A viagem está, desde sempre, ligada à experiência humana da descoberta, da aventura, do desejo de procurar o desconhecido; ao crescimento intelectual e espiritual. Está também relacionada com os ritos de passagem que exprimem a necessidade de renovação e de regeneração espiritual. Todas as viagens - desde as narrativas homéricas, medievais, renascentistas, até às narrativas contemporâneas - estão associadas à experiência de uma mudança de espaço/tempo e traduzem uma caminhada intelectual, aquisição de conhecimento e uma transformação interior.
Em 1509, Erasmo de Roterdão dedica a Tomás More o "Elogio da Loucura", pedindo-lhe que receba com benevolência esse discurso. Na dedicatória reivindica o direito à liberdade de «rir das inferioridades da vida humana, com a condição de não ofender ninguém». Em 1515, inspirado pelo ambiente humanista de Antuérpia, Tomás More, - futuro Chanceler de Henrique VIII - , escreve um discurso que coloca nos lábios de Rafael Hitlodeu, o imaginário capitão de navio português que teria descoberto uma ilha situada em parte nenhuma e designada de Utopia.
Iniciando a viagem na ilha, - ínfimo espaço de terra rodeado de água por todos os lados - um grupo de alunos da ESMA visitou o Parlamento Europeu, em Bruxelas, a convite do deputado Ricardo Serrão Santos. Alguns destes alunos nunca tinham saído da ilha, daí a importância da viagem para o alargamento da sua mundividência. O contacto com as instituições europeias, a arquitetura, a arte, a vida intensamente cultural de uma cidade como Bruxelas, constituíram experiências marcantes e inesquecíveis para todos estes jovens. Um deles escreveu a propósito desta viagem:" a visita ao Parlamento Europeu foi importante para mim, enquanto açoriano, porque permitiu que eu, mesmo vivendo na periferia da Europa, no meio do Atlântico, tomasse conhecimento de como é governada a Europa e que mecanismos contribuem para essa governação, o que, de certa forma, contribui para a descentralização do poder, porque permite que mesmo cidadãos da periferia europeia conheçam a forma como funciona a União Europeia."
Todas as viagens permitem ao viajante romper limites e fronteiras. Todas as viagens são uma iniciação, uma descoberta; uma caminhada pela história do mundo. Percorrer distâncias físicas é o primeiro passo para se atravessar as nossas fronteiras interiores. Daí a importância de programas como o Erasmus e das sessões e workshops destinados às escolas, promovidas pelo Parlamento Europeu, em Bruxelas. Esta viagem, em concreto, foi uma experiência extraordinariamente positiva para os alunos da Escola Secundária. Uma única exceção: a viagem cancelada em Lisboa, pela SATA, já no regresso à ilha, em consequência do furacão "Ofélia", da despersonalização e do desrespeito por um grupo de 26 passageiros (20 menores), em trânsito para os Açores.