O SR. JOSÉ LUCAS
Foi, entre nós, uma figura muito conhecida e considerada, não apenas no meio hortense, mas também na vizinha ilha montanha, mais propriamente em São Mateus, aonde prezava, sobremaneira, uma amizade de longa data, com um cidadão respeitável de nome Francisco Marques, que, como poucos, sabia fazer jus à cordialidade.
Na cidade mar da Horta e durante largos anos, este nosso estimado professor, que tem como profissão a de professor liceal, nutria frequente e cordial convívio com um velho professor primário, de nome Freitas, boa pessoa, bem degrada nossa consideração.
Este professor José Lucas era um cavalheiro muito alegre e folgazão e quem com ele privava, de imediato se apercebia que se tratava duma pessoa “jocosa” e bem amiga do riso.
A comprovar o que acabámos de afirmar, vamos aqui deixar escrito um “episódio” singular e no mínimo estranho, digno da nossa apreciação e fruto da espontaneidade, tão comum, no nosso prezado professor José Lucas.
Num dos muitos e divertidos convívios, em que o nosso caro professor José Lucas privava com alguns amigos, geralmente à mesa da taberna do professor Freitas, saiu-se, jocosamente, com esta pergunta, deveras estranha e desconcertante:
– “Por ventura, vocês sabem qual é a diferença que existe, no meu modo de apreciar a sociedade, entre o meu pai – o sr. Lucas, ao cais –, o sr. Henrique Janeiro, pai do “Peter” e o conhecido, solicito e gracejador catraieiro, de nome “Badela”, por certo, um apelido, e as TRÊS PESSOAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE?
Claro que, de imediato, a perplexidade impera naquele momento e o silêncio fez-se sentir, longamente.
E, uma vez que não surgia uma resposta, o nosso professor Lucas saiu-se com esta dissertação:
– “As TRÊS PESSOAS DA SANTÍSSIMA TRINDADE são três pessoas distintas e um só DEUS verdadeiro, enquanto meu pai, o sr. Henrique Janeiro e o bom amigo Badela são três pessoas verdadeiras e nenhuma distinta”.
Este amigo de longa data e de tantos convívios divertidos, já partiu para a Eternidade, pelo que expressamos, respeitosamente, toda a consideração pela sua memória.