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Susana Garcia

Susana Garcia

19
agosto

No Centenário da República Portuguesa (13)

Publicado em Fernando Faria
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Retalhos da nossa história – LXXXIII

16. Governador Eduviges Goulart Prieto

 Usando a faculdade que lhe conferia a Constituição da República Portuguesa o Presidente Manuel de Arriaga nomeou a 18 de Janeiro de 1913, “sob proposta do ministro do Interior” e “por motivo urgente de serviço público […] para os cargos de governadores civis de Coimbra, Viseu e Horta, respectivamente o bacharel João de Deus Ramos, o bacharel João Teixeira de Queirós Vaz Guedes e o cidadão [também bacharel] Eduviges Goulart Prieto”. Estes lugares, acrescentava-se ainda naquele decreto, haviam vagado “pelas exonerações concedidas, respectivamente, ao bacharel João Mendes de Vasconcelos, major Afonso Cardoso da Fonseca e tenente da Armada Augusto Goulart de Medeiros”[1]. As nomeações destes e de outros governadores resultavam de que uns dias antes - precisamente a 9 de Janeiro de 1913 – fora empossado o primeiro Governo partidário da República, o de Afonso Costa, que no parlamento tinha o apoio do seu Partido Democrático e da União Republicana, de Brito Camacho. Era, portanto, natural que o novo titular da pasta do Interior, o médico Rodrigo José Rodrigues, seguindo, aliás, as directrizes do Chefe do Governo, quisesse ter políticos da sua estrita confiança como primeiros e directos representantes distritais. Seria, certamente, o caso de Eduviges Goulart Prieto que deve ter sido contemporâneo, em Coimbra, de Daniel Rodrigues, igualmente formado em Direito, que iniciou na ilha das Flores a carreira de magistrado como delegado de procurador régio. Este, que era irmão do ministro do Interior foi, naquele ano, nomeado governador civil de Lisboa, ao passo que o seu outro irmão, Urbano Rodrigues, exercia as funções de chefe de gabinete do presidente do Ministério. Registe-se que o Dr. Afonso Costa, que para o bem e para o mal foi a primeira figura política da 1.ª República, igualmente deve ter contactado com o Dr. Prieto na Universidade de Coimbra, onde ambos se formaram em Direito na segunda metade da década de noventa do século XIX. Além disso, quando a 2 de Abril de 1911 foi criada a Conservatória do Registo Civil da Horta – decorrendo das medidas legislativas de Afonso Costa, então ministro da Justiça do Governo Provisório - o primeiro titular daquela repartição genuinamente republicana foi Eduviges Goulart Prieto.

 Além destas prováveis relações académicas, profissionais e políticas, o novo governador civil da Horta era, como os seus dois predecessores republicanos (Dr. Machado de Serpa e tenente Augusto Goulart de Medeiros) natural de uma das ilhas do distrito, pois nascera na freguesia Matriz da cidade da Horta em 27 de Julho de 1870.

Decorreu no salão nobre do Governo Civil, pelas 12 horas do dia 27 de Janeiro de 1913, a investidura do novo governador conferida pelo tenente Goulart de Medeiros, que “enalteceu as qualidades do novo chefe do distrito”, “conceituadíssimo causídico”[2] e conservador do registo civil do distrito. Agradeceu este em entusiástico improviso, frisando “os serviços prestados aos povos deste distrito pelo seu antecessor e prometeu continuar a sua obra, terminando por levantar vivas à Pátria, ao Presidente da República, ao Dr. Afonso Costa, aos faialenses, ao povo português, aos senadores Goulart de Medeiros e José Machado Serpa, ao sr. Augusto Goulart de Medeiros, ao partido democrático e à imprensa”, tendo os muitos presentes à cerimónia correspondido “levantando calorosos vivas”[3] ao novo governador que seria depois acompanhado à sua residência por um grande número de amigos e admiradores que assistiram à cerimónia e assinaram o respectivo auto de posse.

O mandato do governador Prieto durou pouco mais de um ano, pois cessou quando, a 26 de Janeiro de 1914, Afonso Costa pediu a demissão do seu Ministério ao Presidente Arriaga, embora o novo chefe do distrito só haja sido empossado no Governo Civil da Horta no dia 29 de Abril desse mesmo ano.

