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27
abril

Liberdades e Libertinagens

Escrito por  Luís Botelho
Publicado em Luís Botelho
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Naquela que é a semana em que se comemora a liberdade pareceu-me apropriado escrever sobre Liberdades e Libertinagens.
A definição académica diz-nos que liberdade é “direito que qualquer cidadão tem de agir sem coerção ou impedimento, segundo a sua vontade, desde que dentro dos limites da lei”. Existem ainda vários clichés relacionados com este conceito que, quando convém, são utilizados, como “a nossa liberdade acaba quando a dos outros começa”.
Já o conceito de libertinagem é “fruto de um uso errado da liberdade, porque demonstra irresponsabilidade”. Libertinagem “é um mau uso da liberdade de um indivíduo, é a extrapolação da liberdade, e quando isso acontece, os limites são ultrapassados e a integridade física, emocional ou psicológica de outra pessoa é posta em causa. A libertinagem leva a uma falta de respeito pelo próximo, e indica falta de dignidade e bom caráter”.
Dá que pensar, não? Eu pelo menos entendo que se não dá, devia.
Será que somos assim tão livres? Será que respeitamos a liberdade dos outros? Será que temos algum respeito pelos outros? Será que nos preocupamos sequer com os incómodos que causamos aos outros, muitas das vezes sem qualquer motivo, justificação ou fundamento, que não sejam questões políticas?
Não me parece e, mais preocupante ainda, é perceber que seguimos por caminhos tortuosos e perigosos, tendo em conta esta diferença entre Liberdade e Libertinagem.
Isto a propósito, por exemplo, da utilização inadequada, ou não, que é feita das redes sociais. Banalizaram-se as palavras, aprofundaram-se as mentiras, promoveram-se as difamações e alimentaram-se as calúnias.
Fala-se e escreve-se sem pensar nas consequências, sem pensar que do outro lado existem pessoas. Impulsionam-se de forma descarada mentiras, promovendo a teoria que “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, cuja autoria da frase é reconhecida a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda de Adolf Hitler na Alemanha Nazista, que exerceu controle sobre as instituições educacionais e os meios de comunicação. Quem diria que a frase foi introduzida por quem controlava os meios de comunicação social nazis.
A questão que se pode colocar é: se não existissem as redes sociais será que as pessoas agiriam da mesma forma? Teriam a frontalidade de encarar de frente aqueles a quem ofendem, difamam, caluniam, de quem desdenham escondidos atrás de um ecrã ou de um moderno telemóvel, e muitas vezes de um perfil falso? Talvez não.
A liberdade conquistada pelos capitães de Abril, imagino que não preconizava este desvirtuamento da consideração e respeito pelo outro.
Nem a propósito o multimilionário proprietário do Facebook, interrogado no Comité para a Energia e Comércio da Câmara dos Representantes dos EUA, sobre a venda de dados pessoais, capazes ou não de influenciar, imagine-se, as eleições nos Estados Unidos da América, assumiu, com cara choramingona, que não fez tudo o que devia. Pediu desculpas e admitiu que a sua empresa "não fez o suficiente" para proteger os utilizadores da sua rede social de terem os seus dados pessoais usados por outras empresas.
Não fez o suficiente, não foi capaz de proteger as informações pessoais dos seus utilizadores, não foi capaz de anular notícias falsas, nem foi capaz de anular perfis falsos, criados com fins maliciosos, porque se assim não fosse, assumir-se-iam.
Mas ao que parece, está agora a tentar fazer alguma coisa, ainda na semana passada, e tendo em conta a proximidade das eleições Francesas, a rede social anulou 30 mil contas contendo “Notícias Falsas”, tendo já também exercido alguma ação na Alemanha.
Esperemos que a limpeza chegue rapidamente a Portugal, para que a Libertinagem seja banida e voltemos a viver a Liberdade de Abril de 1974.

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