O Dr. Simas
Vulgarmente apelidado de “Pai Simas”, foi indubitavelmente, uma personalidade singular, respeitada, e, até, por vezes, considerada controversa, devido ao seu carácter de cavalheiro culto, assumido, livre e respeitador.
No velho Liceu Manuel d’Arriaga, aonde mais privámos com este distinguido professor de Francês, ele primava por ser marcante, na sua profissão e até generoso nas suas apreciações, apesar de seu aspecto severo e porte autoritário.
Várias foram as gerações de educador que com ele privaram, nomeadamente, através das aulas de Francês, ao tempo disciplina obrigatória.
Tivemos o privilégio de ser seu aluno e, com ele privamos algumas vezes nomeadamente quando meu pai, barbeiro de profissão, lhe cortava o cabelo.
Nesses momentos de descontracção, pudemos compreender e interiorizar o seu valioso empenho, na valorização e consideração pelos seus alunos.
Por apelido chamávamos-lhe o “Pai Simas”; e não era de ânimo leve, que entrávamos para uma aula sua, já que as exigências demonstradas obrigavam-nos a uma dedicação específica, por essa disciplina.
Foi sempre uma figura por quem mantivemos um respeito próprio, mas “tocado” dum carinho singular que, tantas vezes, nos dispensava.
Já, então, deveras idoso, mas sempre dinâmico uma bela ocasião, encontrámo-lo numa camioneta a caminho dos Flamengos. O Dr. Simas dirigia-se, mais propriamente, à Quinta de São Lourenço, para adquirir “plantio” de árvores de fruto e, naturalmente, após os cumprimentos afectivos demos-lhe os parabéns, por já se encontrar reformado.
Curiosamente nunca mais nos esquecermos das palavras sinceras com que nos respondeu:
- “Ó Azevedo eu gostei muito de ser professor de Liceu, enquanto o corpo docente e o corpo discente mantiveram o devido e merecido respeito, mas nesta altura, não duvido que tal salteação se tornou uma “miragem”. g
Dezembro de 2017