A personalidade é o João Carlos Fraga.
Vivemos na ilha do Pico, já lá vão mais de cinco décadas e meia e, curiosamente sempre balizámos a nossa vivência costumada, por dois eventos de carácter religioso e até de alguma maneira social, muito queridos e estimados da sua população.
Trata-se particularmente das festividades em louvor do Divino Espírito Santo e em honra so Senhor Bom Jesus Milagroso.
Na minha ilha natal, o faial, mais propriamente na cidade cosmopolita da Horta, aonde nascemos, estudámos e trabalhámos longos anos estas festividades também eram motivo de enormes movimentações, que obrigavam as “velhas lanchas” a cruzarem o canal num vai e vem, quase permanente.
Para nós, terá sido a festa do Bom Jesus Milagroso que desde bem menino nos fazia atravessar o Canal e curiosamente, não poucas vezes viajarmos directamente para o “porto” da ridente freguesia de S. Mateus já éramos, então estudante liceal com alguma autonomia, quando tivemos a oportunidade de participar nos festejos do Divino Espírito Santo, na vizinha Madalena.
Fazíamo-lo com enorme alegria e até, com alguma ansiedade e alegrávamo-nos sobremaneira, quando privávamos do convívio dos nossos colegas da ilha Montanha.
A rosquilha que nos era oferecida, em louvor do Divino Espírito Santo era considerada como uma dádiva muito preciosa que, já tarde dentro, saboreávamos com enorme prazer na companhia dos nossos.
Hoje em dia, todas essas festividades continuam a acontecer, nas suas datas certas, só que sem a alegria e a ansiedade de outrora já que as vivências actuaismudaram muito e, felizmente para melhor, permitindo que em todas as localidades em louvor do Dívino Espírito Santo e mantenham autos repastos e haja uma parfusão notável de distribuição de roquilhas, vésperas ou pãe, para quantos acorrem aos diferentes impérios.
Outros tempos bem mais pródigos com outros costumes, trajes e celebrações.
Porém, mantendo, ainda o espírito de gratidão e reconhecimento pelo Divino Espírito Santo, como se comprova ano após ano com as celebrações tradicionais do Império dos nobres que continuam a honrar a Edilidade Hortense.
Junho de 2017