Eduviges Goulart Prieto nasceu, como se disse, na cidade da Horta, a 27 de Julho de 1870, e o seu registo de baptismo refere ser filho de “Eduviges Hernandes Prieto, natural de Montevideu, na América Espanhola, e de Dona Evarista Goulart Prieto, natural desta Matriz onde foram recebidos”, sendo paroquianos e residentes na rua de São Francisco. Era neto paterno de “Dom Vicente Hernandes Prieto e Dona Jacinta Prieto e materno de Manuel Francisco Goulart e de Dona Maria Alexandrina Goulart”[4].

Matriculou-se pela primeira vez no Liceu da Horta em 1882 e na Universidade de Coimbra em 1890, aí concluindo a sua formatura em Direito em 1895.

  Sendo, portanto, já “bacharel formado em Direito” e contando 27 anos, casou na igreja Matriz da Horta no dia 23 de Outubro de 1897 com “Luísa Soares de Melo e Simas, de 19 anos, natural e moradora na Matriz, filha legítima do Doutor Manuel Maria de Melo e Simas, Juiz de Direito da Comarca das Velas, ilha de São Jorge e de Dona Luísa Adelaide Soares de Simas”[5], naturais da Matriz de São Roque do Pico.

Era na altura um jovem e promissor advogado, tendo na carteira dos seus clientes a poderosíssima Casa Bensaúde, além de ser reitor do Liceu da Horta de 1896 a 1900, onde leccionou Geografia, História e Português. Disputado pelos dois partidos predominantes da Monarquia para assumir funções dirigentes, isso não aconteceu, não obstante haja quem adiante ter sido “ progressista”, e “homem de uma grande nobreza de carácter, que, mesmo como advogado distinto que era, nunca pôs a sua vasta ciência jurídica na defesa duma causa que repugnasse à sua consciência”[6].

Findo o exercício do cargo de governador civil, voltou o Dr. Prieto às funções de conservador do Registo Civil e de advocacia.

A sua vida, porém, seria breve. Faleceu a 22 de Agosto de 1916, “numa casa da ‘rua Doutor Eduviges’, da freguesia da Conceição, deste concelho”, vitimado por “uma congestão cerebral”. Apesar de residir na rua Conselheiro Medeiros, estava de férias na sua casa de verão localizada no Farrobo, sítio que o assento de óbito justamente menciona como “Rua Doutor Eduviges”, uma vez que a Câmara Municipal da Horta, em sessão de 17.2.1916, por proposta do vice-presidente Vitoriano da Rosa Martins deliberara que assim se passasse a designar “o caminho do Farrobo desde a Volta até à ponte dos Flamengos”[7]. Que se saiba, essa deliberação não foi cumprida e jamais foi revogada.

A notícia da morte do Dr. Prieto causou, naturalmente grande consternação, tanto mais que era “um cavalheiro de fino trato, inteligente, trabalhador, ainda na flor da vida”[8]. Contava apenas 46 anos de idade, deixou viúva de 38 anos e dois filhos menores.  

 


[1] ANTT, Ministério do Interior, Decretos, maço 210, cx. 19

[2] “A Democracia” de 2 Fevereiro 1913

[3] “O Telégrafo” de 27 Janeiro 1913

[4] Livro n.º16 Baptismos da Matriz da Horta, fls.34 e 34-v. assento n.º 75 de 1870

[5] Livro n.º 8 Casamentos da Matriz da Horta, fls. 11-v. a 12-v. assento n.º 15 de 1897

[6] Simas, Dr. Gabriel Baptista – “O 1.º Centenário do Liceu Nacional da Horta”, 1953, p. 46

[7] “O Telégrafo” de 3.Março 1916

[8] Idem, de 23 Agosto 1916

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19
agosto

Anedotas Angelicais!...

Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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Atravessamos um Verão que nos tem dado magníficos dias de sol e praia.

São as férias, as festas, as noitadas, os namoricos, os flirts, as jantaradas, a cerveja, os pés de dança, as meninas..., que transformam esta ilha numa “Silly Season” crescente de iluminados, que defendem interesses que não nos interessam.

ESCARAVELHO

Este Verão, o escaravelho arrasou tudo, e deixou esta ilha Azul toda rendilhada e castanha…

Defender que o escaravelho japonês não é um problema, é, no mínimo, uma anedota.

