Um violento incêndio na noite de domingo destruiu por completo uma superfície comercial no concelho de São Roque do Pico. O alerta foi dado cerca das 21h15 e apesar dos esforços dos bombeiros de São Roque, da Madalena e ainda de uma viatura do Aeroporto do Pico, todo o edifício foi consumado pelas chamas.
O Hiper Cais está implantado numa área com mais de dois mil metros quadrados e dispunha de supermercado e diversos espaços comerciais. Fernando Andrade, comandante dos Bombeiros Voluntários de São Roque, admitiu dificuldades no combate ao incêndio, cujas causas ainda estão por apurar.
Pouco restou depois deste enorme incêndio, estando ainda por calcular os prejuízos totais de uma tragédia sem memória em São Roque do Pico, num estabelecimento que empregava 20 funcionários.
O Clube Europeu da Escola Secundária Manuel de Arriaga (ESMA), promoveu domingo, na praia do Porto Pim, Fábrica da Baleia uma corrente humana, no âmbito da Marcha Mundial do Clima.
Segundo informação enviada à nossa redação, as alterações climáticas têm vindo a ter um impacto crescente e extremamente significativo no nosso planeta e deve, constituir, cada vez mais, uma preocupação de todos nós.
No mês de dezembro, milhares de líderes a nível mundial vão estar reunidos, em Paris, para tentar chegar a um acordo relativamente a que posições e medidas devem ser tomadas para fazer face às evidentes alterações climáticas.
Neste contexto o Clube Europeu da ESMA, juntou-se à AVAAZ, rede mundial de mobilização social, através da Internet, que promoveu a criação de eventos a nível mundial com vista a divulgação desta causa.
Emília Vieira Branco, aluna e membro do Clube Europeu da ESMA, grande mentora desta inbiciativa disse à nossa reportagem que “soube da existência deste projeto através de alguns amigos e pareceu-me bastante importante. Este é um tema de extrema importância e que toca a todos”.
O grande propósito desta iniciativa passou por mobilizar as pessoas e mostrar às entidades governativas “que o mundo se importa e que isto é algo que nos importa a todos, pelo que é necessário tomar decisões que sejam benéficas a todos”, refere a jovem.
Consciente de que vivemos num pequeno paraíso onde as alterações climáticas ainda não têm um impacto muito grande, Emília Branco mostrou-se satisfeita com a moldura humana que aderiu ao repto lançado pelos jovens.
“É verdade que aqui nos Açores sentimos menos as questões da poluição e das alterações climáticas, todavia este é um fenómenos global e que nos atinge a todos pelo que é fundamental que todos nos unamos”.
O Clube Europeu da ESMA tem neste momento 16 elementos e é coordenado pela docente Sandra Goulart.
O nosso sistema de numeração decimal é um sistema de natureza posicional: os números são representados por sequências de símbolos, sendo que o valor de cada símbolo depende da posição que ocupa nessa sequência. Por exemplo, quando escrevemos o numeral relativo ao número treze, “13”, estamos na realidade a utilizar uma numeração mista: “1” vale uma dezena e “3” vale três unidades. Treze, na sua escrita matemática atual, traduz a organização uma dezena mais três unidades; dez unidades de uma ordem numérica são alvo de uma composição para uma unidade da ordem numérica seguinte, o que traduz a essência de um sistema de base 10. Por isso, o “10” desempenha um papel de extrema importância e a forma como as crianças desenvolvem as primeiras explorações do nosso sistema de numeração é determinante para as suas aprendizagens futuras.
A compreensão do sistema de numeração posicional é difícil para uma criança de 5/6 anos (idade de entrada para o 1.º Ciclo do Ensino Básico), uma vez que está associada à importância da posição e do carácter misto da nossa escrita numérica. Se experimentar dizer que o “1” do “13” vale dez, isso não terá qualquer significado para a criança, pois ela vê um “1”.
Também é curioso verificar que temos um problema linguístico de articulação com a notação matemática, de natureza posicional. Por exemplo, em português, as palavras “onze”, “doze”, “treze”, “catorze”, “quinze”, “vinte”, entre outras, não têm grande significado do ponto de vista das ordens numéricas. A palavra “dezasseis” já traduz a ideia de “dez e seis”. Em inglês, também há esse problema, por exemplo, com as palavras “eleven” ou “twelve”. Já em chinês, a fala e a escrita posicional correspondem na perfeição: referimo-nos, por exemplo, ao 14 como sendo “dez e quatro” ou ao 75 como “sete dez e cinco”. Como na China a correspondência está explícita na língua materna, as crianças têm mais facilidade com o conceito de ordem numérica.
