O regulamento de acesso para esta área estabelece um limite diário de 400 pessoas, com um máximo de 200 visitantes em simultâneo, durante a época balnear, entre 1 de junho e 14 de outubro, possibilitando ainda, no período de 15 de outubro a 15 de abril, a realização de visitas à área protegida, obrigatoriamente acompanhadas por um Guia de Parques Naturais, com o limite de 160 pessoas por dia, sendo o máximo de 40 visitantes em simultâneo.
Hernâni Jorge lembrou ainda que “já foi implementado um novo modelo de gestão no Monumento Natural da Caldeira Velha, foram publicadas alterações ao Regula-mento de Acesso à Reserva Natural da Montanha do Pico e foi publicado um novo regulamento de circulação de veículos motorizados nos arruamentos da fajã da Caldeira de Santo Cristo e no troço do trilho entre as fajãs dos Cubres e da Caldeira de Santo Cristo, em São Jorge”, e que todos estes processos “foram desenvolvidos em estreita colaboração com os parceiros, nomea-damente no âmbito do CRADS – Conselho Regional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável”.
Para Hernâni Jorge “a adoção destas medidas só é possível porque foram formados, ao longo dos últimos anos, mais de duas centenas de Guias de Parques Naturais, em todas as ilhas dos Açores, os quais estão perfeitamente habilitados a conduzir grupos de visitantes em áreas protegidas”.
Os deputados do PSD/Açores questionaram o Governo Regional sobre a segunda fase da empreitada de requalificação da Escola Básica António José de Ávila, no Faial, uma promessa do Executivo Açoriano que está por cumprir há cinco anos.
Carlos Ferreira e Luís Garcia, deputados do PSD/Açores eleitos pelo Faial entregaram, na passada segunda-feira, na Assembleia Legislativa um requerimento relativo à promessa do Governo dos Açores sobre o calendário para o lançamento do concurso para a segunda fase da empreitada de requalificação da Escola Básica António José de Ávila.
Segundo os deputados, a “escassez de espaços exteriores e de instalações desportivas”, cuja solução estará incluída na segunda fase, “torna necessária e urgente a próxima fase da requalificação”.
“Decorridos quase quatro anos desde a inauguração da primeira fase das obras de requalificação e de ampliação desta escola (14 de setembro de 2014), onde estudam mais de 600 alunos, nada se sabe sobre a segunda fase desta obra, o que preocupa o corpo docente, pessoal não docente, encarregados de educação e, de um modo geral, toda a comunidade escolar”, sublinha Carlos Ferreira.
O social-democrata lembrou ainda que, em janeiro de 2013, o secretário regional da Educação anunciou que a segunda fase da requalificação seria executada durante a legislatura 2012-2016, o que não aconteceu. Adicionalmente, a obra foi inscrita na Carta Regional das Obras Públicas 2015-2020, com o valor de 6.490,00 euros, estando então previsto o início do procedimento de contratação para o 2º semestre de 2015.
De forma a questionar qual o valor previsto para a execução da segunda fase, Carlos Ferreira referiu que “de 2015 até hoje, a verba inscrita nos sucessivos Plano Anual Regional e respetivos Orçamentos para este investimento tem sido sucessivamente reduzida, de tal modo que o Plano Anual Regional para 2018 já previu apenas um montante de 30 mil euros para a segunda fase da obra”.
“Essas obras estão praticamente concluídas, tanto que o novo ano letivo já irá arrancar nas novas instalações, mas lamentavelmente o concurso para a segunda fase da Escola Básica não foi lançado, o que impede o arranque das obras”, salientou.
“A inação do Governo Regional vai, à semelhança do que infelizmente já é habitual no Faial, atrasar todo o processo e fazer arrastar o investimento ao longo dos anos”, concluiu Carlos Ferreira.
A Câmara Municipal da Horta (CMH) está a preparar, em parceria com várias instituições e entidades locais, uma proposta de campanha integrada para promoção do bem-estar animal, de esterilização e de adoção e de combate ao abandono.
A CMH reuniu na passada sexta-feira com a PSP, a GNR e com as associações AFAMA e ABRIGAR para apresentar uma proposta de campanha integrada com o objetivo de promover a esterilização, a adoção dos animais do canil municipal e o combate ao abandono animal.