DERRAMA

É um imposto extraordinário, que veio para ficar, ao qual a nossa Autarquia deita mão, não para um investimento estratégico, mas para cobrir o deficit do Plano e Orçamento, e das suas despesas correntes, de capital e de investimento.

O que não sabíamos é que o Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta, e deputado municipal, considera este imposto... positivo.

AEROPORTO

Do outro lado do canal, afirma-se, e bem (para eles), que o Aeroporto do Pico é o que melhor está colocado para servir os interesses do Triângulo, designadamente, nas ligações internacionais.

Por cá, e mal, também há quem alinhe o discurso pela mesma bitola, assumindo-se como “galito de uma capoeira de raposas”, como ponta de lança de uma politica regional bipolar, cujo objectivo é “dividir para reinar”.

Ingenuidades? Não! Estratégias concertadas, com direito a prémio politico.

PARTOS

César oferece uma ambulância marítima, que não navega.

César anuncia um Bloco de Partos na Madalena do Pico, que, para funcionar a sério, terá de ter um bloco operatório.

Mas, para que uma Maternidade funcione com reconhecida qualidade, terá de ter um mínimo de 300 partos / ano, para que os profissionais de saúde tenham a experiência mínima necessária, e para que a taxa de mortalidade infantil não dispare.

Ora, Faial e Pico conseguem atingir essa meta à rasquinha!...

Logo, a prazo, o que nos espera será irmos todos nascer ao Hospital de Santo Espírito, na Terceira...

Assim, não admira que, por cá, exista alguém que defenda que a USIP – Unidade de Saúde da Ilha do Pico vire UHIP – Unidade Hospitalar da Ilha do Pico.

PARCERIAS

Este é um mandato de “costas largas”, em que se passou de um “garrote politico” à anterior direcção, para um “laissez faire, laissez passé” à actual e oportuna “almofada de ar” do partido do poder, que suporta o Governo Regional e a Câmara Municipal.

Não há fome que não dê fartura, que vai da participação em comícios e jantares das tertúlias politicas, aos mais inesperados eventos, da cardiologia aos rallies, dos motards à gastronomia alemã..., tudo em prol da economia local.

Antes, dizia-se à boca pequena que havia instrumentalização politica da CCIH...

Agora, diz-se à boca cheia.

“La petite différence”, é que ninguém faz nada: uns afastam-se desencantados, e outros aproximam-se encantados, numa perigosa “renovação étnica” de interesses.

DEMISSÕES

A Mesa do Comércio e Serviços demitiu-se, porque ficou sem espaço de manobra, perante o “elogio” da criação das Plataformas em Ponta Delgada e Praia da Vitória, já com a alternativa de “doca seca” para o nosso parque de contentores, quando o seu Presidente era o 1º subscritor da Petição Pública a favor sua a abolição.

Recorde-se que, o signatário, na qualidade de Vice Presidente da CCIH já havia pedido a demissão em 10 de Outubro de 2009, por motivos semelhantes.

Este é uma mal que já vem detrás, já tem barbas, e continua a agravar-se com o tempo, com a conivência não de um, nem de dois, nem de três... mas de todos aqueles que deixam o barco navegar numa rota contrária aos reais interesses dos empresários.

FULL-TIME

Não deixa de ser curioso que um empresário em part-time necessite de assumir em full-time as funções de Presidente da Câmara do Comércio e Indústria da Horta.

É, sem dúvida, uma “conquista” para os associados, do Pico ao Corvo, passando pelo Faial e pelas Flores.

Assim, ficará facilitada a sua participação nas deslocações oficiais da Região aos Estados Unidos, Europa, China e Angola, bem assim a participação em várias feiras nacionais e no estrangeiro.

Avizinha-se um período áureo para o Comércio, Indústria e Serviços de alguns, com tanto empenho e disponibilidade.

PLATAFORMAS

Os Faialenses, da esquerda à direita, uniram-se contra a criação das Plataformas Logísticas.

Até destacados membros locais do partido do poder levantaram a sua voz contra este avanço do lobby Terceirense, apoiados por debates, petições públicas e pareceres técnicos dos operadores portuários, dos transitários e dos agentes de navegação.

