Foi apresentado na semana passada no Faial o livro Arqueologia nos Açores, da autoria de José Luís Neto. Esta obra regista o percurso da Arqueologia no arquipélago, desde os primeiros achados, no século XVIII, e dos primeiros estudos sistemáticos, na década de 1960, até hoje.Este texto não pretende ser uma recensão do livro, tão-só uma chamada de atenção para a sua importância e para algumas questões que são do interesse dos faialenses (não dispensando a sua leitura, que recomendo).Sobre o caso açoriano, apesar do trabalho muito meritório...
“Em criança - disse Dresner -, acreditava que a terra dava cereais porque nós a olhávamos com espanto ou com curiosidade, e esse olhar semeava-a e mais tarde colhiam-se as espigas do nosso olhar para as esmagar na mó de pedra dos moinhos e fazer pão para alimentar o povo. O pai dizia que era absolutamente essencial que olhássemos assim para a terra, que o mundo não medrava sem que imiscuíssemos uma visão temperada de questões no seio da matéria, na lama. Era, dizia ele, a verdadeira maneira de amar, de fazer amor, de fecundar, de penetrar nas...
Aos 90 anos de idade, Mário Frayão acaba de dar à estampa Memórias com Sorrisos (2018), que dá continuidade e complementa o seu primeiro livro, Crónicas e outras estórias (edição de autor, 2016). Num e noutro, temos a elegância da narrativa e a clareza da escrita, servindo, e bem, um humor que é requintado e uma ironia que é inteligente.Num estilo comunicativo, directo e jocoso, revelando capacidade descritiva e narrativa, Mário Frayão escreve falando sobre pessoas, acontecimentos, casos e vivências que lhe povoam o imaginário e marcaram a...
Ao meu bom amigo Rui de Mendonça, especialista em Medicina de Reprodução
A literatura portuguesa, desde o século XIX até aos nossos dias, regista a existência de não poucos médicos escritores, uns sob pseudónimo (Júlio Dinis, 1839-1871, que se chamava Joaquim Guilherme Gomes Coelho, Miguel Torga, 1907-1995, cujo verdadeiro nome era Adolfo Correia da Rocha), e outros que, assumindo os seus verdadeiros nomes, deixaram de exercer Medicina em determinadas alturas das suas vidas para se dedicarem à Literatura a tempo inteiro: Garcia Monteiro...
A cidade da Horta foi, no século XIX, o berço da ficção literária açoriana. Aqui surgiram os primeiros romancistas, como António de Lacerda Bulcão, o mais antigo contista açoriano e, provavelmente, um dos mais fecundos escritores faialenses.Natural desta cidade da Horta, onde nasceu a 17 de Junho de 1817, era filho do advogado e poeta António Silveira Bulcão e de Maria de Lacerda Labath Bulcão.Ao longo da sua vida trocou muita correspondência com o Duque de Ávila e, após a morte deste em 1881, com o sobrinho e herdeiro Dr. António José de...