Para José Leonardo Silva, “o bem-estar animal é uma responsabilidade de todos, salientando que a capacidade de acolhimento animal, no canil municipal, não é infinita e que, só através de uma campanha bem delineada, se consegue combater os constrangimentos atuais, como a sobrelotação, por excesso de abandono e por escassa adoção de animais errantes”, lê-se na nota enviada às redações.
Esta reunião serviu ainda para se debater as competências e responsabilidades de cada entidade e associação, bem como arranjar estratégias no que toca à divulgação de informação relativa a estas matérias à população.
O edil aproveitou ainda a ocasião para avançar que foi a apresentada na última reunião de Câmara uma anteproposta de Regulamento Municipal de Controlo de Reprodução de Animais de Companhia no Concelho da Horta que será posta a discussão pública, apelando à participação de todos, com sugestões e propostas.
Segundo a nota de imprensa, “a proposta de campanha apresentada pela autarquia foi acolhida com agrado pelos presentes, sendo remetida para as entidades parceiras para apreciação e, posteriormente, será apresentada à população em geral”.
Decorreram nos dias 22 e 23 de junho as eleições para Presidente do PS/Açores, para os órgãos locais do partido e para os Delegados ao XVII Congresso Regional, tendo sido reeleito para o cargo mais alto do partido a nível do arquipélago Vasco Cordeiro com quase 98% dos votos.
Também no dia 22 de junho, Tiago Branco foi eleito como novo líder do PS/Faial.
Vasco Cordeiro, atualmente presidente do Governo Regional dos Açores, foi reeleito para mais um mandato, o seu terceiro, à frente do PS/Açores, nas eleições que se realizaram na sexta-feira e no sábado, dias 22 e 23 de junho respectivamente, tendo obtido 97,89% de votos a favor.
Conforme nota remetida pelo partido aos órgãos de comunicação social, votaram nas diretas "cerca de mil militantes, tendo-se registado 975 votos a favor, 18 votos contra e 3 brancos/nulos".
"As votações permitiram, também, eleger as 47 estruturas do Partido Socialista dos Açores e os membros de cada Comissão de Ilha", refere ainda o PS/Açores. Foram também eleitos os cerca de 250 delegados ao XVII Congresso do PS/Açores, que se realiza na ilha Terceira, no concelho da Praia da Vitória, entre os dias 14 e 16 de setembro.
Tiago Branco eleito novo líder do PS/Faial
Tiago Branco foi eleito, na passada sexta-feira, Secretário-Coordenador da estrutura da ilha do Faial do Partido Socialista, substituindo Luís Botelho.
Para além do deputado, foram eleitos para o Secretariado de Ilha, Ana Luísa Luís, Bruno Leonardo, Catarina Rosa, Fernando Nascimento, Filipe Menezes, Frederico Soares, Gerardo Branco, Hugo Oliveira, João Bettencourt, Lisete Vargas, Lúcio Rodrigues, Luís Botelho, Sara Vieira, Sherry Martins e Vítor Pimentel.
Para a Mesa da Assembleia Geral de Militantes, João Fernando Castro foi reconduzido como presidente daquele órgão, tendo José Leonardo Silva e Orlando Rosa sido eleitos como primeiro e segundo secretário, respetivamente.
Segundo o recente líder, o novo Secretariado de Ilha “pretende primeiramente honrar aquela que é a história do Partido Socialista e a confiança depositada pelos socialistas do Faial nesta nova equipa”, tendo como objetivo “fomentar o debate interno junto dos militantes, simpatizantes e de toda a população faialense para que isso se traduza numa melhor preparação do partido para vencer os desafios do futuro da nossa ilha”.
“O Faial espera poder continuar a contar com um Partido Socialista forte, perto das preocupações e ambições do seu povo, para que este possa também ser o partido melhor preparado para continuar a levar o Faial em frente. Esta é a nossa missão e é para isso que trabalharemos diariamente”, salientou Tiago Branco.
Os vereadores do PSD eleitos pela Coligação Acreditar no Faial na Câmara Municipal da Horta, defendem que a prevenção e combate ao consumo de estupefacientes e de Novas Substâncias Psicoativas seja uma das bandeiras do município, nomeadamente para as festividades de verão.