O professor deve procurar desenvolver estratégias eficazes na abordagem do sistema de numeração decimal, que passam inevitavelmente por ilustrar e esquematizar, seguindo uma abordagem Concreto>Pictórico>Abstrato, segundo múltiplas perspetivas. Para estimular uma verdadeira compreensão da ordem das dezenas, as atividades típicas são: (a) Separa 10 e diz o número; (b) Pinta 10 e diz o número; (c) Utilização de dispositivos com algarismos móveis (presentes em todos os manuais do bem sucedido método de Singapura). Vejamos como podemos promover a compreensão da ordem das dezenas e ultrapassar a “barreira” do 10. Os exemplos aqui apresentados serão objeto de aprofundamento num artigo, em co-autoria com Carlos Pereira dos Santos, a publicar no próximo número do Jornal das Primeiras Matemáticas (http://jpm.ludus-opuscula.org). Trata-se de uma publicação semestral e eletrónica, que incide sobre a Matemática da Educação Pré-Escolar e dos 1.º e 2.º Ciclos do Ensino Básico. As suas edições saem nos exatos momentos de Solstício.
Em relação aos conjuntos representados nas figuras A e B, qual é o exemplo que permite uma mais fácil contagem dos objetos? O leitor não terá dificuldade em concordar que é o exemplo da figura B. A razão para essa escolha é simples: nesse exemplo, a representação da quantidade está próxima da forma como organizamos o número 13 na sua representação decimal. Uma das estratégias que normalmente se utiliza para contar é a contagem organizada, que consiste precisamente em organizar os objetos de forma a facilitar a contagem em termos visuais. Este aspeto é fundamental nas primeiras aprendizagens da ordem das dezenas.
Compor a dezena é fundamentalmente dar estatuto de coisa una a um grupo de dez objetos. Uma atividade muito indicada para trabalhar o conceito de ordem numérica é a atividade Separa/Pinta 10 e diz o número. Tipicamente a criança pinta 10 objetos (no caso do exemplo da figura C, dez ovos para colocar numa caixa) e depois diz o número (olhando para a dezena composta e para as unidades soltas que sobraram). Este tipo de atividade também pode ser feito com objetos, separando 10 (figura D). Neste contexto, recomenda-se a utilização de diversos materiais manipuláveis, estruturados e não estruturados.
Vejamos um exemplo de uma atividade em que se recorre à utilização de um dispositivo com algarismos móveis (figura E). Trata-se de um dispositivo de extrema relevância na compreensão da ordem das dezenas. Convida-se a criança a olhar para a imagem dos peixes. Pede-se que conte 10 peixes (em voz alta e apontando ao mesmo tempo). A criança deverá pintar 10 peixes de vermelho. Em seguida, convida-se a criança a escrever o numeral correspondente (10) nas quadrículas previamente preparadas. A criança deverá fazer essa tarefa com uma caneta de cor vermelha. O professor repete a informação “10 peixes pintados de vermelho”, apontando com o dedo. Depois, pergunta quantos peixes não foram pintados, pedindo para que a criança os conte em voz alta. A criança deverá pintar esses peixes de azul. Pede-se à criança para que escreva o numeral (2) na quadrícula sobreposta à quadrícula do zero. A criança deverá fazer essa tarefa com uma caneta de cor azul. Por fim, pede-se à criança para que conte em voz alta todos os peixes (12). No final, chama-se a atenção da criança para o facto de termos 12 peixes, 10 vermelhos e 2 azuis. Repete-se “É isso que é doze, dez mais dois”. Quando o professor diz “Dez mais dois”, deve fazer o movimento de sobreposição do numeral 2 sobre o numeral 0. A criança deverá ficar com a perceção clara que o “1” do “12” é o “1” do “10”.
Este tipo de atividade em que se compõe a dezena e se utiliza o dispositivo com algarismos móveis pode ser empregue nos mais variados contextos. Terminamos com mais um exemplo de uma atividade, da autoria de Marylene Medeiros, aluna do Mestrado em Educação Pré-Escolar e Ensino do 1.º Ciclo do Ensino Básico, da Universidade dos Açores (figura F). Deve-se trabalhar o tema segundo múltiplas perspetivas. A imaginação é o limite...
Tive oportunidade de participar numa delegação da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu, constituída por deputados da França, Alemanha, Polónia e Portugal, que esteve recentemente na nossa região. Durante três dias desenvolvemos uma agenda intensa. Tivemos oportunidade de visitar quatro ilhas onde pudemos tomar contato com a produção, trocar impressões com os principais agentes do sector e reunir com Presidente do Governo, com o Secretário Regional da Agricultura e com a Comissão de Economia da Assembleia Regional dos Açores.
Estas visitas são sempre momentos importantes porque dão, aos colegas de outros países, uma base de conhecimento da realidade que nem os documentos nem aquilo que vamos salientando nos debates ou mesmo informalmente em Bruxelas são capazes de transmitir. A verdade, é que é significativamente diferente ler ou ouvir a caracterização de um setor ou de uma região ou contatar com a realidade no terreno, perceber as diferenças para as grandes regiões agrícolas, de onde vêm alguns dos meus colegas, conhecer as pessoas que fazem a agricultura nos Açores e a forma como se tem desenvolvido este setor.
