Foi notícia, nesta semana, a não realização da Feira Açores, no ano de 2017, na ilha do Faial. Foi uma notícia que, obviamente, não agradou aqueles que, habitualmente, seguem a logística e a organização do evento como o Município da Horta e, porventura, as entidades ligadas ao setor, as empresas, os produtores agrícolas locais, que podiam estar a contar com a realização do evento para poderem eles promover os seus produtos, divulgar as suas explorações e, sobretudo, demonstrar a sua capacidade produtiva.
Esta situação foi até alvo de um voto de protesto aprovado, por unanimidade, em reunião de Câmara, tendo o Presidente da câmara e outros responsáveis locais demonstrado anteriormente a sua discordância com a decisão, aos responsáveis regionais do setor.
Como é do conhecimento de todos quantos na ilha vivem ou a visitam frequentemente, nos anos em que não havia lugar à realização da Feira Açores, na ilha do Faial, o Município da Horta, em boa hora, chamou a si a organização de um evento, que tomou a designação de Feira do Mundo Rural e, posteriormente, Encontro do Mundo Rural.
Com esse evento, o Município procurava e procura dar expressão ao setor primário, com grande destaque para as apresentações e concursos de bovinos e equinos, associando a divulgação dos produtos locais, fomentando a realização de workshops, promovendo sessões de esclarecimento, apresentando novidades gastronómicas e vínicas, dando expressão às nossas raízes culturais, evidenciando as nossas vivências religiosas, estimulando o comércio local, desafiando os empresários locais a estarem presentes num certame que em nada envergonha a ilha do Faial, na sua organização e, cujo sucesso das suas edições, passa pela participação, pela colaboração, pela disponibilidade, pela vontade das associações do sector, cooperativas, produtores agrícolas, comerciantes locais e, como é óbvio, pelos cidadãos que se deslocam ao local e fazem deste evento um momento de convívio e uma grande festa.
No entanto, apesar da não concordância com a decisão, manifestada publicamente, a entidade que mais fez passar a imagem que se preocupou foi a oposição que até requerimentos sobre o valor do apoio dado, ou a dar à Câmara exigiu do Governo Regional.
No habitual registo destrutivo, o Encontro do Mundo Rural foi desta vez aproveitado, após todos estes anos de organização, por parte da Câmara Municipal e dos seus parceiros, como arma de arremesso, com o simples objetivo de criar “casos políticos” entre o Governo Regional e o Município da Horta.
Ao longo de todos estes anos de realização dos eventos, fossem eles a Feira Açores, ou o Encontro do Mundo Rural, nunca se ouviu dizer uma palavra de reconhecimento, fosse ao Governo Regional, fosse à Câmara Municipal da Horta, um gesto de valorização pelo trabalho desenvolvido, uma referência pela importância do evento e, neste ano, porque não se realiza na ilha, e será alterado para outro ano, é que caiu o Carmo e a Trindade.
Contrariamente ao que o PSD quer fazer crer, também nas outras ilhas onde é realizada a edição da Feira Açores, a sua sequência não tem sido linear, São Miguel esteve 6 anos sem realizar o evento (realizou em 2008 e 2014), a Terceira esteve 5 anos sem realizar o evento (realizou em 2010 e em 2015), e o Pico esteve também 5 anos sem realizar o evento (realizou em 2011 e em 2016) sendo que o Faial foi a ilha que desde 2008 esteve menos tempo sem realizar o evento, 4 anos (realizou em 2009 e em 2013), não se tendo realizado o evento em nenhuma das ilhas, no ano de 2012.
Esta situação faz com que fiquemos felizes e contentes? Não, claro que não, mas há também uma coisa que não nos faz é meter a cabeça na areia, ou maldizer, denegrir, desvalorizar, diminuir o esforço que o Município da Horta e todos os seus parceiros locais desenvolvem para que a ilha do Faial, contrariamente a outras ilhas, tenha, todos os anos, uma Feira Agrícola, onde o setor se possa sentir representado e onde se efetuem os concursos locais, que nos permitem selecionar os nossos melhores representantes, que vão às outras ilhas, buscar prémios, reforçando o trabalho desenvolvido nesta área, na ilha do Faial.
Isso é que devia ser merecedor de uma referência e de um voto de congratulação!