No âmbito das comemorações do mês contra o abuso de drogas e tráfico ilícito, Carlos Ferreira, Estêvão Gomes e Sandra Goulart consideram “que a autarquia deve assumir uma atuação proativa e determinada, quer na vertente preventiva, por exemplo através da distribuição de flyers de sensibilização e contactos prévios com os gestores dos espaços (em especial da tenda eletrónica), quer na vertente mais dissuasora, estabelecendo uma articulação estreita com as forças e serviços de segurança”, lê-se na nota enviada às redações.
Os sociais-democratas sublinham que “as festividades de verão são propícias ao início ou reforço destes consumos e que os Açores apresentam os piores resultados nacionais nesta matéria, pelo que se impõe, não apenas uma tomada de consciência sobre a gravidade do fenómeno, mas também a adoção de medidas concretas para o prevenir e combater”.
Segundo o relatório do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências os Açores registam um aumento dos consumos de cocaína e de ecstasy e apresentam mesmo as maiores prevalências de consumo mais recente destas substâncias.
“Perante este quadro negro da região e tendo também em vista a atualização do plano municipal de prevenção das dependências, já prevista pelo município, os vereadores da Coligação Acreditar no Faial vão requerer a análise deste tema na próxima reunião do executivo camarário”, lê-se.
No âmbito da sua visita ao Faial, o representante do PAN – Açores esteve à conversa com o Tribuna das Ilhas onde sublinhou que os militantes do partido não são políticos, são parte da sociedade e almejam transformar a política existente numa política de proximidade entre os partidos e entre o Governo Regional e a sociedade em geral.
Durante a entrevista, Pedro Neves realçou ainda a importância das obras no Porto da Horta para que o Faial continue a ter uma competitividade saudável e justa com as outras ilhas.
Tribuna das Ilhas – O PAN foi formado há menos de 10 anos e já conta com uma representação num município açoriano. Quais os valores e ideais que subjazem ao partido?
Pedro Neves – Os valores são e sempre foram exatamente os mesmos dentro da nossa filosofia. Nós não somos políticos, não almejamos isso e não queremos amplificar a política como ela é neste momento e tem sido desde os anos 80 até agora, não existindo qualquer mutação da mesma.
Nós queremos revitalizar um pouco a política existente onde há uma política governamental e uma política de oposição e não há qualquer ponte entre os partidos relativamente a isso.
Aliás, eu tive a oportunidade de ter uma reunião com o presidente da Câmara onde o próprio admitiu que existe alguma dificuldade de articulação entre os dois maiores partidos que são o PS e o PSD o que por vezes dificulta o trabalho. Tem de haver uma mudança.
É aqui que entra o PAN que não é de esquerda nem de direita, sendo o único partido que não tem uma dicotomia e que é transversal a todos os temas.
Interessam-nos as causas e as pessoas. Não nos interessa se somos de esquerda ou de direita porque isso limita completamente um partido. Um partido que é de esquerda não vai ter uma posição à direita. Nós só queremos fazer pontes com todos os partidos.
TI – O que distingue o PAN dos outros partidos?
PN – Primeiro nós não queremos fazer política, nem somos políticos. Fazemos parte da sociedade. É apenas por acharmos que a política está errada que criamos um partido político.
Eu não sou um político, não me considero como tal. Eu sou um ativista, sempre fui um ativista a vida inteira e agarro nisso para tentar mudar de dentro para fora a política existente.
As pessoas não estão contentes com os partidos existentes. Aliás, se lhes perguntarem se têm uma confiança com um político, as pessoas dizem que não. É também por esta razão que queremos mudar a política e dizer que os políticos podem ser também parte da sociedade.
Os militantes do PAN são pessoas bastante informais e todas as pessoas conhecem esta nossa informalidade e é isso mesmo que queremos mostrar. Queremos ainda mostrar eu almejamos incluir alguns temas necessários que não existem noutros partidos.
Nós somos um partido das minorias e não estamos aqui só pelos votos. O que nos interessa mesmo é aquilo que os outros partidos não trabalharam ou por falta de coragem ou porque estão tão agarrados ao poder há tantos anos que não conseguem ter margem de manobra para falar sobre alguns temas.