Gostaria, no entanto, de realçar que as maiores resistências, no que contende com a implementação de medidas mais intensas para combater os efeitos da baixa do preço do leite, não vêm do Parlamento Europeu. É a Comissão e o Sr. Comissário Hogan que teimam em deixar nas mãos do mercado desregulado a definição do preço do leite. Tanto assim é que o relatório do leite do Parlamento Europeu (no qual representei os socialistas europeus) recomendou que os Açores tivessem um estatuto e acompanhamento especial no âmbito do mercado do leite, pediu ainda um reforço do orçamento do POSEI para amparar o sector leiteiro.
A aprovação do relatório foi uma grande vitória política para nós e colocou o Parlamento europeu ao nosso lado nesta luta contra a Comissão Europeia. Os meus colegas deputados sabem isso e os que quiseram puderam percebe-lo. No entanto, o pensamento ultra liberal de alguns deputados do PPE (família política do PSD na Europa) continua a tolher-lhes o pensamento. Não querem nenhuma intervenção no mercado. A liberalização beneficia os grandes produtores da Alemanha, da Irlanda e da Polónia. Registei com agrado a posição do meu colega francês Eric Andrieu que mais sensível às questões das ultra periferias e aos impactos sociais da liberalização nunca hesitou na defesa de apoios excecionais para os Açores.
O preço do leite, fruto do embargo Russo e da desaceleração económica nalguns países recetores dos produtos lácteos europeus, está anormalmente baixo. Todos vimos as manifestações em frente à sede do Conselho com milhares de agricultores a reclamarem uma solução para o problema. A solução para a questão tem que ser encontrada ao nível europeu. Não quer isto dizer que não devamos fazer tudo o que pudermos para amenizar os efeitos aqui nos Açores. Porém, não creio que a chave para a sustentabilidade da produção leiteira nos Açores possa ser encontrada a nível regional.
No próximo ano a Comissão Europeia vai apresentar um estudo de impacto sobre os resultados da aplicação do POSEI. Tanto o estudo como a eventual proposta de revisão irão passar pelas mãos dos eurodeputados. Por esta razão, esta visita foi extremamente oportuna. Vamos precisar dos nossos colegas para defender os interesses dos Açores. Já conseguimos que se juntassem a esta causa com o relatório do leite e a defesa do reforço do POSEI, esperemos que a sensibilidade para a diferença continue, pelo menos quanto a esta matéria, a sobrepor-se à defesa do modelo ultra liberal que tem deixado desamparados vastos sectores da economia europeia.
O reitor da Universidade dos Açores revelou esta semana que, no âmbito da reestruturação interna, a academia vai passar a ter quatro faculdades, que se pretende que avancem já no próximo ano letivo.
"A reitoria da Universidade dos Açores apresentou uma estrutura que foi aprovada, por unanimidade dos seus órgãos, na última segunda-feira, e que prevê a criação de quatro grandes faculdades na academia, reduzindo de 10 para quatro as unidades orgânicas da estrutura mais pesada da instituição", declarou aos jornalistas João Luís Gaspar.
O responsável máximo da academia, que falava na sequência da reunião de seis horas do Conselho Geral da Universidade dos Açores, no polo de Ponta Delgada, considerou que esta reestruturação orgânica, iniciada há cerca de um ano, vai permitir "ganhar muita sinergia" entre professores que estavam, de forma individualizada, a funcionar em departamentos muito pequenos, agora agrupados.
Desta forma, João Luís Gaspar considera que a Universidade dos Açores vai ganhar mais massa crítica e maior e melhor oferta letiva, reduzindo-se ainda os órgãos de decisão, que passam de 122 para 52, espalhados pelos três polos (Ponta Delgada, Horta e Angra do Heroísmo).
O reitor especificou que passará a haver uma faculdade na área da economia e gestão, que compreenderá duas subunidades - uma na área de economia e direito e outra na área da gestão.
A segunda faculdade estará vocacionada para as ciências sociais e humanas, onde haverá uma secção dirigida para a história, filosofia e artes e outra na área da sociologia, que se autonomiza.
João Luís Gaspar referiu que esta segunda faculdade vai compreender também uma seção na área da psicologia e outra vocacionada para a educação, acrescentando que haverá ainda um departamento para as línguas, literatura e culturas.
No campo das ciências naturais, exatas e tecnológicas, haverá também duas faculdades na Universidade dos Açores, uma de ciências agrárias e do ambiente, que ficará sediada no polo de Angra do Heroísmo.
A última das quatro faculdades é a de ciências e tecnologia, que vai incorporar em Ponta Delgada o departamento de biologia, bem como, na Horta, o departamento de oceanografia e pescas, ficando aí localizada a valência do mar.
Ainda na última faculdade, funcionará o departamento de geociências, a par da física, química e engenharia, dividindo-se o atual departamento de matemática em duas seções: uma vocacionada para a matemática e estatística e outra focada nas questões de informática, mas também nas tecnologias de informação.
"Estamos a falar de uma universidade que hoje deu um passo extremamente importante, decidindo uma reorganização mais leve, mais vertical, onde a descentralização possa, de facto, existir e as decisões possam ser tomadas de forma mais célere", declarou João Luís Gaspar, que recordou que todo este processo padece da aprovação do Governo da República.