1. No meu último escrito, feito 2 dias após o ato eleitoral, abordei as escolhas dos Faialenses, validando e clarificando, efetivamente, quem manda no Faial. Esta semana, proponho-me a analisar, mais profundamente, as intenções e, sobretudo, os números que resultaram da eleição. Pela segunda vez consecutiva, em onze eleições autárquicas realizadas, verificou-se uma coligação, liderada pelo PPD-PSD com o CDS-PP, desta vez com menos um parceiro na equipa, uma vez que o PPM não se apresentou à votação, na ilha do Faial, nestas eleições Autárquicas. A encabeçar esses dois Partidos de Direita, concorrendo contra os outros partidos que se apresentavam individualmente, estavam dois atuais deputados, no exercício de funções, e que, coincidência ou não, foram os cabeças de lista candidatos, há apenas um ano, aquando das últimas Eleições Legislativas Regionais.
As extrapolações e relações entre votações são, certamente, discutíveis, mas, no caso em apreço, atendendo à existência dos mesmos candidatos, nestas eleições, que, há apenas um ano, tiveram lugar, podem fazer sentido.
Se, aos 3521 votos obtidos pela coligação de Direita entre o PPD-PSD e o CDS-PP, fossem retirados os votos obtidos, há um ano, pelo CDS-PP (428), a votação obtida pelo candidato do PPD-PSD teria sido a 6ª melhor do partido.
Se, por absurdo, tirássemos a votação obtida pelo PPM, há apenas um ano (96 votos) e, não tendo o partido candidatos à Câmara, poderiam manter-se os votos na coligação do mandato anterior, então Carlos Ferreira teria obtido a 7ª melhor votação do Partido, em 11 possíveis, abaixo dos 3000 votos. Ficaria atrás, obviamente, dos 3 Presidentes eleitos pelo PPD-PSD, Augusto Sequeira e Herberto Dart (2 mandatos) ficando, ainda, com uma votação inferior às dos candidatos Ricardo Manuel Madruga da Costa (1989), Fernando Dutra de Sousa (1993), e Paulo Jorge Oliveira (2009), ficando apenas 121 votos acima, da 8ª melhor votação, obtida por Jorge Costa Pereira (2001), e uns distantes 636 votos, acima da 9ª posição, obtida por Luís Garcia (2013).
2. Já no que diz respeito à votação obtida pelo PS, concorrendo, individualmente, a votação obtida por José Leonardo, em 2017, foi a 3ª melhor votação do Partido, em 11 possíveis, sendo suplantado pelo próprio em 2013, e pelo candidato eleito Renato Leal (1993) com 269 votos de diferença.
3. Passada que foi a campanha eleitoral e a eleição, preparada que está a tomada de posse e ainda sem se saber qual a opção estratégica a adotar, por parte da coligação de Direita entre o PPD/PSD e o CDS-PP, foi já possível ver a crença que existe entre ambos, pelo menos a avaliar pela “organização” da conferência de imprensa promovida para análise dos resultados. Situação que demonstrou a consistência da união. A verdade é que, desde a divulgação da candidatura, apresentada a dois tempos, primeiro um candidato e depois outro e, posteriormente, a junção, indiciava que a união não duraria muito tempo. Foi, aliás, bem evidente todo o processo e as posições ocupadas. No seu decorrer, houve, como habitualmente há, um que arrisca mais, outro que se protege mais. Neste caso, a coragem, ou o poder negocial não permitiu que a junção dos dois candidatos ao mesmo órgão, à Câmara Municipal, fosse uma realidade, como alguns ambicionavam e outros evitavam. Agora que os votos são conhecidos, já interessa dar mais visibilidade a uns do que a outros, procurando, afinal, manter o estrelato obtido, por forma a garantir posições e lugares que ainda ontem criticavam, desacreditando-se, assim, a coligação que supunha acreditar e fazer acreditar.
4. No que diz respeito à futura composição, liderança e condução dos trabalhos da Assembleia Municipal, espera-se que a democracia impere, que seja entendida a vontade democrática dos Faialenses, que todos os intervenientes assumam as suas responsabilidades, que se discuta e se debata os reais problemas da ilha do Faial, que não se escondam atrás de figuras e falsos indignados e, por fim, que imperem os vasos da democracia e da pluralidade, aos frascos de veneno e falsidades.