TI – O Pedro é militante do PAN praticamente desde a sua criação. O que o motivou a ir mais longe e a candidatar-se a representante do PAN nos Açores?
PN – Eu sou apoiante do PAN desde 2011, desde da sua criação. No entanto, só me tornei militante em 2014. Não fui militante desde do início porque havia uma presidência dentro do PAN que nesse aspeto não era diferente dos outros partidos e para mim fazia confusão ter uma hierarquia formal.
Agora nós não temos presidente, temos é porta-vozes. Temos o nacional que é o André Silva e tenho eu a nível regional para os Açores que servimos apenas para dar voz a todos os militantes.
Por que é que eu dei o passo seguinte? Eu às vezes ainda me questiono sobre isso porque nunca me interessei muito pela política, mas sim pelas causas. Contudo, eu e algumas pessoas ao meu redor no PAN achamos que eu podia dar um bocadinho de mim à política e neste caso como eu vim vier para os Açores senti a necessidade de vir mostrar o PAN aos açorianos.
TI – Que projetos, objetivos e perspetivas tem para o futuro do PAN no arquipélago?
PN – Os objetivos transmutaram-se um pouco desde janeiro até agora, mas continuamos com a nossa força em termos de grupo que é maior do que aquilo que era em janeiro.
O nosso principal objetivo é ter uma política de proximidade. Apesar de continuarem a perguntar o que é que o PAN faz no Faial ou faz aqui nos Açores, as pessoas individualmente sabem o que nós fazemos que é ir mesmo de porta em porta e ouvir os problemas os problemas da população.
Apesar de que não usamos a parte do populismo nesse aspeto e de as pessoas não saberem o que fazemos, nós somos um partido com o qual as pessoas se sentem à vontade para fazer denúncias porque sabem que o PAN vai fazer um acompanhamento do assunto em questão.
Aqui no Faial nós fazemos várias visitas oficiais. Esta semana fomos ao centro de resíduos tivemos uma reunião com o presidente da Câmara, vamos à AFAMA e à Ninovan que são associações animalistas. São estas visitas e ações que queremos empoderar cada vez mais.
Isto não é para as legislativas regionais de 2020, mas para ir a sufrágio nas próximas autárquicas, sabendo à partida que o programa eleitoral que está a ser cumprido por um deputado independente foi um programa elaborado pelo PAN e não por uma pessoa apenas.
TI – O PAN encontra-se de visita ao Faial. Qual foi o objetivo desta visita e da sua presença aqui na ilha?
PN – Desde outubro que venho aqui todos os meses porque acho que tem de haver uma aproximação com o um grupo espetacular que temos aqui. Tal como em São Miguel onde temos uma maior representação, temos mensalmente aqui no Faial assembleias formais internas e eu vou alternando para ouvir as pessoas, para haver proximidade e para as pessoas também sentirem alguma segurança ao dizer: “o PAN está aqui”.
TI – O PAN concorreu pela primeira vez o ano passado e com listas próprias à Câmara e à Assembleia Municipal da Horta, tendo alcançado um lugar na Assembleia. Sente que esta foi uma vitória para o partido?
PN – Foi sem dúvida uma vitória para o partido que mostra uma confiança dos faialenses para com o PAN.
A nossa campanha foi muito forte, foi de acompanhamento, foi de proximidade e, neste caso, foi o que nós queríamos mostrar aos faialenses de que nós podemos ser uma alternativa àquilo que as pessoas já estão um pouco cansadas de ver que é sempre a mesma coisa. Os partidos não são como as equipas de futebol, nós podemos mudar por aquilo que nós apresentamos.
Nós estamos aqui pelas pessoas que votaram em nós e mesmo pelas pessoas que não votaram. Estamos aqui para defendê-las.
TI – Recentemente, o PAN retirou a confiança política ao seu único representante municipal, Hugo Rombeiro. Que comentário faz desta situação?
PN – Foi preciso coragem para o fazer. Isto não foi algo feito de ânimo leve, não foi algo feito de forma rápida e impulsiva. Isto foi algo pensado desde dezembro para verem que foram vários meses de tentativas para que houvesse alguma proximidade entre a pessoa em si e o partido.