Todos..., menos as habituais “ovelhas negras”, que já nos habituaram à sua subserviência e fidelidade ao poder regional, única forma de garantirem a sua sobrevivência politica, social e pessoal.

Mas desta vez, a sua força não foi suficiente para calar a verdade.

A democracia funcionou no Conselho de Ilha, e as plataformas foram rejeitadas.

Mas a vontade dos Conselheiros ficou na gaveta...

E a Assembleia Legislativa Regional aprovou o PROTA, com o parecer solitário e favorável do Presidente do Conselho de Ilha.

Depois do 25 de Abril de 1974, não há memória de tal adulteração da democracia.

CONSELHO DE ILHA

Trocam-se pareceres, porque existem versões A e B, cuja autoria e propósitos se desconhecem.

Emitem-se pareceres que contrariam as decisões do Conselho de Ilha.

Expedem-se ofícios importantes, sem registo, sem protocolo..., em correio normal, que não chega ao destino.

Mas afinal, foi para prestar “um mau trabalho” que se rompeu com a tradição e se forçou a conquista da Presidência, para transformar a idoneidade de todo um Conselho de Ilha numa “anedota angelical”?

Assumem-se os erros.

Arranjam-se desculpas.

O que não se assumem, são as consequências da ligeireza dos próprios actos.

Tá-se bem, numa boa, a malta é bué de fixe e curte a situação.

Io!...

 

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06
agosto

O Fim dos Chumbos nas Escolas

Publicado em Costa Pereira
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 1. A sorridente Ministra da Educação deu na passada semana uma entrevista ao semanário Expresso. Nela volta a apresentar e defender uma antiga e muito popular ideia dos partidários do eduquês: o fim das reprovações. Mas porquê acabar com os "chumbos" nas nossas escolas?  Porque, defende ela, os alunos que repetem o ano não aprendem mais e as reprovações desmotivam os alunos e até os afastam da escola.

2. Subjacente a esta ideia peregrina parece estar um problema grave no actual sistema educativo português: o excesso de reprovações, que importaria combater. Nada mais falso! O que se verifica, de facto, nas escolas do País é bem diferente dessa ideia que se quer insinuar. E o que se passa nas nossas escolas como norma é a quase ausência de reprovações na maior parte das turmas do ensino básico. E aqueles alunos que reprovam são situações muito excepcionais e que exigem aos docentes uma enorme carga burocrática de justificações, de tal modo que são mesmo casos sobre os quais os docentes maduramente reflectiram e para os quais não encontraram solução diferente.

3. A maioria da Opinião Pública, ainda influenciada pela imagem da escola que teve, desconhece este facto de que neste momento os  "chumbos" no ensino obrigatório em Portugal são residuais. E que a maioria das reprovações na escolaridade obrigatória são de alunos que não gostam nem querem estar na escola. E que os alunos que eram conhecidos como tendo dificuldades e limitações, sendo minimamente cumpridores, todos eles vão transitando nas nossas escolas.

4. Então se o problema dos "chumbos" não tem a importância nem a expressão que lhe querem dar na escolaridade obrigatória, porquê a Ministra levantar agora a questão? Porque daqui a dois anos lectivos teremos os primeiros alunos da escolaridade obrigatória de doze anos. E a estratégia dos defensores do eduquês é clara: criar já as condições para fazer no 10.º, 11.º e 12.º anos aquilo que foi feito no ensino básico, isto é, uma rede de obstáculos e de dificuldades administrativas que artificialmente reduza as reprovações que, essas sim, são muito significativas a partir do 10.º ano. A seguir virá a redução do número de exames nacionais. E depois diminuir-se-á o peso da nota dos exames nacionais. E no fim o Estado poupará mais de 600 milhões de euros se eliminar as reprovações durante toda a escolaridade obrigatória de 12 anos!

5. Com graça e verdade, João Miranda fez o seguinte balanço às medidas entretanto já tomadas pelos últimos governos com vista a acabar-se com os "chumbos" nas escolas portuguesas:

            1. Encurtar e reduzir a dificuldade dos programas (feito).

            2. Reduzir a dificuldade dos exames (feito).

            3. Permitir que os alunos passem com 7 negativas (feito).

            4. Criar vias alternativas de ensino mais fáceis, e.g. CEFs e ensino profissional (feito).

            5. Criar as Novas Oportunidades (feito).

            6. Encher o horário com disciplinas a que não se reprova, e.g. Área Projecto, Estudo Acompanhado, Formação Cívica (feito).

