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  • Juntos por todos – Pelas vítimas do Incêndio
30
junho

Juntos por todos – Pelas vítimas do Incêndio

Escrito por  Luís Botelho
Publicado em Luís Botelho
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Portugal presenciou no decorrer da passada semana, o pior dos cenários vividos nas últimas décadas no país.

O incêndio que começou no dia 17 em Pedrogão Grande e que se prolongou por toda uma semana, até ser extinto, deixou um rasto de destruição difícil de esquecer. O fogo atingiu os concelhos de Pedrogão Grande, de Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, no distrito de Leiria, o concelho da Sertã no distrito de Castelo Branco, e o concelho da Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra.
Foram horas e horas, dias e dias de emissão jornalística, televisiva e radiofónica, onde o tema único e comum, era de facto o violento incendido que lavrava pelo interior centro do país.
De acordo com dados provisórios ainda, o incêndio em questão, foi, até ao momento, o mais devastador de todos os incêndios florestais ocorridos em Portugal, sendo também, em termos de número de vítimas, um dos maiores já ocorridos.
Estimam-se que tenham ardido uma área de floresta superior aos 46.000 hectares, um número que para nós pouco representa, pelo desconhecimento da correspondência, mas que se percebermos que equivale a mais de duas vezes e meia, a área da ilha do Faial, já ficamos com a noção do horror. Destruiu ao longo dessa semana, mais de 200 habitações, e ceifou a vida de 64 pessoas, que ao procurarem defender as suas habitações e pertences, ou ao tentarem fugir do mar de chamas que as engolia, acabaram por não resistir à força da natureza, contabilizando-se ainda mais de 200 feridos.
Creio que ninguém ficou indiferente à tragédia, do mais novo ao mais idoso, do mais preocupado ao menos interessado nas noticias, não apenas pela tragédia presenciada, mas também pela impossibilidade de fazer algo, ajudar aqueles milhares de bombeiros que de forma abnegada, seguindo literalmente o lema, “vida por vida”, deram tudo o que tinham para dar, na defesa das populações e dos seus haveres.
Foram impressionantes os relatos ouvidos durante toda a semana, fossem transmitidos por familiares das lamentáveis vítimas, fosse pelos surpreendentes sobreviventes, incapazes, os próprios, de explicar como lhes foi poupada a vida, tão perigosa fora a situação onde se encontraram.
Pessoalmente, senti uma tristeza enorme pela catástrofe ocorrida, não apenas pelo sofrimento vivido por aquelas pessoas, algumas das quais vivendo um verdadeiro inferno, mas também por conhecer os locais afetados. Passei, nos últimos sete anos, muitas vezes naqueles locais. Partilhei aqueles caminhos com muitos familiares. Passei por aqueles concelhos com muitas pessoas queridas, como muitos verdadeiros amigos, e perceber que qualquer um podia ser vítima naquela estrada, que os nomes das localidades, referências por onde passávamos, foram total ou parcialmente destruídos, é algo muito difícil de exprimir. Saber que naquelas pequenas aldeias, antes habitadas por pouco mais de 30 ou 40 pessoas, agora se encontram praticamente desertas, é algo difícil de aceitar.
Felizmente, e perante a incapacidade de se reporem as vidas humanas perdidas, perante a incapacidade de se repor no imediato os estragos habitacionais sofridos, Portugal e os Portugueses, deram uma resposta à altura da catástrofe, reunindo num concerto solidário, cerca de 25 artistas de renome nacional, dezenas de técnicos de som e demais intervenientes na organização, todas as rádios e televisões generalistas e sobretudo, cerca de 14 mil pessoas, presentes no Meo Arena, e muitos mais espalhados por todo o país e pelo mundo, que permitiram a angariação de mais de um milhão de euros, para ajudar a repor a normalidade dos concelhos afetados.
Depois da união na tragédia, impunha-se, e concretizou-se, a união no renascimento das cinzas.

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