Essa confiança existiu até que houve algumas faltas de respeito e nós como um partido que enaltece bem a não violência nas pessoas não podíamos ter isso no nosso próprio partido. A pessoa em questão tentou desvirtuar o nosso partido aqui no Faial e isso obviamente não iriamos aceitar.
Demos-lhe a independência para fazer o trabalho que tinha de ser feito, mas tínhamos um programa eleitoral para cumprir e um grupo de trabalho para trabalhar juntamente com essa pessoa. No entanto, o grupo de trabalho foi rejeitado e nós começámos a ter algumas situações menos prazerosas, mas foi devido também a posições políticas usando o partido do PAN em algumas questões que não defendemos. Essa foi a gota de água.
TI – Qual é a posição do PAN – Açores em relação às grandes aspirações dos faialenses, nomeadamente o aumento da pista do aeroporto, a construção da segunda fase da variante e as obras no porto da Horta?
PN – Nós falámos com o presidente da Câmara ontem relativamente a essas três situações.
Sei que a ilha do Faial necessita para continuar a ser competitiva de um aumento da pista do Aeroporto da Horta com contenção e de forma sustentável, neste caso a nível económico e também ambiental e as pessoas estão a esquecer-se um pouco desta última parte.
Apesar de a Câmara ter tido o cuidado de fazer um relatório preliminar do impacto ambiental, não é um estudo do impacto ambiental per si que tem de ser feito pelo Governo Regional. Contudo, esse relatório preliminar apontava para alguns alertas vermelhos dos quais ninguém falou ou não há nenhum partido que fale em relação a isso.
Esses alertas têm a ver tanto com a nidificação das aves junto do aeroporto pois poderá haver problemas durante a construção e durante esse aumento como também com a qualidade da água para os faialenses.
Eu acho que apesar de todos nós querermos o aumento da pista porque em termos económicos nós continuamos e vamos continuar a ser competitivos com as outras ilhas o que é necessário, porque senão a ilha do Faial fica completamente limitada comparando com a economia das outras ilhas, temos de ter algum cuidado.
O PAN pede que haja um estudo de impacto ambiental bastante coeso e isento relativamente àquilo que é necessário fazer.
Também queremos esse aumento, mas não é para já. Isto é algo que tem de ser trabalhado durante dois, três, quatro anos para que esse aumento sirva para as gerações seguintes porque para já não é uma prioridade. É uma prioridade sim ter um pensamento, ter discussões, ter debates com os outros partidos e com todos os técnicos existentes e depois a partir de aí fazer um aumento sustentável porque daqui a dez anos, se não houver um aumento vai existir um problema em termos económicos aqui na ilha.
Sobre o porto, falámos sobre o espelho de água. Sabemos que é algo que é muito premente em todos os portos nos Açores, não é só aqui. Até se usou na reunião a analogia de se meter uma pedra dentro de um copo de água a transbordar, ou seja, basta haver uma variação do próprio mar e nós deixamos de ter o espelho de água.
Houve problemas no passado e a construção não foi das melhores, mas também teve o seu impacto ambiental porque foi necessário fazer fundos e agora querem fazer a alteração. Porque tanto para mim como para o PAN, mais importante do que o Aeroporto será o Porto para que consigamos receber alguns navios de cruzeiro que não conseguimos neste momento e que são desviados ou para Ponta Delgada ou para a Praia da Vitória que já está a ser preparada para receber os grandes navios de cruzeiro e os grande porta-contentores.
O Faial também tem de ser competitivo e relativamente ao mar não há ilha mais azul do que Faial e até pela sua história. É por isso que temos de dar poder à ilha do Faial tendo em conta a quantidade de pessoas que vêm a esta ilha de propósito devido ao culto dos navegadores de todo o mundo de passarem pela marina da Horta.
TI – Que posição tem o PAN relativamente à atuação do Grupo SATA no serviço público que tem prestado aos açorianos, nomeadamente a posição que tem tido em relação ao Faial?
PN – Primeiro, nós precisamos da SATA. A SATA é pública e faz um serviço porque tem de ser e é quase como se fosse uma obrigatoriedade para com os açorianos e é para isso que a SATA serve.
A SATA tem de ter lucro, mas, obviamente não conseguimos competir com as outras transportadoras aéreas portuguesas, isso é impossível. Mas nós sabemos que a SATA existe para que haja uma ponte entre todas as ilhas e assim uma maior proximidade.