6. Os defensores do eduquês querem convencer-nos de que a reprovação de ano não tem valor pedagógico. Mas isso colide objectivamente com a realidade. A nossa história está cheia de casos de figuras ilustres que, numa qualquer altura do seu percurso escolar, reprovaram. E foi essa reprovação que lhes deu o sinal para mudarem de atitude face à escola. Conforme exemplifica o Ionline de 2 de Agosto passado, "é a um chumbo - e também a uma expulsão do liceu - que Portugal deve um dos seus mais extraordinários romances. Vitorino Nemésio foi expulso do Liceu de Angra, onde reprovou no antigo 5º ano. Aos 16 anos, Nemésio é enviado para a ilha do Faial, para se preparar para os exames do "Curso Geral dos Liceus" (equivalente ao actual 9º ano) e é nessa estada na Horta que começa a desenhar os elementos do "Mau Tempo no Canal". No dia 16 de Julho de 1918, com 16 anos, Nemésio termina o curso geral dos liceus, com a mortificadora média de "10 valores". O mau aluno virá a ser professor universitário e um dos melhores escritores portugueses. Talvez o pior argumento antimudanças seja o chumbo "exemplar" de Cavaco Silva: o actual Presidente da República chumbou no 3º ano do liceu - actual 7º ano de escolaridade - e o pai obrigou-o a trabalhar na terra e ajudar no negócio da família. Na sua autobiografia, o Presidente da República considera esse chumbo - e a "lição" do pai - um marco na sua vida, que o tornaria depois um estudante aplicadíssimo. "

Mas esta realidade não é tida em conta e o que verdadeiramente se pretende impor e generalizar é uma visão da escola onde não seja necessário o esforço, o trabalho e o empenhamento dos alunos, e onde tudo se há-de conseguir brincando e jogando.

O problema é que as verdadeiras vítimas desta enormidade são sempre os alunos!

03.08.2010

 

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06
agosto

Só dói o coração, ao dono do furão!

Publicado em Maria Antonieta Avellar Nogueira
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Este é um ditado antigo que espelha bem o egoísmo de alguns que, por não serem afectados por determinado mal, estão-se marimbando para o que possa acontecer aos seus patrícios, colegas ou companheiros.

Infelizmente, há muito boa gente, dita de esquerda, também conhecidos por “boys and girls”, que não se preocupa com as dificuldades do próximo, desde que tenha a sua pança bem cheia...

Estou farto daqueles que pouco ou nada fazem, que não se importam com o Faial, que vivem à custa dos Faialenses, e que, ainda por cima, contribuem para o nosso mal, tapando o sol com a peneira.

Efectivamente, esses são os verdadeiros culpados da nossa desgraça, que pela sua conduta a soldo, são transformados de mercenários em “heróis regionais”, cuja tarefa é, e só, fazer calar e controlar os Faiais.

Vejamos alguns “gatos escondidos, com o rabo de fora”:

 

AR

O arquipélago ainda tem um bom ar, respirável, e ainda se pode apanhar sol em segurança, desde que se fuja ás horas de maior incidência solar, que atravessam facilmente os buracos da desgastada camada de ozono.

Curiosamente, quando chego à praia, pelas 15 / 16H, cruzo-me com um elevado número de médicos e enfermeiros que estão de saída... Será caso para dizer, “Faz o que eu digo, e não o que eu faço!”

Apesar de termos ar puro e sol, não estaremos descansados nas praias e piscinas, se formos permanentemente incomodados por... escaravelhos. Desorientados e esfomeados, não olham a quem nem onde, e mergulham a pique, e ai... se descobrem o acolhedor buraco de algum ouvido mais distraído... É que, não só não saem, como penetram.

Claro que, se estivermos sulfatados, estaremos protegidos!

 

MAR

As águas das zonas balneares dos Açores apresentam “Boa” qualidade, pelo que estão em condições de serem utilizadas pelos banhistas... É bom, mas lacónico, e muito pouco para uma Região que se quer afirmar no Turismo como Destino Natureza.

