Aquando da minha vinda dos Cedros para a Horta, aos 10 anos, em princípio da década de 30 do Século findo, um dos primeiros amigos foi o Eduardo Ramos que morava ao lado da Escola Coronel Silva Leal, cujo páteo cimentado era atractivo da rapaziada.
Assim passei a ver também com frequência os irmãos mais novos Artur e Álvaro, quase sempre trazendo fatias de pão barradas com manteiga.
Filhos do Senhor Carlos Ramos que do Continente veio, como cabografista, para uma das Companhias estrangeiras, na Horta instaladas.
Não teve mesmo dificuldade a integrar-se na Comunidade citadina, fazendo até parte dos 21 desportistas que fundaram o Fayal Sport Club.
Natural que os Ramos, do Artur ao Carlos, Álvaro e Eduardo incluídos, viessem a envergar a camisola verde.
O Artur, além do futebol, dedicou-se também ao hóquei em patins, nascente, e ao basquetebol, modalidades em que se salientou.
E tal o interesse pelo jogo da bola ao cesto que fez parte com dois amigos do grupo que lançou o basquete feminino na Horta, antes de Angra e Ponta Delgada.
Foi Secretário Permanente da novel Associação de Desportos que, como proficiente organizador, contribuiu para o respectivo êxito.
Foi ainda exímio em Damas, Dominó e Xadrez, jogos muito praticados na sede da FNAT.
Mas não se ficou por aqui, já que se tornou num apreciado colaborador do “Correio da Horta” mormente no “Correio Desportivo”.
Isto quando era funcionário da Secretaria da Câmara Municipal.
Já estava, porém, casado com a D. Manuela Rodrigues licenciada pela Escola do Magistério Primário quando surgiu a erupção vulcânica dos Capelinhos, em 1957.
E o jovem casal, como muitos faialenses, preferiu naturalmente emigrar para América, radicando-se em Santa Clara.
Em primeira ida à Califórnia, em 1971, partindo de New Bedford, estivemos (Maria João e eu) um fim de semana na vivenda do Artur e da Manuela em que passámos um agradável serão com a presença de casais amigos, também imigrados à custa do Vulcão.
Não será preciso avançar dizendo que a variada ementa da ceia foi à moda faialense.
Entretanto, os anos foram passando e, em fins de 1991, já na Terceira, em quarta visita aos States, voltei a Santa Clara como hóspede do casal amigo, assaz integrado na Comunidade luso-açoriana.
Facto, aliás bem patente na existência da Delegação do F.S.C. de que o Artur foi mentor e também do Jornal “Alma Verde”, cujo Director, Dr. Fernando Silva, amigo por ele convidado, ficando, porem, como Adjunto.
Tratava-se de uma publicação de oito páginas, ilustradas com fotos afins.
Tivemos oportunidade de constatar, com agrado, as amizades feitas por Artur e Manuel, entre elas:
Capitão picoense Cristiano Rosa, proprietário da maior e moderna traineira de San Diego, e simpática esposa em cuja residência amavelmente nos receberam;
Doutor Mayone Dias, lisboeta, Professor Universitário, Escritor e Jornalista, e distinta esposa que, na própria casa em Los Angeles, nos ofereceram um requintado almoço.
Desta vez, passámos, os quatro, um fim de semana, na vivenda do Afonso Serpa e da amável esposa Gilda (Leovegilda) em Capristano Beach em que o Fayal Sport esteve na baila, pois o Afonso fora um dos melhores guarda redes verdes e açorianos.
Recordo ainda um agradável passeio a Half Moon Bay, na costa do Pacífico.
Enquanto o Artur e eu fomos até à beira da calma baia em forma de meia lua, a Manuela e a Maria João confeccionavam saboroso almoço na Mobil home.
O regresso foi feito ao longo da baixa costa com o mar a corresponder ao nome do grande Oceano.
Já vivíamos na Cidade Património Mundial quando tivemos a feliz oportunidade de recebermos, em nossa casa à Rua de Jesus, os prezados patrícios.
Naturalmente volta pela Ilha era grata obrigação, passando pela Agualva, onde a Manuela tinha amizades.
Almoço no anexo ao ar livre, da popular Adega Lusitânia, foi outra maneira de tornar menos monótona a visita.
Aliás, ocasiões não faltavam para falarmos do passado e do presente, sendo uma delas os serões, mal adivinhando que seria a última vez que estaríamos em fraterna convivência.
Depois, fomos contactando pelo telefone para Sacramento, pois tinham-se mudado para a Capital da Califórnia.
E por fim para o Lar de São Francisco na Horta já que o saudoso casal escolheu a cidade natal para viver última etapa terrena e partir para Deus.
Primeiro a Manuela e poucos meses depois o Artur, acompanhado pela bandeira do F.S.C. seu clube de Coração.
DR