Sabendo isso, não vou falar mal sobre a administração do Grupo SATA, apenas acho que a administração tem de ter outro tipo de escolhas para conseguir ter responsabilidade para com seus os clientes. E quando digo os clientes digo todas as pessoas que precisam de se movimentar dentro do arquipélago.
Posso dar o exemplo que aconteceu há poucas semanas, sobre o qual fizemos um comunicado, relativamente às pessoas que não conseguiram entrar no aeroporto da Horta e tiveram de ir ao Pico e depois não houve sequer qualquer acompanhamento da parte da SATA juntamente com a Secretaria dos Transportes e Infraestruturas e com a Atlânticoline sobre como é que as pessoas iriam do Pico ao Faial num domingo em que não havia qualquer tipo de transporte alternativo devido à greve da Atlânticoline.
Isso para nós é bastante grave porque não houve qualquer sensibilidade da parte deles para que se arranjasse alternativas. Independente das partes técnicas, em que nós não entramos pois não somos técnicos, o que é que se passou, porque é que não conseguiram aterrar aqui, obviamente não vamos falar sobre isso, mas temos de fazer um acompanhamento. Se não há esse acompanhamento as pessoas deixam de ter confiança numa transportadora aérea que devia ser de todos nós.
Agora, não será culpa da SATA apenas. Tem de haver também um investimento das transportadoras aéreas para continuarem a trabalhar aqui nos Açores. E é isso que nós queremos. Quanto mais competição existir em termos de transportadoras aéreas, mais disponibilidade de janelas nós temos para conseguirmos entrar e sair do Faial.
Neste momento, achamos que a SATA não está a ser sensível com a ilha do Faial comparativamente com as outras ilhas, não há aqui justiça nesse aspeto. Eu acho que a administração deveria ter um cuidado muito maior para que houvesse mais disponibilidade em termos de viagens de e para o Faial o que não está a acontecer neste momento comparativamente com o aumento das outras ilhas e comparativamente com o aumento do turismo que é expectável e está a haver em todo o arquipélago.
TI – Como é que o PAN – Açores vê a atuação do Governo Regional nos últimos anos, sobretudo nas áreas diretamente relacionadas com o objeto PAN, ou seja, as Pessoas, os Animais e a Natureza?
PN – É muito simples. Quanto temos uma maioria absoluta deixamos de ter um governo democrático para ter um tipo de oligarquia ou um tipo de ditadura. Não me posso queixar entre o PAN e o Governo Regional relativamente aos temas que para nós são prementes, são necessários e são aquilo que nós defendemos, mas achamos que o Governo Regional fala muito e usa um tipo de comunicação ambígua que não é objetiva nem direta. As pessoas estão um bocadinho cansadas de ver que não há qualquer tipo de alteração.
É isto que nos faz um pouco de confusão: porque é que o Governo Regional não faz uma aproximação maior?
Sabemos que perante uma maioria absoluta existe uma tendência para a falta de diálogo, tanto nos Açores, como a nível nacional. Quando existe uma maioria absoluta fecha-se as conversações e toma-se decisões, mas o pior disso tudo é quando começa o desleixo onde as pessoas não têm cuidado com aquilo que vão decidir.
Neste momento, acho que existem algumas prioridades do Governo Regional que não deviam ser prioridades e talvez devessem cumprir com o programa eleitoral que foi prometido em 2016 e não estamos a ver nenhuma alteração relativamente a isso. É isso que nos custa mais: as tais promessas vãs que depois com uma maioria absoluta não se faz absolutamente nada.
TI – A saúde, a educação e o ambiente são também áreas preocupantes nos Açores. No seu entender, que medidas serão necessárias para as melhorar e adequar aos princípios defendidos pelo PAN Açores?
PN – Começando pela educação, tendo em conta os indicadores que foram mostrados há pouco tempo e dos quais os Governo Regional enalteceu temos de dar os parabéns. Não sobre os indicadores comparados com Portugal continental, porque não o podemos fazer, mas sim com aquilo que tínhamos há uns anos atrás.
Existe um aumento de qualidade que nós temos de obviamente defender e não há forma de fugir. Contudo, existem ainda formas que têm de ser trabalhadas com mais algum cuidado na educação e numa educação também alternativa que cada vez é mais pedida aqui na ilha do Faial e também em São Miguel.