Mas será que basta termos água “boa” para tomarmos banho? Não, porque a “boa” qualidade microbiológica da água nada tem a ver com a proliferação de “águas vivas” que, essas sim, impedem que nos refresquemos quando o calor aperta.

Claro que nada disto importa, para aqueles que se refrescam em piscinas privadas.

 

PESCA

A nossa pesca sofre de alguns constrangimentos graves, que impedem os que dela vivem, de auferir um rendimento justo, correspondente ao investimento que fazem na sua actividade: a sobreexploração dos stocks, a invasão da frota estrangeira, as margens de comercialização dos exportadores e a indisponibilidade de carga aérea.

Estes problemas só importam aos que vão para o mar, que arriscam a vida, e que, dia a dia, se vão apercebendo da diminuição dos stocks, das menores capturas e do consequente menor rendimento que todos os dias levam para casa na algibeira.

Claro que nada disto interessa àqueles que, independentemente do seu esforço, recebem um ordenado fixo e seguro todos os meses.

 

RESÍDUOS

O lixo e as lixeiras vão desaparecendo e dando lugar ao negócio dos resíduos, que cada vez mais são objecto de separação e exportação, salvo os que terminam na “lixeira controlada” da Fajã.

Os maus hábitos levam gerações a corrigir, e a Educação Ambiental demora em colher os seus frutos.

E se as lixeiras desapareceram, os ratos precisam de comer, procurando as culturas dos agricultores que estão mais à mão..., pelo que a única forma de não termos ratos no quintal (para quem os tem, claro) é deixá-los incultos, pois senão serão autênticos oásis para os roedores.

Mais uma vez, nada disto interessa a quem compra barato no Hiper, a salsa, os nabos e as cenouras importadas, contribuindo para a saída de dinheiro da ilha.

Também nada dizem aos que só procuram a Fajã por altura das campanhas eleitorais.

 

CONSTRUÇÃO

A preservação do património edificado e urbano é um objectivo de qualquer cidadão ou governo que preze a cultura.

Contudo, a evolução dos tempos não permite que continuemos na era do telex ou da máquina de escrever..., como não permite que, comodamente à secretaria, se continue a exigir materiais que estão ultrapassados, quer pela sua curta vida útil, quer pelos seus insuportáveis custos de manutenção.

Assim, não se compreende que se continuem a exigir coberturas, vãos e revestimentos em madeira, quando todos sabemos que o Governo Regional e as Câmaras ainda não conseguiram travar o avanço das térmitas...

Claro que nada disto importa para quem vive em apartamentos pagos pelo Governo, e que estão sempre impecáveis, quando vêm à ilha para despachar!

 

ENFIM!...

Apregoar aos quatro ventos, como faziam antigamente os Arautos e os Capitães Donatários de Suas Majestades, que vivemos numa ilha com qualidade, poderá significar, a prazo, que essa sustentabilidade em vez de reverter directamente para os seus habitantes, será a condição necessária e suficiente para que todas estas pragas e infortúnios grassem pela ilha que já nem será nossa.

Essa qualidade só terá valor, e será reconhecida por todos nós, se reverter a nosso favor, se a pudermos usufruir.

E esse objectivo só se poderá alcançar, se as politicas do Governo e das Câmaras se alterarem profundamente.

É preciso passar da contemplação e da exigência administrativa, para a acção, metendo a “mão na massa” e reconhecendo que estas pragas comprometem o bem estar das populações, e acima de tudo, comprometem o desempenho económico daqueles que se dedicam à terra, à agricultura, à construção, às pescas..., e a todos aqueles que contribuem directamente para o nosso PIB.

Sim, porque isso de dizer que se fartam de trabalhar, exigindo e legislando... o melhor é dizerem o que produzem... quantificar nos pratos da balança o que “trocam por dinheiro”, o que dão a esta ilha do Faial, e não o que dela metem ao bolso ao fim do mês, ou o que dela cobram para o bolo regional.

A Europa, Portugal, os Açores e o Faial já não suportam mais “boys and girls” que, com as mais pomposas profissões, de assessores a relações públicas, de chefes a sub-chefes, de fiscais a inspectores, de secretários a ajudantes de campo que só sugam e que, espremidos, nem sumo têm.

