O Município da Horta participa como sócio no projeto inovador de desenvolvimento turístico, no âmbito do Interreg, Projeto de Cooperação Territorial Europeia Ecotur_Azul MAC/4.6c/046. De entre os diversos objetivos a alcançar, integra-se na realização do inventário turístico da ilha do Faial, trabalho realizado pela empresa Naturpleasures.
Este trabalho insere-se no projeto Odyssea, considerado como um modelo económico inovador de turismo, náutico e cultural que permite a criação de um novo projeto territorial: o mar, os rios, as cidades turísticas, seus portos, suas terras, respondendo assim aos novos desafios territoriais do desenvolvimento sustentável, reposicionamento turístico, náutico, marítimo, cultural, diversificação e melhoria da sazonalidade. Ele oferece uma nova maneira de viajar, de porto em porto, de porto em território... De escalas em escalas, por mar, por rotas navegáveis, e por terra para descobrir um país, uma região, a sua cultura, a sua língua, o seu património, os seus recursos, e sobretudo a sua autenticidade com uma referência comum que permite uma comunicação e promoção internacional em rede.
Como tal, o inventário de recursos turísticos realizado, obedeceu às linhas orientadoras e metodologia do modelo Odyssea, proporcionando uma base de trabalho comum e transversal a todos os parceiros nacionais e internacionais do projeto.
Assim sendo, a prossecução desta metodologia foi, desde o início, um elemento essencial no desenvolvimento dos trabalhos. De acordo com a metodologia Odyssea, a inventariação de recursos é feita segundo um conjunto de 6 módulos técnicos.
Em termos sintéticos, o módulo técnico nº 1, relativo ao banco de imagens da Horta (Faial), foi baseado no acervo de imagens da Câmara Municipal da Horta (CMH), parte do qual disponível “online”, e outra parte, substancial, existente nos seus arquivos. Em complemento, a equipa técnica construiu uma base de dados de imagens “in loco”, composta por centenas de fotos, aquando da georreferenciação dos locais.
O módulo técnico nº 2, referente aos prestadores e serviços turísticos, foi fundamentado nas listagens fornecidas pela CMH e no “site” oficial do Turismo dos Açores (www.visitazores.com). Esta informação foi cruzada e actualizada com os dados próprios das unidades envolvidas, através de pesquisa nos respectivos “sites” e páginas nas redes sociais (Facebook e Trip Advisor). A pesquisa foi complementada com uma base de dados de imagens, nomeadamente, nas unidades de alojamento turístico e dos estabelecimentos de restauração.
Relativamente aos operadores marítimo-turísticos (OMT), um dos domínios mais marcantes do turismo da ilha, a base de dados de empresas foi compatibilizada com a listagem inscrita no mais recente folheto turístico do Faial, criado pela Câmara Municipal da Horta em 2018.
O módulo técnico nº 3, relativo às actividades de lazer e os sítios a visitar, integra as componentes do património cultural, o património natural, as actividades de lazer e outros sítios a visitar. Este módulo constitui o “coração” do inventário de recursos turísticos.
Importa notar que o âmbito da inventariação dos recursos não se cingiu à cidade da Horta (Porto Odyssea, no âmbito do projecto), tendo sido alargado a toda a ilha do Faial. Esta opção, foi baseada nos seguintes factores: a ilha é constituída por um único concelho, havendo uma correspondência administrativa e territorial; a dimensão relativamente pequena do Faial, encontrando-se todos os pontos de interesse a menos de 1 hora de distância da Horta (na lógica do projecto Odyssea de “descoberta do território a partir do porto”); a necessidade de motivar novos itinerários e percursos em toda a ilha, ampliando os benefícios do turismo a todas as freguesias, e contribuindo, a médio prazo, para uma maior coesão territorial.
O módulo técnico nº 4 diz respeito aos textos e os escritos existentes, designadamente, a bibliografia, os artigos de imprensa, os textos de valorização do município, entre outros.
O módulo técnico nº 5, associado aos registos sonoros, foi desenvolvido pela chefia de projecto Odyssea. Os registos sonoros visam a ilustração das “paisagens narradas a partir do mar”, que integra um itinerário, em redor do Faial, com 10 pontos de maior interesse. Para este efeito, a equipa técnica, com o apoio da CMH, realizou uma visita “in loco” em embarcação de recreio para recolha de imagens e validação do percurso.
O módulo técnico nº 6 é relativo às ferramentas de comunicação, como sejam, os guias, os mapas turísticos, os documentos para eventos, entre outros. O conjunto dos elementos de suporte a estes dois módulos foi fornecida pela CMH e por outras entidades contactadas. Em complemento, a equipa técnica adquiriu bibliografia técnica e informação de apoio (publicações dos sítios visitados), para além da pesquisa feita ao acervo local da Biblioteca Pública e Arquivo Regional João José da Graça, na Horta.
A informação de carácter cultural e patrimonial foi validada pelo historiador local Dr. Tiago Simões da Silva, com o propósito de garantir a maior fiabilidade da informação prestada.
Até ao momento, foram já introduzidas na base de dados 220 fichas de recursos, a totalidade das quais ilustrada com fotografias (2 a 3 fotos por recurso), além dos demais elementos de caracterização. Em síntese, o trabalho de inventariação de recursos encontra-se concluído em 95%, faltando somente a introdução de alguns recursos (p.ex. eventos, sítios turísticos, miradouros), bem como a validação pelos actores locais dos elementos constantes da base de dados.
O projeto ODYSSEA, é considerado, no seu desenvolvimento, como um destino turístico inteligente "em perfeita harmonia com a estratégia, através do uso de tecnologias de informação e comunicação (TIC) e colaboração pública-privada, permitindo a implementação de importantes inovações no campo do turismo náutico e temático de municípios litorais, que utilizam uma metodologia comum para a promoção de seus produtos náuticos, culturais, patrimoniais e turísticos, melhorando a cadeia de fornecimento da oferta territorial e as repercussões económicas das PMEs de bens e serviços mercantis associados, graças às sinergias intersetoriais geradas pelo uso das TICs na rede.
Actualmente agrupa mais de 80 cidades portuárias em Espanha, França, Itália, Portugal, Grécia, Marrocos e nas regiões ultraperiféricas (RUP).