O Governo Regional aceitou que houvesse uma alternativa à educação existente neste momento, proposta até pela Associação Novas Rotas e que já está a ser implementada. Esta abertura em termos de educação já é uma vitória pelo que só temos de dar os parabéns ao secretário regional da Educação por isso.
Sobre a saúde. Eu iria ter um discurso sobre a saúde do qual não vou ter agora depois da notícia que ouvi relativamente ao hospital particular que vai haver na Lagoa em São Miguel e que está a mudar o posicionamento do Governo Regional relativamente à saúde e de tudo aquilo que tem sido falado durante anos.
Agora temos um hospital particular que vai ter verbas públicas governamentais dos Açores o que nos faz ter aqui quase uma situação bipolar do Governo Regional que anda à sombra do vento.
O PAN foi o primeiro a falar deste hospital privado que vai ser subsidiado por todos os contribuintes açorianos e que não entendemos quando temos é de empoderar os hospitais e a saúde pública que temos. E nós vemos isso tendo em conta o hospital que está aqui e que precisa cada vez mais de verbas para conseguir trabalhar com aquilo que tem e para que alguns departamentos consigam ter tecnologia de topo.
No entanto, estamos a desviar as verbas para um hospital particular que obviamente em termos económicos será muito proveitoso, tanto para o Governo Regional como para a empresa particular, mas eu não vejo proveito algum para os açorianos em si.
Continuamos a defender que a saúde tem de ser pública, tem de ser gratuita para todos os açorianos e temos algum receio do que acontecerá aos Açores daqui a uns anos quando quiserem fazer exatamente o mesmo em todas as ilhas.
Acho que nós vamos perder e tendo em conta que o SNS e SRS são algo que nós devemos defender e temos defendido durante anos, acho que temos de nos adaptar à realidade neste momento, mas que ela seja gratuita para todas as pessoas.
Um cartaz no Facebook do Projeto Universitário Cabo Verde a pedir material escolar para as crianças daquele arquipélago despertou a atenção das educadoras do Centro Comunitário do Divino Espírito Santo – CCDES.
A comunidade escolar da instituição uniu-se numa verdadeira onda de solidariedade e reuniu o material necessário para cinco mochilas. Segundo a organização se não fossem as dificuldades encontraram no seu envio tinham conseguido mandar muitas mais.
O CCDES associou-se ao Projeto Universitário Cabo Verde e, num curto espaço de tempo, toda a comunidade escolar mobiliziou-se e juntou o material escolar necessário para cinco Mochilas Solidárias, destinadas a alunos de Cabo Verde que vão ser entregues agora nos meses de julho e agosto.
Projeto Cabo Verde 2018 é uma iniciativa de voluntariado internacional para a cooperação, desenvolvido por estudantes universitárias e jovens profissionais que resulta da parceria entre várias entidades portuguesas, entre as quais a Álamos Associação Juvenil, Rampa Clube, Cooperativa de Telheiras para a Promoção da Solidariedade e da Cultura, CRL, Associação Cultural das Areias e Fundação Maria Beatriz Lopes da Cunha, em colaboração com a comunidade local cabo-verdiana.
O objetivo destas instituições é promover, através de várias atividades a dignidade humana, a preocupação pelos outros e pela melhoria da sociedade.
Inspiradas pela mensagem cristã e pelo espírito do Opus Dei a sua estratégia de intervenção abrange três pilares fundamentais do desenvolvimento social, nomeadamente a educação e formação, saúde e ambiente.
As educadoras do CCDES tiveram conhecimento do projeto através de um cartaz publicado no Facebook pela “Álamos - Associação Juvenil de Lisboa publicou na Internet”, revelou ao Tribuna das Ilhas Tânia Melo coordenadora da instituição.
“Mal vimos o cartaz decidimos logo, enquanto educadoras, partilhar a ideia na sala e na instituição por consideramos que era um projeto social interessante”, afirmou.
Aproveitando o facto de os pais das crianças que frequentam a creche serem “muito recetivos às atividades propostas”, decidiram de imediato avançar com a ideia de contribuir para esta causa.