 

O Faial não suporta mais as pragas animais e as humanas, que nos invadem e contribuem para a nossa falta de pujança e de riqueza económica.

É demais!

E quem assim não sente, é porque não tem coração, e nunca foi dono de um furão.

 

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29
julho

Informação e Tecnologia – Posição do Faial (I Parte)

Publicado em Parque Natural do Faial
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 Após uma série de artigos dedicados ao turismo, pretendo entrar num novo tema económico de elevada importância, a Informação e a Tecnologia, sempre com o mesmo timbre, tentando fazer uma perspectiva regional e depois enquadrar a posição do Faial nesse contexto.

Pode parecer a algumas pessoas quase utópico falar-se de parques tecnológicos nos Açores, de parcerias com grandes empresas internacionais de Informação e Tecnologia como a NASA, o MIT, a CISCO a IBM e protocolos com universidades e entidades internacionais, mas não, faz todo o sentido que a Região o faça.

Não promover o sector da Informação e Tecnologia é deixar a Região sujeita e refém dos sectores clássicos da Agro-pecuária e Pescas, que quer se queira quer não, sofrem fortes ameaças a crescimentos, devido, por um lado, ao fim das quotas e, por outro, pela escassez de recursos pesqueiros.

Não promover este sector pode igualmente colocar a Região à mercê dos constrangimentos do turismo, de que são prova os tempos que vivemos, com a crise internacional e nacional que se vive e a elevada concorrência, entre outros.

A Região tem de se virar para outras actividades económicas de valor acrescentado que não apenas a indústria ligeira, que será sempre frágil e das actividades marítimo portuárias de lento crescimento elevada concorrência.

Assim, considerando que no sector da Informação e Tecnologia o factor distância, que tanto peso tem para outras actividades económicas, para esta é relativa e considerando que há um elevado crescimento a todos os níveis neste sector, fazia todo o sentido que a Região tivesse ponderado, refletido e chegado à conclusão, depois dos investimentos estruturais feitos (portos, aeroportos, escolas, etc), que era tempo de promover  este sector económico.

Numa primeira fase foi necessário criar um clima propício ao investimento de empresas de Informação e Tecnologia nos Açores, com várias medidas, nomeadamente a inclusão nos sistemas de incentivos desta área de negócios e criação de uma agência de promoção do investimento.

Estabelecido um clima propício e com um quadro fiscal favorável, uma vez onde os impostos na Região são mais baixos que no continente, fazia todo sentido aparecerem os resultados, contudo, tal não se verificou. Por exemplo uma  grande empresa comunicações nacional implementou o seu call center em Cabo Verde, é caso para dizer-se que criar e decretar não é suficiente, a eficácia da politica não esta a ser conseguida.

Sabendo que a Região possui condições de ambiente e de vida em níveis competitivos com outras regiões que já receberam serviços de Informação e Tecnologia, sabendo que estão criadas as instituições para que a nível organizativo se acolha com qualidade estes investimentos, considerando que a Região, via universidade e via ensino profissional com vultosos investimentos do Fundo Social Europeu, nos dotou de capital humano de base nas áreas de línguas e da informática;

Assim, com todas estas condições o que falta para haver capital tecnológico é a criação de infra-estruturas tecnológicas, que posteriormente possam ser utilizadas por empresas de informação e tecnologia, constituindo elementos facilitadores para a instalação destas, oferendo-lhes disponibilidade de “espaço” para desenvolverem a sua actividade.

Estes espaços tecnológicos fazem, assim, todo o sentido, são a cereja em cima do bolo das condições propícias criadas na Região, são eles a peça que falta no puzzle para dar força competitiva ao sector, e com eles se espera finalmente ter retorno social, uma sociedade mais moderna e mais qualificada em termos humanos e tecnológicos.

De facto tomou-se a decisão de fazer verdadeiros parques tecnológicos. E, com pompa e circunstância, foi anunciada a construção de raíz de 2 mega parques tecnológicos, um na ilha de S. Miguel e outro na ilha Terceira.

Caiu tudo aos Faialenses! Viram que a chávena de café neste caso com tanta cafeína não era para lhes ser servida e interrogaram-se “Qual a posição do Faial neste contexto?!”

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