Segundo a educadora responsável pela creche do CCDES, na concretização deste projeto contaram com a “envolvência das educadoras das salas, das auxiliares e ajudantes, dos pais e da direção da instituição”.
De acordo com Tânia Melo, a iniciativa pretendeu não só “ajudar as crianças de Cabo Verde a ter material escolar” como despertar a comunidade para uma cidadania interventiva de generosidade e ajuda ao próximo.
Para educadora “a educação e o ensino são a base do desenvolvimento de cada pessoa e da sociedade” por isso no seu entender faz todo o sentido integrar este projeto que permitiu “envolver os pais nas atividades desenvolvidas pela instituição assim como sensibilizar a comunidade para as necessidades do outro e para as dificuldades da sociedade”, frisou.
Tânia Melo revelou à nossa reportagem que levaram cerca de duas semanas a desenvolver o projeto. “A primeira semana foi para recolher o material e a outra semana a pensar como iriamos enviar as mochilas e preparar o seu envio”.
“Os pais foram espetaculares disseram logo o material que traziam e ao fim de uma semana tínhamos as mochilas prontas”, adiantou a coordenadora com orgulho.
“Conseguimos fazer cinco mochilas completas com todo o material, além daquilo que era pedido no projeto, conseguimos mais coisas porque os pais estavam bastante entusiasmados e havia mesmo pais que queriam fazer uma mochila completa”, salientou.
Em todo este processo a Educadora só lamenta a dificuldade em conseguir apoio para ajudar no envio das mochilas para o ponto de recolha no continente.
“A única dificuldade com que nos deparamos foi no transporte das mochilas para o Continente. E ter de dizer a alguns pais que não podíamos enviar mais mochilas porque não conseguimos apoios para o transporte, por parte de algumas entidades a quem recorremos. A insularidade foi a maior dificuldade de facto”, lamentou.
Para ultrapassar este obstáculo, valeu o apoio da direção da instituição que desde logo se disponibilizou para assumir o pagamento da despesa de envio das mochilas.
“Como não conseguimos apoio exterior, a instituição acabou por assumir o transporte. Pedimos à direção para nos apoiar e por isso ficamos limitados a cinco mochilas porque também o CCDES é uma instituição de solidariedade social e não dispõe de muitos recursos”, esclareceu.
“Fizemos cinco mochilas, mas acreditamos que vão fazer uma grande diferença”, disse.
Tânia Melo salientou que “o balanço desta iniciativa foi bastante positivo. Contámos o apoio da direção e os pais foram bastante recetivos ao projeto”. No seu entender “qualquer projeto social ou qualquer ato de altruísmo é importante para quem o faz e para quem o recebe” defendendo ainda que “é na primeira infância que as crianças desenvolvem o seu caracter cívico, portanto nós como instituição e que estamos com as crianças todos os dias queremos e temos o dever de proporcionar diariamente essas ações para que elas cresçam com essa sensibilidade de ajuda ao próximo”, sustentou.
Na ocasião, também o Presidente da direção do CCDES salientou a importância desta iniciativa, salientando que “que o projeto é muito interessante. Foi muito positivo vermos as nossas educadoras, auxiliares, pais e crianças envolvidas à volta deste projeto”, disse.
Para José Amaral o facto de o CCDES também ser “uma instituição com fim de solidariedade social faz todo o sentido que se associem à causa”.
Também o presidente lamentou o facto de não terem conseguido apoio no transporte das mochilas. “Solicitamos apoio a diversas entidades tanto marítimas como aéreas e infelizmente recebemos o não. Foi aí que entrou a direção no sentido de assumir a despesa de envio”, referiu.
José Amaral, espera em iniciativas futuras contar com mais apoio por parte das empresas e entidades locais no que ao transporte diz respeito.
“Em iniciativas futuras esperamos ter da parte dos responsáveis pelo transporte aéreo ou marítimo mais abertura e se associem a esta causa porque estamos também a ajudar alguém e isso é importante é aquilo a que se propõe o cartaz alusivo”, referiu.
Para José Amaral “as mochilas ao chegarem ao seu destino de certo vão fazer alguém feliz e vão dar a possibilidade a alguém que não tem material de prosseguir estudos sem estar privado daquilo que nós felizmente temos aqui. Esperamos sinceramente concretizar o sonho destas crianças”, concluiu.